Cinco vitórias consecutivas no Algarve, dez triunfos seguidos contra o Farense, 22 sucessos nos últimos 23 encontros realizados contra os algarvios. Numa altura em que por todos os motivos o FC Porto teria de voltar às vitórias no Campeonato, a formação de Faro surgia como um adversário apetecível perante o histórico recente de duelos. Confirmou-se. Nem tudo foi perfeito, longe disso, mas os dragões conseguiram regressar aos triunfos na principal prova nacional num jogo marcado sobretudo pela evocação de Pinto da Costa.

Diogo e a defesa impossível na homenagem possível (a crónica do Farense-FC Porto)

Depois da goleada ao Boavista no Dragão, curiosamente no dia do 87.º aniversário do antigo presidente do clube, o FC Porto fez uma série de cinco jornadas consecutivas sem ganhar com três empates e duas derrotas como não acontecia no Campeonato desde os tempos de… Américo de Sá. Agora, com um único golo de Francisco Moura (que já tinha marcado à Roma), somou o primeiro sucesso na prova no ano de 2025, reduzindo a desvantagem para o primeiro lugar para seis pontos depois do deslize do Sporting com o Arouca. Em paralelo, os leões conseguiram terminar sem sofrer golos também pela primeira vez este ano.

No entanto, e dentro da importância dessa vitória forasteira como já não acontecia desde 21 de dezembro (Moreirense, 3-0), houve dois registos negativos que se mantiveram. Por um lado, o FC Porto somou o décimo encontro sem conseguir marcar golos na primeira parte. Por outro, voltou a terminar a partida só com dois remates enquadrados, um registo mínimo na Liga que já tinha acontecido no clássico frente ao Sporting da última jornada. Ainda assim, no final, ficaram sobretudo palavras para o regresso aos triunfos num dia dedicado a 100% a Pinto da Costa e ao legado que deixou ao longo de quatro décadas no clube.

“Acima de tudo, queríamos fazer uma homenagem ao presidente. Foram anos de muita glória, por tudo aquilo que fez pelo clube. A equipa deu uma resposta muito grande, queríamos muito ganhar. Estamos felizes e vamos para o próximo. Novo jogo a marcar? Feliz essencialmente pelos três pontos. A equipa precisava muito deste resultado, estamos muito felizes e vamos para o próximo jogo passar a eliminatória”, destacou Francisco Moura, lateral/ala esquerdo do FC Porto que marcou o golo decisivo da partida.

“É uma perda irreparável. Desde que me lembro de ser adepto do FC Porto, começar a jogar nesta casa, desde muito novo, sempre ouvi falar do nosso presidente. É o mais titulado da história, tudo o que fez e conquistou por este clube, cidade e pelo mundo fora, obviamente deixa marca e hoje é um dia muito triste para nós. Sabíamos que a única coisa que podíamos fazer em memória do presidente eram os três pontos. Esta vitória vai para ele e para a família, que está a passar um momento difícil. Estávamos à procura desta vitória. Houve muitas mudanças no nosso clube, chegou um novo treinador, estamos a adaptar-nos cada vez mais às ideias dele. Conseguimos chegar a esta vitória. Que continuemos assim. A fluir o nosso jogo, a somar vitórias”, destacou Fábio Vieira, médio ofensivo que fez a assistência para o golo de Francisco Moura.

“Foi uma vitória especial para nós. Eu não tive a sorte de trabalhar com o ex-presidente, mas conheci o seu legado. O lema deste clube é vencer desde 1893, mas desde 1982 há um vencer que nos exige mais. Foram 42 anos super bem sucedidos para o clube e dedicamos esta vitória a ele a toda a sua família. Também precisávamos de ganhar e não sei se este foi o nosso melhor jogo ou se foi o FC Porto que queremos ver, mas foi o FC Porto que tinha de ganhar e a partir de amanhã é começar a trabalhar na Roma e pensar no que aí vem”, comentou Martín Anselmi, que recordou por exemplo a conquista da Champions de 2004.