A parceria foi um dos destaques do Open da Austrália. Depois de surpreenderem ao anunciar que iriam trabalhar juntos, o treinador Andy Murray e o tenista Novak Djokovic chegaram às meias-finais do Grand Slam, com o sérvio a desistir devido a problemas físicos depois de já ter deixado Carlos Alcaraz para trás. No fim, surgiu a pergunta óbvia: a dupla tinha sido criada apenas para Melbourne ou iria prolongar-se?

E Novak Djokovic respondeu esta terça-feira. Numa entrevista aos órgãos oficiais do ATP, o tenista sérvio revelou que vai continuar a contar com Andy Murray como treinador. “Expressei o meu desejo de continuar a colaboração com ele e fiquei muito contente por ter aceitado. É algo indefinido no que diz respeito à duração da parceria, mas concordámos que iremos trabalhar essencialmente nos Estados Unidos e em alguns torneios de terra batida e depois vemos como o que acontece a partir daí”, explicou Djokovic, dando a entender que a dupla deverá manter-se, pelo menos, até Roland Garros.

Na mesma conversa, o tenista de 37 anos reconheceu que gostou da forma como as pessoas olharam para a parceria entre os dois. “Foi muito entusiasmante para todo o universo do ténis e também para nós, estar em papéis diferentes, mas em conjunto, do mesmo lado da rede. Ele tem uma perspetiva única do meu jogo. Jogou contra mim e jogou contra todos os meus atuais adversários”, acrescentou.

De recordar que, logo depois do Open da Austrália, Novak Djokovic chegou a dizer que ambos teriam de “respirar fundo” antes de tomar decisões sobre o prolongamento da dupla. A notícia de que Andy Murray iria ser treinador do sérvio foi confirmada em novembro, meses depois de o britânico terminar a carreira nos Jogos Olímpicos de Paris, através das redes sociais.

“Estava no 17.º buraco de um campo de golfe e o tipo com quem estava a jogar perguntou-me o que ia fazer e respondi-lhe que ainda não sabia. Perguntou-me se tinha algum plano para começar a treinar e disse-lhe que não imaginava nada pior para fazer naquele momento. 30 minutos depois estava no carro a falar ao telemóvel com o Novak e ele a perguntar-me se estava interessado em ajudar. Claro que não estava à espera”, contou Andy Murray à Eurosport na altura.

“Ir buscar o Murray foi muito sábio por parte do Djokovic”. Open da Austrália vai começar e gira à volta de uma parceria improvável

Murray pediu uns dias para falar com a família, recebeu feedback positivo e decidiu aceitar a “experiência e oportunidade única”. Só teve uma exigência: que tivesse tempo para cumprir a viagem à neve que já tinha planeado em família. “Eu implorei que ele aceitasse, basicamente. E depois diz-me que vai fazer esqui! Claro que fiquei preocupado, só lhe pedi para aparecer na Austrália sem pernas partidas”, detalhou, entretanto, Djokovic.

“Acho que sou uma das pessoas que melhor compreende esse lado das coisas. Sei que não é fácil ali dentro, que é stressante, e que por vezes ele vai querer desabafar em direção à equipa e à ‘box’. Desde que dê o melhor e se esforce ao máximo, estou perfeitamente bem com o facto de se expressar da maneira que quiser”, disse o britânico ainda em Melbourne, durante o Open da Austrália.