Foi um rumor durante anos, tornou-se um dado adquirido esta semana. A NBA e a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) anunciaram esta quinta-feira que estão ativamente e em parceria a explorar a criação de uma nova liga profissional na Europa — algo que pode, naturalmente, agitar todo o panorama do basquetebol europeu.
Numa conferência de imprensa conjunta, os máximos representantes das duas organizações lembraram que “a discussão não é nova” e apontaram para a temporada 2026/27 como o ano ideal para lançar a nova competição. “É com prazer que anuncio que estamos prontos para o próximo passo: explorar a criação de uma liga na Europa, com a FIBA como nosso principal sócio”, explicou Adam Silver, o comissário da NBA, garantindo que estão a ocorrer “conversas abertas e diretas com as partes interessadas e não discussões secretas”.
Adam Silver revealed that the league is officially looking into expanding overseas
The NBA and FIBA are exploring partnering on a new league in Europe pic.twitter.com/lF7ZytSqT6
— Bleacher Report (@BleacherReport) March 27, 2025
“O modelo é algo ainda preliminar, mas talvez 12 lugares permanentes e quatro com licenças anuais, mas isso é algo que ainda pode mudar. Estamos em negociações com clubes que já existem, sendo que alguns deles são grandes marcas globais, e reconhecemos que há um enorme interesse”, acrescentou o norte-americano. Em resumo, a nova liga terá então 16 participantes, sendo que 12 equipas estão sempre apuradas e outras quatro garantem a qualificação através das competições nacionais, já que nenhum clube terá de abandonar as provas domésticas para marcar presença.
Pouco depois da conferência de imprensa, a NBA confirmou a notícia através de um comunicado. “Esta nova competição será integrada no cenário do basquetebol europeu e as equipas continuarão a participar nas respetivas ligas nacionais. Alguém das equipas permanentes, haverá um caminho, baseado na meritocracia, por via da qualificação e integrado no sistema de basquetebol europeu”, podia ler-se.
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“Vamos respeitar as tradições do basquetebol europeu e de ligas abertas. Vamos retirar o melhor dos dois sistemas, poderá haver novos pavilhões e novos clubes”, acrescentava a nota, garantindo que os proprietários das 30 equipas da NBA acolheram a proposta “com entusiasmo” e que a nova liga será disputada de acordo com as regras europeias. Ou seja, por exemplo, os jogos terão 40 minutos como acontece na Europa e não 48 minutos, como acontece nos Estados Unidos.
NBA Commissioner Adam Silver announced they are now exploring the idea of a European league.
It would involve 16 teams, and it could include new state-of-the-art arenas in huge international cities.
FIBA has partnered with the NBA on this new venture. pic.twitter.com/8au24gnwRf
— Evan Sidery (@esidery) March 27, 2025
Do lado da FIBA, Andreas Zagklis sublinhou a intenção de “unir os clubes de topo” da Europa e explicou que a missão atual é “ter contacto com os clubes” — fugindo a várias questões sobre as negociações com a Euroliga, que em 2000 abriu uma fissura com a FIBA ao substituir a Taça dos Campeões Europeus, que organiza a dita Euroliga e a EuroCup e que poderá sair naturalmente prejudicada com a criação de uma nova competição.
De acordo com a imprensa especializada, já existem vários clubes europeus com a presença praticamente garantida na nova liga — como Real Madrid, Barcelona, Valencia ou Olympiacos, que podem então deixar a Euroliga para se juntarem à competição conjunta com a NBA. Segundo o Le Parisien, porém, os norte-americanos estão também a abordar clubes sem expressão no basquetebol, mas que sejam marcas globais com potencial comercial para explorar, como é o caso do PSG e do Manchester City.