A economia portuguesa cresceu 1,9% em 2024, confirmou o Instituto Nacional de Estatística na leitura divulgada esta sexta-feira, 28 de fevereiro em linha com a estimativa rápida anteriormente anunciada.

No quarto trimestre do ano passado, o PIB cresceu, afinal, 2,8% em termos homólogos (a estimativa anterior apontava para 2,7%), com uma subida em cadeia de 1,5% (mantendo-se a estimativa rápida).

O INE reviu em alta os valores referentes a 2023 que fica assim com uma subida de 2,6%. “No ano 2024, a nova informação não determinou alteração da variação anual em volume do PIB (1,9%), divulgada na Estimativa Rápida para o quarto trimestre publicada pelo INE a 30 de janeiro, mas em termos trimestrais ocorreram alterações nas taxas de variação em volume nos últimos dois anos”.

Economia portuguesa cresceu 1,9% em 2024, acima da previsão do Governo, e arrasta crescimento para 2025

Assim, em termos nominais, o PIB aumentou 6,3% em 2024 (9,8% em 2023), atingindo cerca de 285 mil milhões de euros. Anteriormente, o INE calculou em 2,5% a subida do PIB em 2023, revista agora para 2,6%.

A economia portuguesa, em 2024, teve um impulso da procura interna que deu um contributo de 2,5 pontos percentuais, compensando o contributo negativo em 2024 da procura externa (-0,6 pp).

O consumo privado, as despesas das famílias, aumentou 3,2% em 2024, em termos reais, mais 1,3 pontos que no ano anterior. Os gastos com bens não duradouros e serviços subiram 3,4%, enquanto nos bens duradouros cresceu “apenas” 1,6% em 2024 (tendo em conta que em 2023 tinha aumentado 7,6%).

O consumo público também acelerou, mas bem abaixo do consumo privado. O consumo público subiu 1,1%, quando em 2023 tinha aumentado 0,6%.

No conjunto da economia o investimento, aumentou 1,7%, menos que os 2% de 2023.

Mas foram estas componentes a puxar pelo PIB em 2024, já que a procura externa teve um contributo negativo de 0,6 pontos. O crescimento das exportações desacelerou de 3,8% para 3,4%, enquanto as importações de bens aumentaram 5,3% (face aos 1,1% em 2023) e as dos serviços 2,4% (4,7% em 2023).

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Investimento em queda no último trimestre de 2024

Mas se olharmos para o quarto trimestre em pormenor verificamos que o impulso dado pelo consumo privado foi maior. As despesas das famílias cresceram 5,1% em termos homólogos, com aceleração nas compras de bens não duradouros e também nos duradouros.

O último trimestre trouxe aos portugueses mais rendimento mensal, com a revisão das tabelas de revisão do IRS, além do pagamento de um suplemento extraordinário aos pensionistas em outubro.

Esta componente do consumo privado permitiu que a procura interna crescesse, em termos homólogos, 3,1%. É que o consumo público cresceu apenas 0,9%. Além disso, assistiu-se, mesmo, a uma queda homóloga do investimento (-0,9%).

Para o comportamento do investimento, nota-se uma desaceleração na formação bruta de capital fixo para 0,7%, apesar do contributo menos negativo dos stocks.

Com os dados referentes ao último trimestre de 2024 melhores do que o esperado, antecipa-se já um efeito contágio para 2025 que poderá permitir uma subida do PIB melhor do que a projetada. Miranda Sarmento, ministro das Finanças, já admitiu poder atingir-se, este ano, um crescimento de 2,5%.