A inteligência artificial vai revolucionar a física fundamental, permitindo que se abram novos caminhos para estudos sobre o destino do universo, avançou o futuro diretor do CERN, o professor Mark Thomson, físico britânico, em entrevista ao The Guardian.

O académico, que deve assumir a liderança do laboratório do  CERN , (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) no próximo dia 1 de janeiro de 2026, prevê que os investimentos que se têm feito em tecnologias avançadas, particularmente em inteligência artificial, permitam avanços na física de partículas.

Mark Thomson referiu mesmo que esta evolução não é muito diferente ​​da previsão de estruturas de proteínas na área da biologia, que levou os cientistas do Google DeepMind a vencerem um prémio Nobel em outubro de 2024.

Nobel da Química atribuído a David Baker, Demis Hassabis e John M. Jumper, que decifraram o código das estruturas das proteínas

Relevou ainda que no Grande Acelerador de Hadrões (LHC, o maior e mais potente acelerador de partículas do mundo) estão a ser usadas estratégias semelhantes para detetar “eventos incrivelmente raros” e cruciais para se entender como as partículas adquiriram massa nos primeiros instantes após o BigBang. O professor britânico de física experimental de partículas no Laboratório Cavendish da Universidade de Cambridge e membro do Emmanuel College Thomson  prevê “grandes descobertas”, talvez “após 203o”, como, por exemplo se o universo pode estar à beira de um colapso catastrófico.

“A inteligência artificial está a mudar a forma como olhamos para os dados em todas as áreas da ciência” destacou Mark Thomson, concretizando que está a permitir a recolher novos dados que contribuem para “avanços na física de partículas”.

“Essas não são apenas melhorias adicionais”, disse Thomson, enfatizando que “são melhorias muito, muito, muito grandes que as pessoas estão a fazer ao adotar técnicas realmente avançadas”.

Segundo o físico, a nova tecnologia de IA permitirá observações novas do bosão de Higgs (também chamada a ‘partícula de Deus’, que atribui massa a outras partículas). “Há uma medida específica sobre o bosão de Higgs que é fundamental para a natureza do universo”, explicou Thomson.

Mas as partículas desintegram-se tão depressa  que não se conseguem medir. Thomson acredita que com as novas tecnologias se vai conseguir “uma boa medição”. Isso permitirá aos cientistas registarem pela primeira vez, como a partícula de Higgs adquire massa. E será possível ver se o campo de Higgs regista estados de repouso e estáveis ou se uma alteração drástica pode vir a acontecer no futuro.

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Esta posição de Mark Thomson foi apresentada numa altura em que o conselho do CERN tem estado a apostar no Future Circular Collider que, com um anel de 90 quilómetros, vai multiplicar por três a potência do LHC (Large Hadron Collider), o maior e mais potente acelerador de partículas do mundo.

No entanto, alguns especialistas não se têm mostrado muito confiantes, a julgar pelos resultados pouco favoráveis do LHC, desde a descoberta histórica do bosão de Higgs no LHC, em 2012.

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os aspetos da operação do LHC, sendo uma ferramenta que permite, por exemplo, tomar decisões sobre quais dados recolher e como devem ser interpretados, explica Katharine Leney, que trabalha no projeto Atlas do LHC.

O caminho que se tem feito até agora permitiu um avanço de pelo “menos 20 anos” em matéria de recolha de dados. “Uma grande parte disso deve-se à IA”, admitiu.