Foi uma notícia inesperada para todos aqueles que acompanham o fenómeno do ténis. Esta segunda-feira, sem que nada o fizesse prever ou antecipar, Elina Svitolina anunciou que está a divorciar-se de Gaël Monfils — ou seja, que um dos casamentos mais mediáticos e aparentemente sólidos dentro da modalidade tinha acabado de terminar.

O anúncio foi feito através do Instagram, com a tenista a publicar um comunicado longo e até detalhado onde parecia atribuir à guerra na Ucrânia e ao impacto da invasão da Rússia ao próprio país grande parte da responsabilidade pelo cansaço anímico que precipitou o fim do casamento. “Isto é a coisa mais difícil que alguma vez tive de partilhar”, começou por referir a ucraniana, que era casada com o francês desde 2021. Ambos eram presença habitual na box um do outro durante partidas, sendo que chegaram mesmo a formar dupla no torneio de pares mistos da última edição do US Open, em setembro.

“Toda a gente sabe o quanto a Ucrânia significa para mim. Aquilo de que raramente falei é tudo o que a guerra me fez internamente. No ano passado, contei-vos que precisava de me afastar do ‘court’ porque não estava no espaço emocional correto. Hoje, quero abrir-me um pouco mais. Aquilo que vocês não viram foram as noites sem dormir, as dúvidas, a sensação de estar a perder-me lentamente”, acrescentou.

Mais à frente, a tenista explicou então que tinha decidido divorciar-se. “O Gaël viu tudo isto. Nunca me largou a mão. Lutámos através disto juntos e durante muito tempo, com tudo o que tínhamos. Mas algumas batalhas acontecem nas nossas profundezas e não há nenhuma quantidade de amor de outra pessoa que possa ganhá-las por nós. Com o tempo, percebi que preciso de me reencontrar e que não consigo fazê-lo dentro do nosso casamento. É a verdade mais dura que já tive de enfrentar e a coisa mais difícil que alguma vez tive de dizer à pessoa que amo. O Gaël ouviu. Respeitou aquilo de que eu preciso com uma força e uma graça que nunca esquecerei”, explicou.

“Saibam, por favor, que não há ninguém para culpar. Só existem duas pessoas que se amaram profundamente e uma história que está a mudar de forma. Pedimos a vossa gentileza e o espaço de que precisamos para recuperar”, terminou, lembrando ainda que ambos continuam a ter uma família, já que partilham a filha Skai, de quatro anos.

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Ora, de forma quase automática, o divórcio de Elina Svitolina e Gaël Monfils teve consequências desportivas. Se a ucraniana está a atravessar uma das melhores temporadas da carreira, tendo chegado às meias-finais do Open da Austrália e regressado ao top 10 do ranking WTA depois da tal paragem por burnout no ano passado, o francês já tinha anunciado que 2026 seria a última época do longo percurso de mais de duas décadas. Aos 40 anos, Monfils jogou pela última vez no US Open, no início de setembro e caindo na segunda ronda com Learner Tien, e a verdade é que o mais provável é que já não regresse aos courts.

De acordo com o jornal L’Équipe, o tenista está atualmente no Dubai com a filha e a recuperar do abrupto pedido de divórcio que “caiu como uma tonelada de tijolos”. Monfils tinha planeado disputar o Open de Lyon e o Masters de Paris, que decorrem entre esta semana e a primeira de novembro, terminando oficialmente a carreira com dois torneios em França e perante os próprios adeptos. Contudo, já a 5 de outubro e também segundo o L’Équipe, a retirada ficou formalizada quando o seu nome foi retirado da lista de testagem da International Tennis Integrity Agency, procedimento associado ao abandono da alta competição.

Gaël Monfils, antigo top 10 mundial que conquistou 13 títulos do circuito ATP, terá dito aos mais próximos que “o ténis perdeu subitamente todo o sentido”. Já esta terça-feira, depois das notícias que deram conta do fim antecipado da carreira do francês e de muitas críticas nas redes sociais pelos motivos apresentados para o divórcio, Elina Svitolina recorreu novamente às redes sociais para dar mais explicações.

“Quero clarificar um pouco a minha publicação anterior, porque percebi que nem toda a gente, especialmente a minha audiência internacional, entendeu por inteiro aquilo que tentei dizer”, começou por escrever. “Naquela publicação, partilhei apenas uma das razões que influenciaram a minha decisão e que me fizeram refletir na minha vida e no meu futuro. Mas a verdade é que há muito mais e nunca foi apenas sobre uma única coisa”, acrescentou.

“Quando vivemos a realidade da guerra durante mais de quatro anos e meio, a experienciar tantas situações diferentes, emoções e momentos difíceis, começamos naturalmente a ver a vida de outra maneira. A nossa perspetiva muda, os nossos valores e as nossas prioridades alteram-se, e começamos a compreender o que verdadeiramente queremos da vida. A dada altura, percebi simplesmente que não queria continuar a viver uma vida em que não era verdadeiramente feliz. E acreditem, chegar a esta decisão foi tudo menos fácil”, continuou.

Mais à frente, Elina Svitolina referiu-se diretamente a Gaël Monfils e comentou o fim da carreira do francês. “Amo e respeito muito o meu marido. E vou sempre amá-lo e apreciá-lo pela pessoa que é. É exatamente por isso que foi tão importante para mim ser honesta, tanto comigo como com ele. Nem sempre é possível explicar tudo o que leva a decisões tão pessoais e tão difíceis num único ‘post’. E, honestamente, algumas coisas são simplesmente demasiado pessoais para partilhar publicamente. Essa era e é a minha ideia ao anunciar o fim do nosso casamento, mas, como alguns de vocês viram, a carreira do Gaël terminou abruptamente depois de ele ter decidido parar tendo em conta a nossa situação. Infelizmente, ele foi acusado de muita coisa e não o merecia”, terminou a ucraniana de 32 anos.