O porta-voz do Livre assumiu esta sexta-feira estar a fazer caminho para disputar o quarto lugar com a Iniciativa Liberal (IL) e que, se não for nestas legislativas, será uma questão de tempo até conseguir.

“É uma questão de tempo esse objetivo, o caminho está a ser feito”, frisou Rui Tavares no final de uma visita ao Instituto Politécnico de Setúbal, círculo eleitoral onde nas últimas eleições legislativas conseguiu o seu primeiro deputado, Paulo Muacho.

Em declarações aos jornalistas, e naquele que é o sexto dia de campanha eleitoral, o dirigente do Livre revelou que está já, nestas eleições, a batalhar para que isso aconteça. “Mas, o que é essencial é ter o Livre posicionado de tal forma a que quando os portugueses decidirem inverter o ciclo político, quando perceberem que esta direita está muito radicalizada e que é bom votar num sentido mais progressista e mais ecologista para preservar os nossos direitos que o Livre esteja nesta posição de charneira”, referiu.

Rui Tavares voltou a insistir na ideia de que a IL é o partido do “motosserismo” porque o que pretende é “cortar cegamente os direitos” das pessoas. O dirigente do Livre, que diariamente tem criticado a IL, ressalvou que o partido liderado por Rui Rocha não gosta dos direitos, mas os direitos “fazem falta e dão muito jeito”. E advertiu o eleitorado: “Não vão atrás de uma direita que está a radicalizar-se e que, depois, vai extremar o nosso sistema de uma maneira em que as pessoas comuns vão ser prejudicadas por falta de direitos”.

Motivo pelo qual, Rui Tavares salientou que é fundamental ir buscar deputados da direita para a esquerda para reequilibrar o sistema político. Direita essa, acrescentou, que já “fala de papo cheio” como se a “vitória já estivesse no papo” quando ainda faltam nove dias para as eleições de 18 de maio. “Já começa [direita] a dizer o que é que desfará no dia a seguir a chegar ao poder”, alertou.

Dizendo que a estratégia da esquerda deve passar por ir recuperar votos que já foram de esquerda e passaram para a direita, Rui Tavares condenou o apelo ao voto útil do líder do PS, Pedro Nuno Santos. O apelo ao voto útil “já cansou um bocadinho” e não foi útil nesta campanha eleitoral, considerou. Em sua opinião, a esquerda ainda tem a possibilidade de mobilizar as pessoas ao mostrar que há uma alternativa de governação progressista.

Livre quer criar fundo para o ensino superior através da consignação do IRC

Ainda em Setúbal, o porta-voz do Livre defendeu também a criação de um Fundo Estratégico da Ciência e Tecnologia, através da consignação de parte do IRC, para assegurar o financiamento das universidades e politécnicos portugueses. “Uma das coisas que precisamos de fazer é assegurar continuidade aos orçamentos das universidades e dos politécnicos para que reitores e presidentes possam fazer planos a longo prazo. Para isso, o Livre propõe a criação de um fundo de investimento estratégico para o ensino superior, assegurado através da consignação de uma parte do IRC”, especificou Rui Tavares.

A consignação do IRC ao ensino superior já existe noutros países e permite às universidades e politécnicos fazer investimentos e desenvolver projetos a longo prazo e que não se compadecem com os atuais “miniciclos políticos”, referiu o dirigente partidário. Este fundo estratégico deverá reforçar o financiamento público a atribuir ao ensino superior, vincou.

Além deste fundo, Rui Tavares propõe ainda a criação de um Fundo de Apoio ao Estudante do Ensino Superior, através da consignação do IRS. “Eu gostaria que o meu IRS também servisse para que as residências, as bolsas de estudo e as cantinas fossem financiadas e bem financiadas para que nenhum estudante de uma família mais pobre possa ficar na dúvida se entra ou não no ensino superior”, apontou.

Fazendo-se acompanhar de Paulo Muacho, o primeiro deputado eleito por Setúbal, Rui Tavares destacou ainda a necessidade de atrair cientistas, investigadores e académicos estrangeiros para promover a inovação e a transferência de conhecimento e contribuir para o desenvolvimento económico, reforçando as posições de Portugal e da União Europeia como centros de liberdade académica.

Na sua opinião, Portugal tem condições para acolher instituições estrangeiras e tornar-se num país de ponta no ensino superior na Europa. “Somos um país atrativo não só para estudantes, como para docentes e temos muito futuro nessa área”, concluiu.