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Morreu Carlos Matos Gomes, um dos capitães de Abril

Este artigo tem mais de 1 ano

O coronel Carlos Matos Gomes morreu este domingo no Hospital CUF Tejo, em Lisboa. Tinha 78 anos. Presidente da República lembra vida marcada por um "intervenção cívica e pedagógica intensa".

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LUSA

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O coronel Carlos Matos Gomes, um dos capitães responsável pelo 25 de abril, morreu este domingo, aos 78 anos. A informação foi avançada numa publicação, no Facebook, pela filha de Matos Gomes.

O capitão de abril morreu no Hospital CUF Tejo, em Lisboa.

“É com profunda tristeza que informo que faleceu hoje, dia 13 de abril, no hospital CUF Tejo. Partiu sereno e com músicas de abril. Grata a todos pelo carinho e admiração que tinham por ele”, pode ler-se na publicação.

Marcelo lembra “intervenção cívica e pedagógica muito diversificada e intensa”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou este domingo a morte de Carlos Matos Gomes, lembrando uma vida na defesa dos valores com que se debatera há mais de cinco décadas. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou “uma vida de intervenção cívica e pedagógica muito diversificada e intensa, sempre na defesa dos valores por que se batera há mais de cinco décadas”.

Segundo uma nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, o chefe de Estado apresentou os mais sentidos pêsames à família

Matos Gomes, sob o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz publicou vários livros sobre a temática da Guerra Colonial, entre eles, “Nó Cego”, “A Última Viúva de África” e “Os Lobos não Usam Coleira” (1995), que foi adaptado ao cinema por António-Pedro Vasconcelos, “Os Imortais” (2003).

No ano passado, em nome próprio, Matos Gomes publicou “Geração D” que, em entrevista à Agência Lusa, definiu como uma homenagem e uma autobiografia da sua geração, a que conheceu a ditadura, a Guerra Colonial e fez o 25 de Abril de 1974.

A “Geração D”, explicou, é a geração da “Democracia, da Deserção, da Descolonização, das Doutrinas e do Doutrinar, da Discussão, da Dialética, do Desmistificar, do Desmobilizar, da Denúncia, da Desobediência, do Divórcio”, a geração que “viveu sob um regime de ‘doidos do império’” e dele se libertou.

“O primeiro romance que escrevi, em que pretendi transmitir aos outros o que a minha geração tinha passado durante a Guerra Colonial [1961-1974]. Como cada um de nós, que vínhamos de vários sítios – e cada um agregado numa e determinada unidade militar, que tinha sido sujeita a várias forças de dissolução -, como aquele grupo, que representava a minha geração, tinha reagido e enfrentado uma situação tão crítica”, afirmou à Lusa, o ano passado.

Da sua bibliografia, sob pseudónimo, constam pouco mais de dez títulos, entre eles, “Soldadó” (1988), “Os Lobos Não Usam Coleira” (1991), que foi adaptado ao cinema por António-Pedro Vasconcelos, “Os Imortais” (1991), no qual, entre outros, participaram Nicolau Breyner, Joaquim de Almeida e Rogério Samora, e, “A Última Viúva de África” que lhe valeu o Prémio Literário Fernando Namora em 2018.

Na área do ensaio publicou vários títulos em coautoria com o seu camarada de armas Aniceto Afonso, o mais recente, “Guerra Colonial” (2020), e colaborou regularmente na imprensa e em atividades dos Centros de Histo´ria Contempora^nea das universidades de Lisboa e Nova de Lisboa, e com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

A parceria com Aniceto Afonso produziu cerca de 12 títulos, sete deles sobre a participação portuguesa na I Guerra Mundial (1914-1918), um outro intitulado “A Conquista das Almas. Cartazes e panfletos da ação psicológica na guerra colonial” (2016), e, ainda dentro da temática da Guerra Colonial, “Guerra Colonial – Um Repórter em Angola” (2001).

Além de “Geração D”, em nome próprio tinha publicado em 2002 “Moçambique 1970”.

Vasco Lourenço recorda “ação cívica na defesa exemplar dos valores do 25 de abril”

Também o presidente da Associação 25 de Abril reagiu à notícia da morte de Carlos Matos Gomes. À Rádio Observador, Vasco Lourenço lembra “um militar de abril de exceção, um dos melhores de nós, um combatente na guerra exemplar, mas que abriu olhos para a necessidade de encontrar soluções políticas para essa guerra e que, depois do 25 de abril, manteve uma ação cívica na defesa exemplar dos valores do 25 de abril”.

Vasco Lourenço recorda ainda o currículo literário de Matos Gomes. “Transformou-se num dos mais ilustres capitules de abril, foi um enorme escritor, para mim um dos melhores escritores portugueses”, destaca o presidente da Associação 25 de Abril, que admite nomear o antigo capitão de Abril sócio de honra da associação no futuro. “Portugal perde um dos seus melhores”, remata.

Carlos Matos Gomes nasceu a 24 de julho de 1946 em Vila Nova da Barquinha, estudou no Colégio Nuno Álvares, em Tomar e, posteriormente, na Academia Militar, em Lisboa. Fixou-se na Arma de Cavalaria do Exército português e cumpriu três comissões militares em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, nos Comandos, uma tropa de elite do Exército. Pelos seus serviços militares foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1.ª e 2.ª Classe.

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