A ideia de que algo estava errado surgiu logo nos primeiros dias do ano. Na antecâmara do Open da Austrália, pouco depois de ser novamente, o treinador de Elena Rybakina foi provisoriamente suspenso pela WTA por quebrar o Código de Conduta da organização. Agora, a suspensão de Stefano Vukov tornou-se definitiva e válida por 12 meses. E toda a história adquiriu novos contornos.

Mas comecemos pelo início. Stefano Vukov, croata de 37 anos que também foi tenista profissional, começou a trabalhar com Elena Rybakina em 2019 e foi o treinador que acompanhou a cazaque na conquista de Wimbledon, em 2022, e na caminhada até à final do Open da Austrália, em 2023. A tenista, atualmente com 25 anos, escalou o ranking até ao terceiro lugar e tornou-se umas das crónicas candidatas à vitória em todos os torneios em que entrava.

Em 2024, porém, tudo começou a mudar. Apesar de ter chegado às meias-finais em Wimbledon, Elena Rybakina não passou dos quartos de final em Roland Garros e da terceira ronda tanto no Open da Austrália como no US Open, falhando a participação nos Jogos Olímpicos de Paris devido a uma lesão que nunca foi explicada. Algo que se tornou recorrente, com a tenista cazaque a abdicar de vários torneios na sequência de problemas físicos não especificados.

Rybakina acabou por despedir Stefano Vukov antes do US Open do ano passado, anunciando que iria passar a trabalhar com o também croata Goran Ivanišević, mas a separação não durou muito e a tenista revelou que tinha voltado a contratar o antigo treinador na antecâmara do Open da Austrália de janeiro. O plano, porém, acabou por não se concretizar, já que a suspensão provisória aplicada pela WTA impedia Stefano Vukov de trabalhar no Grand Slam australiano.

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Foi nessa altura, em janeiro, que surgiram os primeiros rumores de que a relação entre Vukov e Rybakina não era propriamente saudável. O The Athletic avançou desde logo que a suspensão da WTA passava pela forma como o treinador tratava a tenista, num tipo de comportamento que encaixava no quadro de abuso emocional, e o croata apressou-se a rejeitar a teoria. Assim como a cazaque, aliás, que garantiu desde logo que não tinha sido responsável por qualquer queixa e que nunca tinha sido maltratada.

“Não concordo com as decisões tomadas pela WTA sobre a minha relação com o Stefano. Nunca fiz qualquer queixa. Na verdade, sempre mantive a ideia consistente de que ele nunca me maltratou. Não estou satisfeita com a situação, principalmente quando alguns treinadores continuam a fazer comentários. Quem está fora do círculo fechado do ténis vê essas declarações e amplia a situação, torna tudo num espetáculo. Não me parece justo”, disse Elena Rybakina há cerca de um mês, em Melbourne.

Foi precisamente em Melbourne, há cerca de um mês, que a ideia de que a relação entre treinador e tenista não era estritamente profissional, já que Stefano Vukov ficou alojado no quarto de hotel de Elena Rybakina durante todo o Open da Austrália e mesmo estando suspenso. Agora, com a WTA a confirmar que a suspensão do treinador é efetiva e será válida por 12 meses, o The Athletic voltou a revelar alguns pormenores sobre a investigação ao croata.

De acordo com os norte-americanos, num relatório de três páginas assinado pela diretora executiva Portia Archer, a WTA concluiu que “ficou evidente que existe uma relação tóxica”, acrescentando que Stefano Vukov fez Elena Rybakina chorar “em várias ocasiões” e submeteu-a a “abusos mentais”, para além de a obrigar a ir para além dos limites físicos, algo que originou lesões.

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Além disso, o The Athletic diz que o treinador perseguiu a tenista depois de ser despedido, em 2024, e viajou para Nova Iorque para assistir ao US Open apesar de já não trabalhar com a cazaque. Durante o Grand Slam, terá enviado inúmeras mensagens de texto a ameaçar, chantagear e insultar Rybakina, chamando-lhe “estúpida” e indicando que ainda “devia estar na Rússia a cavar batatas”.

Stefano Vukov ainda não reagiu às novas alegações ou à suspensão, sendo que pode recorrer da decisão da WTA, assim como Elena Rybakina ainda não comentou novamente o caso. Certo é que, ao contrário do que a tenista cazaque pretendia, não poderá voltar a trabalhar com o treinador croata tão cedo.