Jogo. Set. Reforma. É desta forma que a Associação de Tenista Profissionais (PTPA, na sigla em inglês), de Novak Djokovic e Vasek Pospisil, pretende revitalizar o circuito global de ténis. Num altura em que os principais jogadores do planeta se encontram em Miami, a disputar o Masters 1.000 que decorre naquela cidade dos Estados Unidos, não é só de ténis que vivem os bastidores da competição.

Nas últimas horas, a PTPA juntou-se a 12 tenistas profissionais e ao escritório de advogados Weil, Gotshal & Manges e iniciou uma série de ações legais que visam contestar o sistema implementado por ATP (responsável pelo circuito masculino), WTA (circuito feminino), ITF (Federação Internacional de Ténis) e ITIA (Agência Internacional de Integridade do Ténis). Nick Kyrgios, Reilly Opelka, Vasek Pospisil, Tennys Sandgren, John-Patrick Smith, Noah Rubin, Aldila Sutjiadi, Anastasia Rodionova, Nicole Melichar, Saisai Zheng, Sorana Cirstea e Varvara Gracheva são os tenistas que optaram por apoiar a causa interposta pela associação.

As ações terão lugar nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia e devem-se a abusos sistemáticos, práticas contra a competição e um “flagrante desrespeito pelo bem-estar dos jogadores que persiste há décadas”. De acordo com o The Athletic, Djokovic não assinar o documento da sua associação e, do top 100 mundial, encontram-se presentes os nomes do 55.º (Zheng) e do 65.º (Gracheva). “O ténis está quebrado. Por trás da fachada glamorosa promovida pelos réus, os jogadores estão presos num sistema injusto que explora o seu talento, reduz os seus prémios e coloca em risco a sua saúde e segurança. Esgotámos todas as opções de reforma por meio do diálogo e os órgãos governamentais não nos deixaram outra escolha a não ser responsabilizá-los em tribunal. Corrigir essas falhas sistémicas não se trata de perturbar o ténis, mas sim salvá-lo para futuras gerações de jogadores e adeptos”, afirmou Ahmad Nassar, diretor executivo da PTPA.

[Já estreou “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music]

“ATP, WTA, ITF e ITIA operam como um cartel ao implementar uma série de restrições anticompetitivas draconianas e interconectadas, e práticas abusivas. “Os réus entraram em acordos e arranjos para suprimir a competição entre torneios que, num mercado competitivo, poderiam fornecer aos jogadores maiores oportunidades de ganhos. Os réus conspiram para limitar os prémios em dinheiro dos torneios e limitar a capacidade dos jogadores de ganhar dinheiro fora de campo, em vez de permitir que o livre mercado dite os valores que os jogadores ganham”, acrescentou a associação que foi fundada em 2020 e funciona como um sindicato paralelo à ATP.

“Em 2024, o US Open arrecadou 12,8 milhões de dólares (cerca de 11,8 milhões de euros) com a venda de um cocktail, mais do que a quantia paga aos dois campeões de singulares juntos. Jogadores de ténis recebem apenas 17% da receita, em comparação com outros desportos, como golfe, basquetebol e futebol americano, que ganham entre 35% e 50%. O sistema exclui os jogadores de quaisquer eventos alternativos que possam existir num mercado livre e obriga-os a competir apenas nos torneios dos réus se quiserem jogar ténis profissionalmente. A agenda é apertada e os tenistas têm que pagar as suas próprias despesas de viagem. Algumas partidas chegam aos 38 graus e terminam depois das 3 da manhã”, conclui a nota.

“As jogadoras não se podem dar ao luxo de esperar indefinidamente por mudanças significativas. Encontrámos promessas vazias. As condições atuais são insustentáveis. Abordar questões legais não é a primeira opção, mas, nesta fase, é necessário exigir responsabilização e garantir melhorias há muito esperadas. As jogadoras merecem melhor, e as gerações futuras merecem melhor. Não desistiremos até que uma mudança real aconteça!”, diz a tenista romena Sorana Cirstea.