A terminar a primeira semana de fevereiro, o quarto Clássico da temporada. Depois de o FC Porto vencer o Sporting na Supertaça e de o Sporting vencer o FC Porto no Campeonato e na Taça da Liga, dragões e leões voltavam a cruzar-se num jogo de importância crucial para as contas do título. Mas onde o conforto de uns, naturalmente, era o desconforto de outros. 

Do lado do FC Porto, de forma incontornável, existia a ideia de que uma derrota no Dragão significava a definitiva despedida da corrida atrás do primeiro lugar. Vinda de quatro jornadas consecutivas sem ganhar, a equipa de Martín Anselmi tinha a noção de que os teóricos 11 pontos de vantagem que o Sporting poderia alcançar em caso de vitória eram uma montanha demasiado colossal para escalar até ao fim da temporada.

Ficha de jogo

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FC Porto-Sporting, 1-1

21.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

FC Porto: Diogo Costa, Zé Pedro, Nehuén Pérez (Fábio Vieira, 62′), Tiago Djaló, João Mário (William Gomes, 78′), Alan Varela (Danny Namaso, 78′), Stephen Eustáquio, Francisco Moura (Gonçalo Borges, 69′), Pepê, Samu, Rodrigo Mora

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Zaidu, Vasco Sousa, Tomás Pérez, Deniz Gül

Treinador: Martín Anselmi

Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda, Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (Matheus Reis, 86′), João Simões (Debast, 23′), Hjulmand, Geovany Quenda, Daniel Bragança (Morita, 69′), Trincão, Conrad Harder (Gyökeres, 69′)

Suplentes não utilizados: Franco Israel, Jeremiah St. Juste, Gabriel Aragão, Ricardo Esgaio, Eduardo Quaresma

Treinador: Rui Borges

Golos: Iván Fresneda (42′), Danny Namaso (90+4′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rodrigo Mora (19′), a Maxi Araújo (71′), a Rui Silva (72′), a Hjulmand (90+7′), a Matheus Reis (90+7′ e 90+8′), a Fábio Vieira (90+10′), a Samu; cartão vermelho por acumulação a Matheus Reis (90+8′); cartão vermelho direto a Diomande (90+8′)

Do lado do Sporting, de forma incontornável, existia a ideia de que uma vitória no Dragão significava o definitivo afastamento de um dos principais rivais da corrida atrás do primeiro lugar. Ainda assim, com seis pontos de vantagem em relação ao Benfica, a equipa de Rui Borges também tinha a noção de que uma derrota contra o FC Porto era deixar os encarnados a dependerem apenas de si próprios para serem campeões nacionais.

Neste contexto, esta sexta-feira e sem Otávio, que viu o quinto cartão amarelo em Vila do Conde e estava castigado, Martín Anselmi apostava em Zé Pedro em conjunto com Nehuén Pérez e Tiago Djaló no trio de centrais, sendo que Pepê surgia no apoio a Samu e em detrimento de Gonçalo Borges. Já Rui Borges tinha Gyökeres e Morita no banco, mantendo Conrad Harder no ataque e lançando João Simões no meio-campo, com Daniel Bragança numa posição mais próxima do avançado dinamarquês.

Numa primeira parte onde não existiu propriamente uma clara superioridade de nenhuma das equipas, o FC Porto começou por ter mais bola mas o Sporting acabou por assumir algum ascendente ainda nos minutos iniciais. Os leões criaram a primeira situação de perigo, com um cabeceamento de Hjulmand que Diogo Costa encaixou (4′), e era notória a dificuldade dos dragões na hora de sair a jogar. A equipa de Martín Anselmi tinha as linhas mais recuadas, perdia muitas vezes a posse ainda no próprio meio-campo e sofria sempre que as dinâmicas aceleravam.

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Rui Borges foi forçado a realizar a primeira substituição ainda dentro dos primeiros 25 minutos, devido a uma lesão de João Simões, e colocou Debast. A estratégia do Sporting não se alterou e os leões continuaram a atuar basicamente inseridos no meio-campo contrário, com o FC Porto a não conseguir ligar setores e a demonstrar uma reação à perda da bola bastante abaixo do esperado. Ainda assim, já perto da meia-hora, tudo isto poderia ter-se tornado irrelevante.

Gonçalo Inácio cometeu um erro gritante em zona proibida e Eustáquio, com um pontapé de fora de área, acertou em cheio na trave da baliza de Rui Silva (27′), sendo que Samu ficou perto de abrir o marcador logo a seguir ao procurar aproveitar um adiantamento do guarda-redes leonino (28′). O FC Porto conquistou algum ascendente nesta fase, com o Sporting a ser obrigado a juntar linhas e descer no terreno, mas a qualidade individual acabou por empurrar os leões.

Já perto do intervalo, Quenda deixou João Mário e Zé Pedro para trás com dois pormenores deliciosos e cruzou atrasado a partir da esquerda, com a bola a passar por quase toda a área antes de sobrar para Fresneda, que atirou de primeira e beneficiou de um desvio de Francisco Moura para bater Diogo Costa (42′). No fim da primeira parte, o Sporting estava a vencer o FC Porto pela margem mínima — mas era clara a ideia de que nenhuma das equipas tinha sido brutalmente superior ao adversário, ainda que os leões parecessem constantemente mais confortáveis em campo.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o FC Porto procurou assumir o controlo das ocorrências, com o Sporting a apresentar-se mais recuado e a conceder essa posse de bola, claramente em busca da profundidade e da transição rápida em situações ofensivas. Os dragões atuavam totalmente inseridos no meio-campo contrário, ainda que pouco consequentes, e os leões não tinham grandes pruridos na hora de esperar pela ocasião certa para acelerar.

Tiago Djaló colocou a bola no fundo da baliza na sequência de um canto, com o golo a ser prontamente anulado por fora de jogo do central (58′), mas a melhor oportunidade da segunda parte até então até foi um remate acrobático de Conrad Harder que passou ao lado (57′). Martín Anselmi mexeu nesta fase, trocando Nehuén Pérez para Fábio Vieira para desmontar a linha de três centrais e passar a jogar com quatro elementos na defesa, ainda que Eustáquio recuasse muitas vezes para a zona entre Zé Pedro e Djaló.

Rui Borges respondeu já depois da hora de jogo, lançando Gyökeres e Morita em simultâneo, e Martín Anselmi também colocou Gonçalo Borges já após Rui Silva realizar uma enorme defesa a um cabeceamento de Pepê (68′). O avançado sueco criou perigo praticamente na primeira vez em que tocou na bola, descobrindo Quenda para o jovem ala atirar por cima na cara de Diogo Costa (71′), e o treinador do FC Porto esgotou os momentos de substituições ao colocar o reforço William Gomes e também Danny Namaso.

Os dragões asfixiaram os leões praticamente até ao fim e o Clássico acabou por ser lançado para o caos já no período de descontos: Danny Namaso empatou depois de uma assistência de Samu (90+4′), Matheus Reis foi expulso por acumulação de cartões amarelos por protestos e Diomande também foi expulso com cartão vermelho direto depois de um confronto com Fábio Vieira. No fim, FC Porto e Sporting empataram e mantêm os oito pontos de vantagem, sendo que o Benfica pode encurtar para quatro pontos a distância para a liderança leonina se derrotar o Moreirense este sábado.