A carência de médicos cirurgiões no Hospital Amadora/Sintra está a afetar a escala de Cirurgia no serviço de Urgência, denuncia a Ordem dos Médicos, alertando que esta situação coloca em causa a “segurança” dos próprios doentes que precisem de recorrer ao hospital. A situação é de tal forma “grave” que os médicos internos pediram esta segunda-feira a intervenção da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Em comunicado, a Ordem garante que, no fim de semana passado, o Hospital Amadora/Sintra tinha uma escala com apenas três médicos, sendo um médico especialista e dois médicos internos, o que faz com que o serviço de urgência funcione “muito abaixo dos limites de segurança clínica” e “contra todas as recomendações técnicas”.

“É inconcebível, estamos a entrar numa situação insustentável“, diz o bastonário da Ordem dos Médicos ao Observador. Segundo Carlos Cortes, num hospital de grande dimensão — como é o caso do Amadora/Sintra — deveriam estar pelo menos seis médicos em permanência no serviço de Urgência (pelo menos três especialistas e outros três internos).

“Consideramos não ser adequado para a população manter uma urgência de cirurgia geral aberta ao exterior que não cumpra o recomendado, muito longe disso”, diz Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, acusando a administração do Amadora/Sintra de “manter a urgência de Cirurgia aberta de forma irresponsável”. Segundo o bastonário, a carência de médicos agravou-se no mês de janeiro e vai continuar a persistir na maioria das escalas já elaboradas para o mês de fevereiro.

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Carlos Cortes diz que há médicos cirurgiões a “fazerem 24 horas de urgência sozinhos”, só com o apoio de médicos internos (ainda em formação), e a darem resposta a uma área onde vivem mais de 500 mil pessoas. “Chega a haver médicos com 15 turnos num mês“, denuncia o bastonário dos Médicos, defendendo que, devido à falta de condições de segurança para profissionais e utentes, a urgência deveria encerrar. “A urgência não se pode manter aberta, é um perigo para os doentes e para os profissionais trabalharem nestas condições”, diz o responsável ao Observador.

A situação levou mesmo os médicos internos do serviço de Cirurgia a escreverem, esta segunda-feira, uma carta à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, onde pedem a intervenção da tutela. A Ordem dos Médicos — que já iniciou o processo para retirar a idoneidade formativa à serviço de Cirurgia Geral do Amadora/Sintra — tem “apelado por diversas vezes à intervenção da ministra da Saúde” mas, até agora, sem sucesso. Voltou a fazê-lo esta segunda-feira, perante o alerta dado pelos próprios médicos internos do serviço.

Ana Paula Martins reuniu-se com o Conselho de Administração da ULS Amadora-Sintra em novembro para abordar os problemas no serviço de Cirurgia, numa altura em que vários médicos cirurgiões começaram a abandonar o hospital (em protesto contra o regresso de dois colegas que denunciaram alegadas situações de má prática clínica). No espaço de um mês após o regresso de dois cirurgiões, demitiram-se onze médicos.