Jogo. Set. Reforma. É desta forma que a Associação de Tenista Profissionais (PTPA, na sigla em inglês), de Novak Djokovic e Vasek Pospisil, pretende revitalizar o circuito global de ténis. Num altura em que os principais jogadores do planeta se encontram em Miami, a disputar o Masters 1.000 que decorre naquela cidade dos Estados Unidos, não é só de ténis que vivem os bastidores da competição.
Nas últimas horas, a PTPA juntou-se a 12 tenistas profissionais e ao escritório de advogados Weil, Gotshal & Manges e iniciou uma série de ações legais que visam contestar o sistema implementado por ATP (responsável pelo circuito masculino), WTA (circuito feminino), ITF (Federação Internacional de Ténis) e ITIA (Agência Internacional de Integridade do Ténis). Nick Kyrgios, Reilly Opelka, Vasek Pospisil, Tennys Sandgren, John-Patrick Smith, Noah Rubin, Aldila Sutjiadi, Anastasia Rodionova, Nicole Melichar, Saisai Zheng, Sorana Cirstea e Varvara Gracheva são os tenistas que optaram por apoiar a causa interposta pela associação.
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Today, the PTPA and over a dozen players, on behalf of the entire professional population, filed a sweeping series of legal actions against the ATP, WTA, ITF and ITIA to reform professional tennis. https://t.co/1r4LWQpopP
— Professional Tennis Players Association (@ptpaplayers) March 18, 2025
As ações terão lugar nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia e devem-se a abusos sistemáticos, práticas contra a competição e um “flagrante desrespeito pelo bem-estar dos jogadores que persiste há décadas”. De acordo com o The Athletic, Djokovic não assinar o documento da sua associação e, do top 100 mundial, encontram-se presentes os nomes do 55.º (Zheng) e do 65.º (Gracheva). “O ténis está quebrado. Por trás da fachada glamorosa promovida pelos réus, os jogadores estão presos num sistema injusto que explora o seu talento, reduz os seus prémios e coloca em risco a sua saúde e segurança. Esgotámos todas as opções de reforma por meio do diálogo e os órgãos governamentais não nos deixaram outra escolha a não ser responsabilizá-los em tribunal. Corrigir essas falhas sistémicas não se trata de perturbar o ténis, mas sim salvá-lo para futuras gerações de jogadores e adeptos”, afirmou Ahmad Nassar, diretor executivo da PTPA.
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“ATP, WTA, ITF e ITIA operam como um cartel ao implementar uma série de restrições anticompetitivas draconianas e interconectadas, e práticas abusivas. “Os réus entraram em acordos e arranjos para suprimir a competição entre torneios que, num mercado competitivo, poderiam fornecer aos jogadores maiores oportunidades de ganhos. Os réus conspiram para limitar os prémios em dinheiro dos torneios e limitar a capacidade dos jogadores de ganhar dinheiro fora de campo, em vez de permitir que o livre mercado dite os valores que os jogadores ganham”, acrescentou a associação que foi fundada em 2020 e funciona como um sindicato paralelo à ATP.
From 2009 to 2019, earnings for the 100th highest-paid men's tennis player in the world more than doubled ????????????
Between 2019 and 2024, however, the prize money increase slowed down to be roughly on pace with inflation ???????????? pic.twitter.com/CtSuMjDFKu
— Lev Akabas (@LevAkabas) March 19, 2025
“Em 2024, o US Open arrecadou 12,8 milhões de dólares (cerca de 11,8 milhões de euros) com a venda de um cocktail, mais do que a quantia paga aos dois campeões de singulares juntos. Jogadores de ténis recebem apenas 17% da receita, em comparação com outros desportos, como golfe, basquetebol e futebol americano, que ganham entre 35% e 50%. O sistema exclui os jogadores de quaisquer eventos alternativos que possam existir num mercado livre e obriga-os a competir apenas nos torneios dos réus se quiserem jogar ténis profissionalmente. A agenda é apertada e os tenistas têm que pagar as suas próprias despesas de viagem. Algumas partidas chegam aos 38 graus e terminam depois das 3 da manhã”, conclui a nota.
“As jogadoras não se podem dar ao luxo de esperar indefinidamente por mudanças significativas. Encontrámos promessas vazias. As condições atuais são insustentáveis. Abordar questões legais não é a primeira opção, mas, nesta fase, é necessário exigir responsabilização e garantir melhorias há muito esperadas. As jogadoras merecem melhor, e as gerações futuras merecem melhor. Não desistiremos até que uma mudança real aconteça!”, diz a tenista romena Sorana Cirstea.