Um dia depois de a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Amadora-Sintra se reunir com a responsável pela pasta da Saúde, os membros do Conselho administrativo comunicaram a Ana Paula Martins que iam renunciar às suas funções. A “decisão permitirá à tutela implementar as medidas necessárias”, não sendo a atual administração “um obstáculo”, lê-se no comunicado enviado às redações. Ministra da Saúde assegura ter dado “todas as possibilidades” à equipa para recuperar o bom funcionamento da unidade e argumenta que o “hospital se degradou”.
A administração do Amadora-Sintra reuniu-se com Ana Paula Martins após o diretor do Serviço de Urgência se ter demitido e a Ordem dos Médicos defender o encerramento das urgências por falta de pessoal. À saída, o presidente da ULS, Miguel Gouveia, garantia que a administração mantinha “a capacidade de trabalhar”, pelo que se ia manter em funções.
No entanto, 24h depois, os membros do Conselho de Administração desta ULS informaram que “apresentaram a Sua Excelência, a Ministra da Saúde e ao Diretor Executivo do Serviço Nacional de Saúde, a renúncia aos cargos”. “Esta decisão permitirá à tutela implementar as medidas e políticas que considere necessárias, não sendo este Conselho de Administração um obstáculo”, lê-se no comunicado enviado.
“O Conselho de Administração sempre seguiu o caminho da legalidade, ética e justiça, nunca considerando qualquer outro e reitera que a sua prioridade sempre foi garantir o interesse dos utentes, a confiança na instituição e a qualidade dos serviços prestados”, acrescentam.
No longo comunicado enviado, a administração do hospital afirma que, desde que assumiram funções em julho de 2023, “ULS Amadora/Sintra apostou de forma estratégica na qualificação e reforço da equipa, garantindo a continuidade dos serviços prestados“, mesmo após a saída concertada de 10 especialistas do serviço de Cirurgia Geral em virtude do regresso dos cirurgiões que denunciaram más práticas médicas em 2023.
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Neste contexto, a Ordem dos Médicos sugeriu a “retirada da idoneidade formativa do Serviço de Cirurgia Geral”, proposta que não é definitiva, relembra a administração no comunicado. “Para o efeito, o Conselho de Administração solicitou à Ordem dos Médicos o acesso a documentos administrativos essenciais à pronúncia, os quais ainda não foram disponibilizados. O Conselho de Administração considera que estão verificados os requisitos para o Serviço de Cirurgia Geral manter a idoneidade formativa”, alega a direção.
E sublinha que, relativamente à atividade desta ULS em 2024, houve “um aumento significativo” de consultas e cirurgias, o que refletiu “a eficácia das medidas e estratégias implementadas.”
Na passada quarta-feira, à margem do encontro com Ana Paula Martins, o responsável pela direção desta ULS — que classificou a reunião como “muito proveitosa” — avançou que a direção do hospital tinha falado “de um plano para o serviço de Cirurgia Geral” e acrescentou que iria “solicitar uma reunião urgente ao bastonário da Ordem dos Médicos” de forma a construirem “uma solução conjunta”. “Consideramos que temos capacidade formativa para os 10 internos atualmente em formação”, defendeu Miguel Gouveia.
Ainda assim, considerando que o Ministério da Saúde quer implementar outras medidas (que não vão ao encontro daqueles que o atual Conselho queria implementar) tomaram a decisão de renunciar aos cargos.
Questionada sobre a crise vivida no Amadora-Sintra, Ana Paula Martins afirmou em plenário que a resolução do problema na ULS “não passa exclusivamente pela mudança da administração”, a quem diz ter dado “todas as possibilidades” para tentar recuperar o bom funcionamento da unidade.
“O fator principal é reestabelecer a capacidade cirúrgica, voltar a ter uma equipa que consiga responder às necessidades”, disse a responsável pela Saúde no debate sobre a tutela no Parlamento. “Era um hospital organizado, que tinha urgências que nunca fechavam, sem listas de espera, construído para dar respostas numa zona problemática”, afirma a ministra. E procedeu a identificar os fatores que conduziram o Amadora/Sintra ao estado em que atualmente se encontra: “Temos um hospital que se degradou, urgências com macas nos corredores”, disse, frisando o desaparecimento do serviço de Cirurgia, “um dos melhores de Lisboa e Vale do Tejo”.
Atualizado às 16h20