As tarifas impostas pelo Governo norte-americano aos veículos importados, bem como às peças vindas do estrangeiro para serem instaladas em veículos fabricados nos EUA, estão a trocar as voltas à maioria dos construtores, ameaçando comprometer o volume de vendas, bem como a sua rentabilidade. Mas tudo indica que a Nissan não só não está preocupada, como até vê as tarifas às importações como uma oportunidade de obter alguma vantagem.

O ataque do Governo de Trump aos fabricantes de automóveis é generalizado. É uma fonte de preocupação simultaneamente para os construtores europeus, chineses, japoneses e sul-coreanos, provocando uma crise a que nem os construtores norte-americanos são imunes, uma vez que os veículos que produzem em solo americano dependem de muitas peças importadas do estrangeiro, na maioria dos casos do México ou do Canadá. Mas a Nissan, que produz veículos nos EUA desde 1983, diz acreditar estar perante “uma boa oportunidade, com as novas tarifas à importação”.

Esta inesperada declaração, completamente contra-corrente, foi proferida à imprensa norte-americana durante o Salão Automóvel de Nova Iorque pelo director de Vendas e Marketing da Nissan USA, Vinay Shahani. “Temos a sorte de possuir uma forte pegada industrial nos EUA, o que nos confere a possibilidade de puxar ainda mais pelos modelos que fabricamos na América”, referiu ainda o executivo.

O construtor nipónico possui três fábricas nos EUA, duas no Tennessee e uma no Mississipi, de onde saem, entre outros, modelos como o Murano, Pathfinder, Leaf e Rogue, a versão americana do X-Trail europeu, que é de longe o mais vendido. Shahani salientou igualmente que, “depois de alguns veículos menos conseguidos, a Nissan está agora com uma gama mais competitiva”, o que é confirmado por um incremento das vendas nos EUA de 5,7% neste início de 2025.