Uma semana, em futebol, é uma autêntica eternidade. No passado fim de semana, o Benfica precisava de reagir na Reboleira depois de ter escorregado na jornada anterior contra o Casa Pia. Este fim de semana, o Benfica precisava de ganhar na Luz para encurtar a distância para a liderança do Sporting. Em dias, os encarnados foram de hipotecar a luta pelo título a relançar a luta pelo título.

Ainda assim, e de forma incontornável, nem tudo eram rosas no universo da Luz. A semana também ficou marcada pelo encerramento do mercado de transferências, onde o Benfica não resolveu a questão de Arthur Cabral, contratou mais um avançado com características semelhantes às do brasileiro, um lateral-esquerdo para competir com Álvaro Carreras e ainda Bruma, sendo que o plantel já contava com vários extremos. Para Bruno Lage, porém, não é tempo de o clube perder energia com “politiquices”.

Ficha de jogo

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Benfica-Moreirense, 3-2

21.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Bruno Costa (AF Viana do Castelo)

Benfica: Trubin, Alexander Bah (António Silva, 34′), Tomás Araújo, Otamendi, Álvaro Carreras, Fredrik Aursnes, Manu Silva (Florentino, 37′), Kökçü, Aktürkoğlu (Bruma, 69′), Pavlidis (Belotti, 69′), Schjelderup (Leandro Barreiro, 69′)

Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Amdouni, Samuel Dahl, Adrian Bajrami

Treinador: Bruno Lage

Moreirense: Kewin, Dinis Pinto, Marcelo, Maracás, Frimpong, Rúben Ismael (Sidnei Tavares, 80′), Lawrence Ofori, Jeremy Antonisse (Luís Asué, 58′), Alan (Ivo Rodrigues, 62′), Benny (Joel Jorquera, 80′), Guilherme Schettine (Cédric Teguia, 62′)

Suplentes não utilizados: Caio Secco, Michel, Leonardo Buta, Gilberto Batista

Treinador: César Peixoto

Golos: Pavlidis (gp, 7′ e 15′), Benny (19′), Otamendi (42′), Ivo Rodrigues (85′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Marcelo (45+1′)

“O apelo que faço, tal como fiz há 15 dias, é durante os 90 minutos sermos todos Benfica, no apoio à equipa. Foi assim com o Barcelona, com o Famalicão, em Turim, na Amadora. Por isso, 90 minutos de apoio total à equipa. Foi a mensagem que eu quis passar há dias sobre blindar o estádio. Que todas as diferenças, as politiquices — quer internas, quer externas — e até mesmo os ataques dos nossos adversários fiquem fora do estádio. E que os adeptos tenham essa capacidade e essa paixão de blindar o estádio. Assim como eu, na minha competência, blindar o balneário àquilo que não interessa e focarmo-nos apenas no futebol e na paixão pelo Benfica”, explicou o treinador na antevisão da receção deste sábado ao Moreirense, onde os encarnados podiam ficar a quatro pontos da liderança do Sporting depois de os leões terem empatado no Dragão com o FC Porto.

Neste contexto e sem Di María e Arthur Cabral, ambos lesionados, Bruno Lage recuperava o lugar de Tomás Araújo ao lado de Otamendi, deixando António Silva no banco, e lançava Alexander Bah na direita. Schjelderup também voltava ao onze e Manu Silva era novamente titular no meio-campo e em detrimento de Florentino. Do outro lado, num Moreirense que não vencia há dois meses e oito jogos, César Peixoto tinha Schettine como referência ofensiva, apoiado por Benny e Antonisse.

O jogo começou praticamente com um golo. Ainda dentro dos cinco minutos iniciais, Dinis Pinto intercetou um cruzamento de Álvaro Carreras com a mão no interior da área do Moreirense e Pavlidis, na conversão da grande penalidade, abriu o marcador (7′). Os encarnados aproveitaram a vantagem embrionária e, já depois de Aktürkoğlu obrigar Kewin a uma defesa atenta (14′), Pavlidis bisou na sequência de uma confusão na área após canto na direita (15′).

Antes de estarem cumpridos 20 minutos, porém, a primeira parte levou uma volta. Depois de um lance de desequilíbrio pela esquerda do ataque do Moreirense, Benny ganhou a bola na área, rematou cruzado e aproveitou um desvio em Otamendi para bater Trubin e reduzir a desvantagem (19′). O Benfica sentiu o golo sofrido e juntou os setores, com a equipa de César Peixoto a aproveitar para subir no terreno e ter posse de bola no Estádio da Luz — e até poderia ter empatado, num lance em que Dinis Pinto atirou por cima junto ao poste depois de um canto na direita (30′).

Depois, de forma quase surreal, o Benfica passou por alguns minutos de autêntico azar. Alexander Bah lesionou-se sozinho na zona do joelho e saiu de maca, sendo substituído por António Silva e com Tomás Araújo a encostar à direita, e Manu Silva repetiu o filme logo a seguir, lesionando-se também sozinho na zona do joelho e saindo também de maca, sendo substituído por Florentino. Antes do intervalo, contudo, os encarnados conseguiram voltar a aumentar a vantagem por intermédio de Otamendi, que cabeceou ao segundo poste depois de um canto na esquerda (42′).

No fim da primeira parte, depois de 45 minutos muito divididos e com dois sentidos, o Benfica estava a vencer o Moreirense essencialmente por ter sido mais eficaz e consequente. A equipa de Moreira de Cónegos estava a discutir o resultado de forma clara e até poderia ter voltado a marcar já nos descontos, por Alan, mas Trubin evitou o golo do brasileiro com duas defesas consecutivas e cruciais (45+5′).

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a segunda parte demorou a arrancar, com o jogo a ser muito discutido na zona do meio-campo e as aproximações às balizas a escassearem, sem que nenhuma das equipas tivesse um verdadeiro ascendente. Schettine atirou um pontapé enrolado para as mãos de Trubin (48′), Schjelderup desequilibrou mas não chegou a rematar (51′) e César Peixoto mexeu pela primeira vez ao trocar Antonisse por Luís Asué.

O Benfica foi a primeira equipa a ficar verdadeiramente perto do golo, com Aursnes a rematar forte e rasteiro na área para Kewin defender (60′), e o Moreirense respondeu de imediato com um cabeceamento de Schettine que passou ao lado depois de um cruzamento vindo da direita (62′). César Peixoto fez mais duas substituições à passagem da hora de jogo, lançando os reforços Ivo Rodrigues e Cédric de uma vez, e a partida mantinha-se algo indefinida apesar da vantagem dos encarnados no marcador.

Bruno Lage esgotou os momentos de alteração já dentro dos últimos 25 minutos, estreando Bruma e Belotti e lançando também Leandro Barreiro, que até poderia ter carimbado a goleada num lance em que apareceu na cara de Kewin, mas permitiu a defesa do guarda-redes (76′). A equipa de Moreira de Cónegos fez a última substituição nesta fase, lançando Sidnei Tavares e Joel Jorquera, e Ivo Rodrigues ainda reduziu a desvantagem na ponta final com um remate rasteiro e assistência de Luís Asué (85′).

Apesar dos derradeiros instantes frenéticos, com o jogo partido, já nada mudou. O Benfica sofreu, mas venceu o Moreirense na Luz e conseguiu mesmo reduzir para quatro pontos a distância para a liderança do Sporting, ficando também com mais quatro pontos do que o FC Porto. Numa jornada novamente complexa, onde voltaram a sofrer dois golos, os encarnados continuaram a beneficiar da individualidade de Pavlidis, que bisou e insiste em preferir a odisseia à tragédia grega.