A Navigator registou, no ano passado, lucros de 287 milhões de euros, um aumento de 4% em relação a 2023, atingindo um volume de negócios de 2.088 milhões de euros, mais 7%, em termos homólogos, anunciou, em comunicado.
Os resultados líquidos de 287 milhões de euros (+4%) foram, assim, segundo conta, “o segundo maior resultado da empresa”.
Face a estes resultados, a Navigator propõe a distribuição de dividendos de 175 milhões de euros correspondente 0,24606 euros por ação e a entrega aos trabalhadores de 19 milhões. Neste âmbito em janeiro já foram pagos 75 milhões de dividendos, ou seja, 0,10545 euros por ação. Quanto aos trabalhadores já receberam 3 milhões no final do ano passado.
O volume de negócios, que superou os dois mil milhões de euros, foi também o segundo maior, bem como o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações), que atingiu 547 milhões de euros, um aumento homólogo de 9%.
A Navigator deu conta de um “aumento de volume de vendas papel de impressão e embalagem (+8%), fruto da aceleração de entrada de encomendas até maio e novamente no final do ano” e de uma “quebra do volume de vendas de pasta (-16%), por maior integração em produtos papeleiros, compensado, em parte, por preços acima de homólogo (+13%)”.
Houve ainda um “aumento do volume de vendas de ’tissue’ face a 2023 (+55%) impulsionado pelo crescimento das vendas de produto acabado e pela adição da capacidade, durante o segundo trimestre, da Navigator Tissue UK”.
Ao nível dos custos, a empresa indica que ao longo do ano houve “uma redução significativa dos custos variáveis o que, em conjunto com a gestão dos preços de papel, nomeadamente nos segmentos de maior valor acrescentado, ofereceu uma proteção adicional aos resultados”. O que levou ao EBITDA de 547 milhões de euros. Isto apesar de em 2024 ter havido a crise do Mar Vermelho, que “originou alterações nas rotas de transporte marítimo e gerou uma tendência global de subida dos fretes. Apesar deste contexto, a Navigator manteve a trajetória de redução de custos logísticos, reduzindo-os em 6% face a 2023”.
▲ A Navigator assume que a crise do Mar Vermelho provocou subida dos custos dos fretes
ABIR SULTAN/EPA
Os custos fixos totais acabaram por ser superiores ao ano anterior nomeadamente pela integração da unidade de Ejea (no segundo trimestre de 2023) e do Reino Unido em maio de 2024, “pelo aumento do valor de prémio atribuído a colaboradores como participação nos resultados, por maior custo com indemnizações por rejuvenescimento da equipa e por custos não recorrentes relacionados com a operação de aquisição da Accrol.”
Segundo a empresa, o investimento, em 2024, totalizou 241 milhões de euros, face a 187 milhões em 2023, sendo que este valor “inclui perto de 120 milhões de euros referentes a investimentos classificados como ESG [práticas ambientais, sociais e de boa governança], 50% do capex [gastos de capital] total”.
Entre os investimentos, a Navigator destacou os projetos da “nova caldeira de recuperação de elevada eficiência, em Setúbal, de recolha e incineração de gases odorosos (NCGs)” de celulose moldada em Aveiro, “do novo forno de cal a biomassa na Figueira da Foz”, da “conversão dos fornos de cal em Setúbal e Aveiro para a queima de biomassa”, das “novas centrais fotovoltaicas na Figueira da Foz e em Vila Velha de Ródão, da “nova torre e prensas de lavagem em Aveiro” e “da caldeira de biomassa de Vila Velha de Ródão”.
O total de projetos ascende a 1.358, dos quais 31 “com custo individual superior a um milhão de euros”.
No ano passado, o endividamento líquido da Navigator foi de 617 milhões de euros, aumentando 128 milhões de euros face a 2023, “apesar do esforço de tesouraria necessário pela aquisição da Navigator Tissue UK (que exigiu 153 milhões de euros relativos ao pagamento das ações e ainda à consolidação de dívida adicional), pelo nível de capex de 241 milhões de euros e pela distribuição de 150 milhões de euros de dividendos”, referiu.