Chegou, viu e quer vencer… a deixar marca. Há quase um antes e depois de José Mourinho na Liga turca, num filme que conheceu agora o ponto mais alto no escaldante dérbi entre Galatasaray e Fenerbahçe. O nulo deixou as contas na mesma, com a equipa do técnico português a seis pontos de distância do líder, mas nada voltou a ser igual após as declarações no final da partida do antigo campeão europeu por FC Porto e Inter. “Depois do jogo, agradeci a Slavko Vincic por ter arbitrado este grande jogo. Se tivesse sido um árbitro turco, teria sido um grande desastre. Eles, lá no banco do Galatasaray, pareciam macacos a saltar a cada decisão”, lamentou Mourinho. O caldo estava de vez entornado, com acusações, defesas e um castigo.

Na sequência de uma queixa do Galatasaray por alegado racismo, o treinador foi castigado por quatro jogos por “insultos e conduta antidesportiva”, numa sanção entretanto reduzida para apenas dois encontros mas que não impediu que fossem recuperadas as imagens do presidente do Conselho de Disciplina da Federação Turca de Futebol, Celal Nuri Demirtürk, com a camisola do… Galatasaray. Em paralelo, o Fenerbahçe e José Mourinho apresentaram uma ação judicial contra o clube rival por “danos morais” e “ataque aos direitos pessoais”, que vai seguir também na parte civil como a acusação de racismo ao português.

“Sabem o orgulho que senti por vestir a camisola amarela e vermelha e o meu amor pelo clube com mais títulos da Turquia. Vi os comentários recentes sobre José Mourinho. Acreditem em mim quando vos digo que conheço o José há 25 anos e que ele não é racista. A história (passada e recente) está aí para o provar. Concentremo-nos nos nossos jogos, apoiemos os nosso brilhantes leões e ganhemos a Liga para nos aproximarmos das cinco estrelas. Como é que o meu ‘pai’ poderia ser racista? Vamos lá”, comentou Didier Drogba, antigo avançado do Galatasaray que trabalhou vários anos com o português no Chelsea.

Era ainda no meio de toda esta confusão que chegava mais uma jornada da Liga turca, com o Galatasaray a jogar fora com o Kasimpasa antes da receção do Fenerbahçe ao Antalyaspor e a perder pontos, com o empate a três num jogo de loucos a colocar a formação de Mourinho a depender de si para ficar a quatro pontos da liderança a nove jornadas do final. Salvatore Foti substituiu o português no banco e tudo ficou resolvido em meia hora, com uma entrada a todo o gás a rejuvenescer a esperança dos adeptos no título.

Logo a abrir, na sequência de um canto de Szymanski à esquerda, Müldür ganhou espaço no primeiro poste e desviou de primeira para o 1-0 (8′), colocando o Fenerbahçe numa zona de conforto no encontro que abriu alas para o natural avolumar do resultado: Tadic aumentou para 2-0 em mais uma grande jogada coletiva com cruzamento de Dzeko e assistência de Söyüncü (26′), Youssef El-Nesyri fez o 3-0 numa recarga isolado na pequena área após defesa incompleta de Kenan Piric (30′). O Şükrü Saracoglu entrava em ebulição com o mais do que provável regresso aos triunfos do conjunto de Istambul aproveitando o deslize do rival.

Entre tantas facilidades, houve margem para recuperar o atual momento que se vive na Turquia e recordar o grande ausente na partida. O ritmo da partida baixou até à entrada em campo de Talisca mas foram muitas as manifestações de apoio a José Mourinho, com uma enorme tarja com a frase “Estamos contigo” com a imagem do treinador português. Já a pensar no duelo da primeira mão dos oitavos da Liga Europa com o Rangers, o conjunto da casa foi gerindo a condição física das principais unidades enquanto as bancadas se preparavam para as próximas “batalhas”… com ou sem José Mourinho no banco mas sempre presente.