A participação de Elton John no programa norte-americano de entretenimento Saturday Night Live (SNL) foi o momento escolhido por Madonna para confrontar o britânico com os mais de 20 anos de guerra entre ambos — e que começou devido à saga dos filmes de James Bond. O encontro correu tão bem que os dois não só fizeram as pazes, como ainda avançaram com a possibilidade de uma colaboração musical.
“Finalmente fizemos as pazes”, escreveu Madonna na legenda de uma fotografia dos dois, nos bastidores do programa no sábado passado, partilhaa nas suas redes sociais. “Ao longo das décadas, sempre me magoou saber que alguém que tanto admirava partilhou publicamente o seu desagrado em relação a mim como artista. Não percebia”, explicou a cantora, confessando como as críticas de Elton John a afectaram anteriormente.
Madonna explicou ao público que, apesar de magoada, decidiu assistir à actuação de Elton John como convidado musical no SNL, ao lado de Brandi Carlile — o que lhe causou um forte impacto nostálgico. “Lembrei-me de quando estava no secundário e fugi uma noite de casa para ver o concerto ao vivo do Elton em Detroit! Foi uma atuação inesquecível que me ajudou a perceber o poder transformador da música”, recordou.
A artista deixou ainda inúmeros elogios ao legado de John, afirmando que “vê-lo em palco” a ajudou a entender que estava tudo bem em “ser diferente”, em “destacar-se” e em escolher o caminho menos percorrido.
O impacto foi tal que, no final da atuação, sentiu que “precisava de ir aos bastidores para o encontrar e confrontar” sobre o desentendimento. “Quando o encontrei, a primeira coisa que saiu da sua boca foi ‘desculpa-me’ e a parede entre nós ruiu”, afirmou a cantora.
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“A pior música ‘Bond’ de sempre” na origem do afastamento
O desentendimento entre as duas “lendas” do pop mundial começou em 2002. Na altura, numa entrevista à CBS News, o pianista descreveu a canção original de Madonna Die Another Day — composta para a banda sonora do filme 007, Morre Noutro Dia — como “a pior música ‘Bond’ de sempre”, numa referência à personagem principal da famosa saga de espionagem.
Em 2004, Elton John voltou a falar sobre a cantora norte-americana, desta vez ao microfone, em cima do palco dos Q Awards. O artista criticou especificamente a capacidade performativa de Madonna, negando que pudesse ser “a melhor a atuar ao vivo” e acusando-a de fazer playback.
Desde então, ao longo dos anos, ambos trocaram críticas mutuamente em diversas ocasiões — até ao sábado passado, em que passaram para os elogios e o cantor britânico assumiu a responsabilidade pelo desentendimento.
Num comentário à publicação de Madonna, John agradeceu-lhe por ter ido ao programa e por o ter perdoado pela sua “boca grande”. “Não me orgulho do que disse. Especialmente quando penso em todo o trabalho revolucionário que fizeste como artista, abrindo caminho para que toda uma geração de mulheres artistas pudesse ter sucesso e ser fiel a si mesma”, escreveu o britânico, que também elogiou o envolvimento de Madonna na luta contra o discurso discriminatório dirigido a pessoas imunodeficientes e portadoras do vírus da SIDA, nos anos 80 do século XX.
Para alegria dos fãs de ambos os artistas, Madonna partilhou ainda que a conversa foi tão positiva que, em poucos minutos, estavam abraçados e que John terá escrito uma canção especialmente para ela, com a qual esperava poder dar início à sua primeira colaboração juntos.
“Estou grato por podermos seguir em frente”, disse o artista britânico na sua resposta, acrescentando que esta união pode ter um grande impacto nas comunidades onde estão inseridos. “Ambos fomos aceites e abraçados de coração por comunidades que estão sob ameaça em várias partes do mundo. Unindo forças, tenho esperança de que possamos realizar grandes feitos para aqueles que realmente precisam de apoio”, concluiu.