O conclave é ultrasecreto, mas já há notícias sobre as votações para o novo Papa. Passado um dia e quatro escrutínios, os 133 cardeais eleitores escolheram Robert Prevost, o primeiro pontífice norte-americano, que adotou o nome de papa Leão XIV. A escolha resulta de uma reviravolta, já que, à terceira volta, o cardeal italiano Pietro Parolin ainda continuava na frente para se tornar o novo líder da Igreja Católica.
O secretário de Estado do Vaticano, levava vantagem sobre Prevost na terceira volta do escrutínio (49 contra 38), que aconteceu por volta das 11h (12h em Roma) desta quinta-feira, revela o jornal italiano Corriere della Sera esta sexta-feira. O italiano, que era também o presidente do conclave, estava “aparentemente consciente de que não conseguiria ultrapassar o limite de 50 votos e afastou-se para permitir que o primeiro Papa dos Estados Unidos (que também tem a nacionalidade peruana e sangue italiano e francês) o ultrapassasse”, reporta o mesmo jornal. “À tarde, assim como em 2013, os votos voltaram-se para o cardeal norte-americano, ultrapassando a marca de 89“, número decisivo para atingir os dois terços necessários para encontrar o sucessor de Francisco, que morreu a 21 de abril.
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De acordo com a análise do historiador eclesiástico italiano Alberto Melloni, um setor importante dos cardeais, em particular os críticos do pontificado de Francisco, pressionou em defesa de uma eleição que “corrigisse” o rumo eclesial. É o que escreve o diário argentino Infobae, que reporta que esta pressão teve um “efeito boomerang“: a campanha contra o legado de Francisco acabou por unificar o voto do centro reformista em torno de Prevost.
Também o afastamento dos cardeais com mais de 80 anos, que já não podiam votar mas podiam influenciar, terá sido fundamental, continua o periódico, citando Melloni, que argumenta que a saída de cena destes cardeais permitiu que os eleitores mais ativos fizessem pender a balança para um perfil menos polarizador.
De resto, alguns sinais dos últimos dias, antes mesmo do arranque do conclave, já pareciam apontar no sentido de alguma tensão entre os cardeais para escolher o sucessor do Papa Francisco, e reportagens várias davam conta de uma possível campanha de bastidores destinada a fazer eleger o cardeal italiano Pietro Parolin, com uma agenda de algum recuo tanto no estilo como no conteúdo em relação ao pontificado do Papa argentino. Mas, à quarta volta, foi mesmo o cardeal Robert Francis Prevost o escolhido.