De um modo geral, a primeira semana da Volta a Itália está a ser mais aborrecida do que se esperava. Depois de uma edição dominada por Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG), o facto de o esloveno ter preferido focar a sua primeira fase da temporada nas clássicas em detrimento do Giro abriu o lote de candidatos a triunfar na primeira Grande Volta da temporada. Ainda assim, os cinco primeiros dias trouxeram pouca emoção e, à semelhança do ano anterior, Mads Pedersen (Lidl-Trek) tornou-se o grande dominador, com três vitórias de etapas. Foi assim que entrámos na etapa desta quinta-feira, entre Potenza e Nápoles, que prometia ser de transição para as etapas de montanha do fim de semana. Contudo, a chuva decidiu aparecer durante o percurso de 227 quilómetros e pode ter-se revelado decisiva para as contas finais da corsa rosa.

Já depois de o pelotão ter ultrapassado as subidas categorizadas, e numa fase em que rodava pela pequena comuna de Sperone, a chuva e o piso escorregadio fizeram com que mais de metade dos ciclistas caíssem, levando a direção de corrida a neutralizar a corrida durante largos minutos. Tudo aconteceu a 71,5 quilómetros da meta quando, na parte da frente do pelotão, um corredor da Red Bull-Bora-hansgrohe foi ao chão e levou consigo praticamente todos os que estavam atrás de si, que não conseguiram evitar o choque. Um dos elementos que ficou em pior estado foi Jai Hindley (Red Bull), que embateu com a cabeça no chão e foi forçado a abandonar, deixando mais fragilizado o companheiro Primoz Roglic. Para lá do australiano que venceu o Giro em 2022, Jay Vine também abandonou na sequência da queda, desfalcando a Emirates, bem como Juri Hollmann (Alpecin-Deceuninck).

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O português Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious), Nairo Quintana (Movistar) e os líderes da geral, Mads Pedersen (Lidl) e da montanha, Lorenzo Fortunato (XDS Astana), que ficou com o capacete partido, também estiveram envolvidos na queda, para além dos candidatos à geral Adam Yates (Emirates), Derek Gee (Israel-Premier Tech), Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) e Daniel Martínez (Red Bull). Depois de alguns quilómetros com o pelotão a circular a baixa velocidade – 20 km/h –, para permitir o regresso dos ciclistas e das equipas médicas, a corrida foi reatada cerca de 12 quilómetros depois e a organização optou por abortar os pontos e os segundos bónus destinados ao quilómetro dourado e à chegada.

Deste modo, as classificações vão manter-se intactas, com Nápoles a servir apenas para conhecer o vencedor de etapa. Esta decisão terá sido tomada depois de o diretor de corrida ter conversado com alguns ciclistas, entre eles Roglic, que se mostrou desagradado com a decisão de continuar a corrida.

Notícia atualizada às 15h50 com a informação do abandono de Jay Vine.