Vítor Gaspar comunicou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a intenção de se retirar do cargo de diretor do departamento de finanças públicas da instituição.
A informação é avançada num comunicado do FMI, enviado esta segunda-feira, que indica que o português pretende sair em novembro de 2025 ao fim de 11 anos no cargo. O ex-ministro das Finanças foi nomeado diretor do FMI em 2014, um ano depois de ter abandonado as suas funções no Governo de Pedro Passos Coelho. Vítor Gaspar fará 65 anos este ano.
A presidente do FMI, Kristalina Georgieva, realça que Vítor Gaspar trabalhou para construir a capacidade técnica do fundo na área das finanças públicas, incluindo impostos, receitas e despesas do Estado e gestão pública. “Vai deixar um legado de luta pela implementação de políticas sólidas, apelando à defesa das populações mais frágeis e encontrando caminhos para atacar as desigualdades”.
Vítor Gaspar foi ministro das Finanças do Governo de Pedro Passos Coelho entre junho de 2011 e julho de 2013, quando se demitiu do cargo, em pleno período de intervenção da troika. A sua demissão deu origem ao famoso episódio do “irrevogável”, protagonizado por Paulo Portas que ameaçou sair da coligação do Governo por discordar da escolha do PSD para a pasta das Finanças.
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A saída limpa de Portugal do programa de assistência seria protagonizada pela sua substituta, Maria Luís Albuquerque. Vítor Gaspar integrou o FMI quando Christine Lagarde era diretora-geral da instituição. Antes de Gaspar, o economista António Borges (falecido em 2013), tinha sido diretor do FMI para a Europa.
Num comunicado que não poupa elogios, o FMI destaca o papel do departamento chefiado por Vítor Gaspar na resposta do fundo à crise pandémica e nas recomendações então dadas aos países membros. Refere que o português foi também supervisor de grupos dedicados criados no seu departamento para ajudar os países a gerirem os desafios orçamentais gerados pelas transições estruturais.
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O FMI lembra que em 2015, Gaspar dinamizou de um evento anual, a conferência Richard Goode, para promover a troca de ideias entre investigadores e académicos nas políticas de finanças públicas.
“O Vítor tem sido sido um mentor para os colegas em toda a instituição e fomentou uma forte cultura de serviço público dentro do seu departamento. A equipa de gestão sénior e eu estamos especialmente gratos pela sua partilha franca das análises e expetativas do seu departamento, bem como pelas suas abordagens inovadoras no fornecimento de apoios qualificados ao nossos membros”, afirma ainda a diretora-geral do FMI.