Juventus, Estrela da Amadora, Moreirense. O Benfica carimbou três vitórias consecutivas nas últimas semanas, algo que já não acontecia há algum tempo, e reencontrou uma regularidade que fugia desde o período em dezembro em que chegou a estar na liderança do Campeonato. Ainda assim, e mesmo com os tais três triunfos seguidos, pairava muita incerteza no universo encarnado.

Se é verdade que o Benfica tem estado a ganhar, também é verdade que o Benfica tem sofrido golos praticamente oferecidos, tem revelado fragilidades defensivas claras e tem dificultado os próprios jogos mesmo depois de marcar primeiro. Parece que existe uma equipa que atua na primeira parte e outra equipa diferente que entra para a segunda — mas Bruno Lage continua a defender que os níveis competitivos do grupo têm sido regulares.

Ficha de jogo

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Mónaco-Benfica, 0-1

Playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões

Stade Louis II, em Fontvieille (Mónaco)

Árbitro: Maurizio Mariani (Itália)

Mónaco: Radoslaw Majecki, Vanderson, Salisu, Thilo Kehrer, Krépin Diatta, Maghnes Akliouche (Eliesse Ben Seghir, 68′), Denis Zakaria, Al Musrati, Golovin (Minamino, 68′), Breel Embolo, Mika Biereth (Magassa, 57′)

Suplentes não utilizados: Philipp Köhn, Yann Lienard, Caio Henrique, Lamine Camara, Kassouma Ouatara, George Ilenikhena, Mamadou Coulibaly, Edan Diop, Lucas Michel

Treinador: Adi Hütter

Benfica: Trubin, Tomás Araújo (Di María, 67′, Arthur Cabral, 86′), António Silva, Otamendi, Álvaro Carreras, Florentino (Leandro Barreiro, 67′), Fredrik Aursnes, Aktürkoğlu, Kökçü, Schjelderup (Amdouni, 78′), Pavlidis (Belotti, 78′)

Suplentes não utilizados: Samuel Soares, André Gomes, Prestianni, Samuel Dahl, Nuno Félix, Leandro Santos, Adrian Bajrami

Treinador: Bruno Lage

Golos: Pavlidis (48′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Álvaro Carreras (16′), a Al Musrati (41′ e 52′), a Florentino (56′), a Vanderson (79′), a Denis Zakaria (90′); cartão vermelho por acumulação a Al Musrati (52′)

“Independentemente das palavras, o mais importante é a minha mensagem passar. Uma coisa é quando estou a falar com os jogadores, na emoção de estar a falar com eles, e o que é a linguagem de balneário. E eu sei perfeitamente o que é a linguagem de balneário, porque praticamente cresci dentro de um balneário. O meu pai foi treinador, conheço quase tudo dentro de um balneário. Temos de saber quando temos de defender, saber quando temos de atacar, criar oportunidades de golo, saber ter aquela mentalidade assassina de que, quando temos de matar o jogo, temos de marcar e fechar. É para isso que me oriento e é nesse sentido que nós vamos entrar em campo”, explicou o treinador encarnado na antevisão da visita desta quarta-feira ao Mónaco.

No Principado, onde o Benfica regressava para o playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões depois de ter derrotado o Mónaco durante a fase de liga, Bruno Lage já não contava com Alexander Bah e Manu Silva e colocava Tomás Araújo na direita da defesa e Florentino no meio-campo. Di María regressava, mas ainda a começar no banco, e Aktürkoğlu e Schjelderup mantinham a titularidade. Nos monegascos, que vinham de uma goleada sofrida com o PSG, Adi Hütter apostava em Breel Embolo e Mika Biereth e estreava Al Musrati, médio ex-Sp. Braga que foi reforço de inverno.

O Benfica entrou aparentemente melhor, com Álvaro Carreras a ter desde logo uma boa ocasião para marcar com um remate de fora de área que passou ao lado (5′), mas não foi preciso esperar muito para assistir à resposta do Mónaco. Akliouche ameaçou com um pontapé a partir da esquerda, para uma defesa atenta de Trubin (9′), e a verdade é que durante muito tempo não foi possível assistir a mais lances de perigo no Stade Louis II.

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Os monegascos assumiram algum ascendente na partida, atuando praticamente inseridos no meio-campo contrário e permitindo muito pouco ao Benfica, que errava muitos passes e não tinha qualquer controlo da zona intermédia do relvado. A equipa de Adi Hütter era algo inconsequente, sem capacidade para transformar a posse de bola em verdadeiras oportunidades ou situações de finalização, e os encarnados sofriam principalmente na direita da defesa, onde Aktürkoğlu não baixava para apoiar Tomás Araújo.

No meio-campo, onde Florentino ia sendo o elemento mais importante da equipa com várias recuperações de bola à frente da defesa, Kökçü parecia algo perdido e ia passando ao lado do jogo. Mais à frente, Aktürkoğlu e Schjelderup realizavam jogos vazios, sem bola e sem capacidade para desequilibrar, e o Mónaco parecia não abdicar da pressão alta e eficaz. Foi preciso esperar até aos últimos minutos da primeira parte para voltar a ver um remate, com Golovin a atirar forte para Trubin encaixar (42′), mas a verdade é que o Benfica até poderia ter marcado antes do intervalo.

Mesmo nos derradeiros instantes do primeiro tempo, Álvaro Carreras recebeu de Pavlidis na área e atirou rasteiro para Radoslaw Majeck ssegurar (44′). Logo depois, na sequência de um canto na esquerda e um primeiro remate de Aktürkoğlu, António Silva desviou de calcanhar e a bola passou ao lado da baliza (45+1′). Ao intervalo, no Principado e depois de 45 minutos demasiado mornos, Mónaco e Benfica estavam ainda empatados sem golos.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o Benfica demorou poucos instantes a abrir o marcador: Tomás Araújo tirou um passe longo perfeito à procura das costas da defesa, Pavlidis fugiu à marcação e, já na cara do guarda-redes, picou a bola para dar vantagem aos encarnados (48′). Logo depois, Al Musrati viu o segundo cartão amarelo, por protestos, e foi expulso, deixando o Mónaco em inferioridade numérica com praticamente toda a segunda parte por disputar — tal como tinha acontecido no jogo da fase de liga.

Adi Hütter foi o primeiro a mexer, trocando Mika Biereth por Magassa no ataque, e o Benfica foi tentando assumir o controlo do jogo com bola. Pavlidis ficou muito perto de bisar num lance em que atirou à figura de Majecki (62′) e o Mónaco não sabia disfarçar o facto de ter sentido — animicamente e em termos de competitividade — tanto o golo sofrido com a expulsão de Al Musrati.

Bruno Lage fez as primeiras substituições já dentro dos últimos 25 minutos, trocando Florentino e um lesionado Tomás Araújo por Leandro Barreiro e Di María, recuando Fredrik Aursnes para a direita da defesa. Adi Hütter lançou Eliesse Ben Seghir e Minamino, mas o Benfica ia controlando com tranquilidade e os monegascos não tinham energia nem discernimento para discutir o resultado.

Os encarnados tiveram várias situações para aumentar a vantagem na ponta final do jogo, desperdiçando diversas oportunidades, e Di María ressentiu-se da lesão muscular e teve mesmo de sair cerca de 20 minutos depois de entrar. O Benfica venceu o Mónaco no Principado e colocou-se em vantagem no playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, levando a decisão da eliminatória para a segunda mão na Luz. E Pavlidis, mais uma vez, voltou a ser o único a responder aos pedidos de “mentalidade assassina” de Bruno Lage.