Foram precisas mais de duas horas para se conhecer uma das 16 apuradas para os oitavos de final do WTA 1.000 do Dubai. Karolina Muchova, 14.ª cabeça de série, acabou por levar a melhor ante Emma Raducanu, que recebeu um wild card para o torneio no Médio Oriente, vencendo pelos parciais de 7-6 (6) e 6-4. Contudo, o principal destaque desta partida acabou por não ser o espectáculo proporcionado pela checa e pela britânica e acabou por “saltar” das bancadas para dentro do court.

No primeiro set, Muchova acabou por ter uma entrada afirmativa e, depois de vencido o seu jogo de serviço, consumou o break logo de seguida. Com o marcador a registar um 2-0 favorável à checa, Raducanu pediu para a partida ser interrompida, num momento que provocou alguma perplexidade a quem assistia in loco e através da transmissão televisiva. Depois de perder o jogo de serviço, a britânica dirigiu-se à juíza de cadeira, pronunciou-lhe algumas palavras que, inicialmente, não foram percetíveis e escondeu-se atrás da cadeira, sem que ninguém percebesse o que estava a acontecer.

Muchova também se aproximou da adversária e, depois de falar com a juíza de cadeira sobre o que estava a acontecer, confortou a britânica, que manteve-se atrás da cadeira durante alguns minutos. A dada altura, percebeu-se que um espectador estava a ser retirado da bancada pelos seguranças. Depois de também ser incentivada pela árbitra, Raducanu regressou ao banco em lágrimas, enquanto limpava a cara com a sua toalha. A partida acabou por prosseguir durante 2h08 e ditou a eliminação da campeã do US Open de 2021 e antigo top 10 do ranking WTA.

Já esta quarta-feira, a WTA, entidade que tutela o circuito feminino mundial de ténis, pronunciou-se sobre o caso e referiu que Raducanu foi vítima de assédio por parte de um espectador na segunda-feira, durante a partida contra Maria Sakkari (vitória por 2-0), e na fase inicial do encontro desta terça-feira. “Na segunda-feira, 17 de fevereiro, Emma Raducanu foi abordada numa área pública por um homem que demonstrou uma atitude de assédio. O mesmo indivíduo foi identificado nas primeiras filas durante a partida de Emma, na terça-feira, e foi rapidamente removido do local. Foi banido de todos os torneios do WTA Tour enquanto aguarda uma avaliação de ameaça”, indica o comunicado.

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“A segurança das jogadoras é a nossa maior prioridade e os torneios seguem as melhores práticas de segurança, praticadas em torneios desportivos internacionais. A WTA está a trabalhar com a Emma e a sua equipa para garantir o seu bem-estar e fornecer o apoio de que ela precisa. Continuamos a colaborar com os torneios e a sua segurança e a das suas equipas para manter um ambiente seguro para as jogadoras de ténis em todo o mundo”, conclui a nota.

Em 2022, Emma Raducanu teve um episódio negativo semelhante, quando Amrit Magar, então com 35 anos, foi considerado culpado pela justiça inglesa por perseguir a tenista. Magar foi filmado diversas vezes junto à casa onde Raducanu vive com os pais e terá chegado a roubar um sapato ao pai da atleta e a deixar bilhetes e objetos à sua porta. A tenista pediu uma providência cautelar de cinco anos contra Magar. Até ao momento não se sabe se o homem envolvido no episódio do Dubai é Magar, embora o The Telegraph garanta que não possui nacionalidade britânica.