Entrevista a Filipe Luz, Head of Learning & Development Solutions da Cegoc
Em que consiste exatamente esta nova abordagem “Skills-First” que a Cegoc apresenta e o que motivou o seu desenvolvimento?
A abordagem “Skills-First” da Cegoc é uma resposta direta aos desafios reais que os nossos clientes enfrentam, nomeadamente, a necessidade de garantir que os investimentos em formação resultam num impacto efetivo na performance das suas equipas. Na prática, significa que deixámos de organizar a nossa oferta formativa com base apenas em temáticas tradicionais, como “liderança”, “vendas” ou “comunicação”, e passámos a estruturá-la através de competências específicas, cada uma composta por várias capacidades associadas.
A cada skill associamos agora uma ou mais soluções formativas, que permitem o seu desenvolvimento total ou parcial, com diferentes níveis de profundidade. As organizações podem identificar diretamente a competência que pretendem implementar e escolher os percursos formativos mais alinhados com os seus objetivos. Mais do que uma tendência, esta abordagem é uma decisão estratégica e verdadeiramente customer-centric.
De que forma esta nova abordagem alterou a vossa oferta formativa?
Toda a nossa oferta formativa, que designamos por Learning Collection, foi reorganizada em torno de cinco grandes áreas chave e 22 skills, alinhadas com os principais vetores de sucesso individual e organizacional. Cada uma destas competências tem associadas soluções formativas práticas para níveis de proficiência diferenciados.
Além disso, integramos ferramentas de autoavaliação que permitem às pessoas identificar lacunas e construir percursos personalizados e orientados para resultados. A formação torna-se, assim, um processo de desenvolvimento mais intencional, mensurável e adaptado à realidade do negócio.
De que forma os colaboradores conseguem desenvolver essas competências práticas, mensuráveis e aplicáveis ao seu contexto real de trabalho, que refere?
O grande valor desta abordagem está na sua aplicabilidade concreta ao contexto de trabalho. Cada competência é acompanhada de indicadores comportamentais claros, que permitem relacioná-la com as necessidades de desenvolvimento dos colaboradores. Isso permite a cada profissional compreender onde está e como pode evoluir neste contexto organizacional.
A integração de ferramentas de autoavaliação e feedback, aliadas a conteúdos modulares, exercícios práticos e momentos de acompanhamento, garante que a aprendizagem se traduz em mudança de comportamento e impacto direto no desempenho.
Que benefícios concretos traz esta metodologia para as empresas e para os profissionais?
Um dos grandes benefícios é a possibilidade de trabalhar skills transversais a várias funções, como comunicação, gestão de tempo ou pensamento crítico. Isso permite às empresas ganhar escala e flexibilidade na execução dos seus planos de formação, sem depender exclusivamente de estruturas funcionais rígidas.
Para os profissionais, o modelo traz clareza e direção. Cada pessoa sabe que competência está a desenvolver e como pode aplicá-la no seu dia a dia. Para as empresas, isto significa maior eficiência, alinhamento com os objetivos estratégicos e mais agilidade na preparação das suas equipas para os desafios do futuro.
Qual considera ser o impacto da Inteligência Artificial Generativa no desenvolvimento das organizações e dos seus talentos?
A Inteligência Artificial Generativa está a transformar profundamente as funções e as competências necessárias nas organizações. Ao automatizar tarefas repetitivas, liberta os profissionais para atividades de maior valor acrescentado, enquanto exige novas capacidades humanas — como pensamento crítico, colaboração e inteligência emocional.
É aqui que o modelo Skills-First se revela particularmente eficaz: ao centrar-se nas competências, permite às empresas preparar as suas pessoas para trabalhar com a tecnologia e não apenas conviver com ela. O impacto da IA será tanto mais positivo quanto maior for a capacidade das equipas de se adaptarem e evoluírem.
A necessidade de reskilling tornou-se uma urgência. Como é que as empresas devem responder a este desafio?
A resposta começa por um diagnóstico claro das lacunas de competências e pela definição de prioridades com base nos desafios estratégicos. A seguir, é fundamental desenhar percursos formativos modulares e orientados para o desenvolvimento de competências críticas, capazes de ser aplicadas no curto prazo.
A organização da formação por skills permite que o reskilling seja mais rápido, focado e relevante, tanto para a empresa como para o colaborador. É uma forma de assegurar que o desenvolvimento acompanha — ou até antecipa — a transformação do negócio.
Estamos a assistir ao surgimento de novas formas de aprendizagem. Quais são as tendências mais relevantes e como se refletem nas soluções formativas da Cegoc?
Existem três tendências particularmente relevantes: a personalização da aprendizagem com base em dados, que permite oferecer conteúdos mais ajustados ao perfil e às preferências do colaborador; a integração da aprendizagem no fluxo de trabalho, com recurso a microlearning, Learning shots e recursos rápidos; e, a aplicação da inteligência artificial ao desenho, entrega e avaliação da formação.
A Cegoc está a incorporar estas tendências na sua oferta através da organização de conteúdos por skill, da construção de jornadas blended orientadas para resultados concretos, e da capacitação dos formadores e consultores para esta nova realidade. O nosso foco é garantir que a inovação pedagógica tem real impacto nos resultados, com relevância para o dia a dia das equipas.
▲ Filipe Luz, Head of Learning & Development Solutions da Cegoc