A direção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esteve esta quarta-feira reunida “de urgência”, tendo em conta as buscas realizadas esta terça-feira pela Polícia Judiciária (PJ), garantindo “o seu compromisso quanto à absoluta intransigência perante práticas ilícitas ou criminais que venham a ser apuradas”. O organismo que tutela o futebol, o futsal e o futebol de praia nacionais sublinhou ainda que vai agir de forma “inflexível em relação a qualquer pessoa ou entidade que tenha lesado os interesses e o bom nome da instituição”.

Buscas na FPF. Paulo Lourenço, ex-secretário geral, é arguido; ex-deputado do PS, António Gameiro, visado

Na reunião desta quarta-feira, a FPF indica, em comunicado, que os elementos que compõem a direção “expressaram de forma unânime a sua estupefação e indignação pela forma como a honra e reputação da instituição foram afetadas por todos os acontecimentos ocorridos no dia de ontem [terça-feira]”. Nesse sentido, foi decidido adotar uma série de medidas, a começar pelo alargamento da auditoria interna ao segundo mandato de Fernando Gomes, que decorreu entre 2016 e 2020, com vista a ter uma “análise minuciosa e aprofundada, sobretudo nas áreas críticas que envolvem pagamento de comissões, prestações de serviços e procedimentos na área de recursos humanos, por forma a apurar eventuais responsabilidades civis ou criminais”. De recordar que a auditoria já incidia sobre o último mandato (2020-2024) do agora presidente do Comité Olímpico de Portugal.

Para além disso, a FPF garantiu que vai “revogar o contrato do prestador de serviços Paulo Lourenço”, que é arguido na investigação Mais Valia. “Implementação imediata de processo de averiguação interna aos procedimentos administrativos de todos os departamentos da FPF; Reforço das políticas de compliance e dos mecanismos de escrutínio da idoneidade de todos membros dos Órgãos Sociais, funcionários e colaboradores da FPF; Implementação de certificação nas normas internacionais: ISO 9001 (qualidade), ISO 27001 (segurança da informação) e ISO 37001 (anticorrupção); Promoção da criação de um Comité de Ética (proposta de alteração dos estatutos)”, acrescenta a nota.

Ex-secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol nega “ter recebido fosse o que fosse” com venda da antiga sede

Por fim, a federação diz ainda que se vai constituir “assistente em todos os processos de natureza criminal em curso em que estejam em causa prejuízos para a FPF” e assegura que vai interpor “ações judiciais contra quaisquer pessoas e entidades que venham a ser responsabilizadas por danos causados à FPF”. No fim da reunião, a direção demonstrou “a convicção de que as medidas agora adotadas servirão para que a FPF seja sempre vista como um exemplo de boas práticas, transparência e defesa dos melhores valores cívicos e desportivos”.

De recordar que, na terça-feira, a PJ realizou buscas na FPF por suspeitas de corrupção, recebimento indevido de vantagem, participação económica em negócio e fraude fiscal qualificada durante o penúltimo mandato de Fernando Gomes, de 2016 a 2020. O inquérito criminal está aberto desde 2021 e tem a ver com a venda da antiga sede da FPF na avenida Alexandre Herculano, em Lisboa.

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