A Nissan tentou evitar, em desespero de causa, que a Renault, empresa que a salvou anos antes da falência por óbvia e contínua má gestão, assumisse o seu controlo para evitar danos maiores. Provocou uma ruptura com os franceses assente no que aparenta ser uma inventona, mas continua a tentar agarrar-se aos gauleses para evitar o cataclismo, pois necessita da sua tecnologia e investimento. Enquanto isto, os quatro bancos nipónicos que a suportam — três privados e um estatal — estão cada vez mais nervosos, perante um construtor que tem um valor de apenas 1,3 mil milhões de ienes (7 milhões de euros), mas que possui uma astronómica dívida total de 8,8 mil biliões de ienes (48 mil milhões de euros).
Após afastar as pretensões da Honda, que empurrada pelo Governo nipónico aceitou (contrariada) cobrir a dívida e assumir a Nissan, mas apenas com a condição de a passar a controlar (na essência, as mesmas pretensões dos franceses, por também eles não acreditarem na capacidade da Nissan se auto-gerir), a Nissan viu-se mais uma vez obrigada a seguir sozinha, causando suores frios aos quatro bancos japoneses. É talvez esta necessidade de dinheiro “fresco” que pode ter levado o construtor japonês a ponderar passar a produzir veículos para a Chery na sua fábrica europeia em Sunderland, no Reino Unido, como forma de curto-circuitar as taxas à importação de modelos eléctricos vindos da China à entrada da Europa.
Os modelos da Chery pagam actualmente entre 17% e 21,3% à entrada dos países europeus, a que é forçoso adicionar os 10% habituais inerentes à proveniência fora da União, taxas que ficariam imediatamente revogadas caso a produção ocorresse num país europeu. No caso, nas instalações fabris da Nissan em Inglaterra, tudo com um custo diminuto para a Chery, uma vez que construir uma fábrica na Europa poderá atingir 4 mil milhões de euros, além de todo o processo tardar alguns anos.
Nissan e Chery admitiram estar em negociações para produzir carros chineses na fábrica da primeira, uma vez que esta linha de produção actualmente está sobredimensionada, pois apenas fabrica o Leaf eléctrico, além do Qashqai e do Juke. O Micra, concebido sobre a base do R5, é hoje produzido pela Renault na fábrica do R5 em França.
Caso esta estratégia se confirme, a Nissan é mais um construtor a dar a mão aos fabricantes chineses que a poderão morder muito em breve, na medida em que estão a permitir-lhe disputar o mercado europeu com óbvias vantagens. Isto por comparação com o que acontecia quando eram os fabricantes estrangeiros que tentavam disputar o mercado chinês, onde durante décadas eram forçados a construir uma fábrica e “oferecer” 50% a um construtor local pertença do Estado chinês, como a Chery. Se os dois fabricantes chegarem a acordo, os modelos da Chery poderão começar a sair de Sunderland a partir de 2027.