O presidente do Governo regional dos Açores considera que a entrada do gestor Carlos Tavares e de um outro empresário português no consórcio candidato à compra da Açores Airlines é “uma boa notícia”.

José Manuel Bolieiro indicou ter sido informado pela SATA, que é a dona da Açores Airlines, de uma proposta do consórcio e único concorrente à privatização, que aumentou a oferta feita pela companhia para 15,2 milhões de euros. O aumento da proposta apresentada pelo agrupamento Newtour/MS Aviation é suportado pela entrada de Carlos Tavares e de Paulo Pereira da Silva. A notícia avançada esta quarta-feira pelo jornal Açoriano Oriental foi confirmada pelo presidente do Governo dos Açores em declarações aos jornalistas feitas na ilha do Pico.

Já esta sexta-feira, o consórcio Newtor/MS Aviation confirmou a entrada de Carlos Tavares e de Paulo Pereira, passo que surge “num momento determinante, em que a capacidade de sobrevivência da Azores Airlines tem sido questionada”. Lembrando a degradação da situação financeira da casa-mãe, a SATA, é destacada a entrada “de reputados e experientes gestores”, reitera “a vontade do agrupamento de responder às dificuldades que a companhia aérea enfrenta, valorizandoo seu potencial estratégico”.

O gestor português, que saiu do grupo automóvel no final do ano passado, já manifestou interesse em entrar numa futura privatização da TAP, uma operação que voltou a parar com a mais recente crise política em Lisboa.

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Segundo o Açoriano Oriental, o consórcio propôs a entrada dos novos investidores, que ficarão com 49% do agrupamento que quer comprar 76% da Azores Airlines. A privatização da companhia aérea que faz as ligações internacionais do grupo SATA é uma das condições do plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia que envolveu uma ajuda pública da ordem dos 450 milhões de euros. Esta operação teria que ser realizada até final do ano, como lembrou José Manuel Bolieiro, mas o júri tinha levantado dúvidas sobre a solidez financeira e credibilidade do único concorrente e proposto a não adjudicação. Também o preço original de 5,2 milhões de euros foi considerado insuficiente.

O aparecimento destes novos investidores deverá assim permitir relançar o processo de privatização da Azores Airlines. O consórcio concorrente indica que o conselho de administração vai dar início às negociações com vista à venda da companhia, depois da luz verde dada pelo governo regional.

“Penso que é uma boa notícia para a defesa do Açores, como se vê o valor praticamente triplica. Também vejo confiança por parte do conselho de administração nas questões de idoneidade que foram levantadas pelo júri na preocupação da defesa do interesse da região e do valor do ativo que aumentou (face à proposta inicial) na sequência de uma avaliação”. Essa situação levou à suspensão do concurso em 2024.

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José Manuel Bolieiro defende ainda que o Governo está a seguir o compromisso de ter uma solução para a Azores Airlines até ao final deste ano e destaca a “robustez” financeira, “tendo em conta o valor destes novos associados” que também ajuda a dar “mais tranquilidade nas componentes de credibilidade, idoneidade e gestão profissionalizada”.

Remetendo a decisão para o júri e para o conselho de administração da SATA, José Manuel Bolieiro não deixou de assinalar que o “Governo interveio na defesa intransigente do interesse da região e do valor do ativo e foi bem sucedido”, apontando para o aumento da oferta pela companhia aérea depois de uma recente avaliação ter apontado para os 20 milhões de euros.

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Atualizado dia 21 de março com comunicado do agrupamento concorrente à Azores Airlines.