Era uma cartada crucial para a continuação da perseguição do sonho. O Fenerbahçe de José Mourinho visitava o Galatasaray e sabia que só a vitória poderia manter vivo o objetivo de ainda conquistar o Campeonato da Turquia, já que derrotar o rival de Istambul significava ficar a três pontos da liderança a meio da temporada. 

O treinador português disputava o segundo dérbi continental, depois de ter perdido em casa em setembro, e aproveitou uma entrevista ao antigo jogador John Obi Mikel para deixar uma crítica ao Galatasaray. Quando questionado sobre se preferiu conquistar os Campeonatos que conquistou ou a Liga dos Campeões, José Mourinho não teve grandes dúvidas na resposta — mas respondeu à José Mourinho.

Mourinho sorriu numa noite cinzenta: Fenerbahçe carimbou apuramento para os oitavos em jogo que esteve interrompido por desacatos

“Prefiro os títulos nacionais, porque não dependem de um momento ou de um detalhe. Normalmente, a melhor equipa vence o título. Talvez na Turquia isso não vá acontecer. Mas, normalmente, é a melhor a vencer”, disse o treinador no podcast “The Obi One Podcast”. Na mesma conversa, onde respondeu a perguntas feitas pelo nigeriano que orientou no Chelsea, o português garantiu ainda que é “impossível comparar” Alex Ferguson e Pep Guardiola e lembrou que, na verdade, “o título mais fantástico” que viu foi a Premier League conquistada pelo Leicester de Claudio Ranieri em 2016.

Ora, era neste contexto que Galatasaray e Fenerbahçe se encontravam esta segunda-feira no dérbi intercontinental mais valioso de sempre: em conjunto, o valor das duas equipas já ultrapassa os 500 milhões de euros, algo que nunca tinha acontecido. No Rams Park, José Mourinho lançava Dzeko e En-Nesyri no ataque, apoiados por Tadic e com Talisca a começar no banco, e Okan Buruk tinha naturalmente Osimhen como referência ofensiva, sendo que Mertens era suplente e Gabriel Sara surgia nas costas do avançado nigeriano.

Dias depois de carimbar o apuramento para os oitavos de final da Liga Europa, ao eliminar o Anderlecht, o Fenerbahçe visitava um Galatasaray que teve um destino diferente, caindo no playoff com o AZ Alkmaar. Esta segunda-feira, não foi preciso esperar muito para perceber que a equipa de José Mourinho queria mais a vitória do que o empate, enquanto que o adversário oferecia a iniciativa e parecia algo conformado com a ideia de dividir os pontos e continuar a ter seis de margem de manobra na liderança.

Numa primeira parte que acabou sem golos, o Fenerbahçe até acertou na baliza, por intermédio de Oğuz Aydın, mas o lance foi anulado por falta sobre o guarda-redes Muslera num ponto anterior da jogada (14′). Dzeko também teve uma boa ocasião para marcar, ao receber um passe em profundidade que não conseguiu finalizar (23′), e o ponto mais agitado do primeiro tempo foi mesmo o momento em que Osimhen ficou a pedir grande penalidade de Skriniar e teve de ser acalmado pela equipa de arbitragem depois de confrontar os elementos do banco do Fenerbahçe.

Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo e os primeiros instantes da segunda parte tiveram desde logo a melhor oportunidade do jogo até então, com Baris Yilmaz a cruzar uma bola que não foi desviada por ninguém e só terminou com uma defesa apertada de Irfan Eğribayat (49′). José Mourinho foi o primeiro a fazer substituições, trocando Söyüncü e Szymanski por Alexander Djiku e Amrabat, e o Fenerbahçe ficou muito perto de abrir o marcador com um cruzamento de Kostic que quase surpreendeu Muslera (64′). 

O guarda-redes do Galatasaray voltou a ser crucial pouco depois, ao defender um cabeceamento de Djiku na sequência de um canto na esquerda (68′), e Okan Buruk respondeu ao bom momento do adversário com a entrada de Yunus Akgun, numa primeira fase, e depois de Mertens. José Mourinho ainda lançou Talisca e Mert Müldür nos últimos minutos, mas já nada mudou.

Galatasaray e Fenerbahçe não foram além de um empate a zeros no dérbi intercontinental e o treinador português continua sem vencer o principal rival, mantendo-se a seis pontos da liderança do Campeonato a meio da temporada e já sem confronto direto para poder aproveitar.