Chegou ao fim uma temporada de sofrimento e em que o AC Milan voltou a bater na trave. Depois de uma primeira metade muito aquém, com Paulo Fonseca, o início de Sérgio Conceição deixou água na boca com a conquista da Supertaça de Itália, mas não passou disso. O antigo treinador do FC Porto até conseguiu dar a volta aos resultados negativos no Campeonato, lutou pelos lugares de acesso às competições europeias até à penúltima jornada, mas falhou aquele que era um dos principais objetivos do clube. Pelo meio perdeu a final da Taça, frente ao Bolonha (0-1), e, ao que tudo indica, despediu-se este sábado de San Siro, numa partida em que nem sequer esteve no banco de suplentes por se encontrar a cumprir castigo.

O adeus mais do que provável precipitado por uma derrota: Sérgio perde final da Taça pelo AC Milan (e saída fica mais próxima)

Com a ausência das competições europeias na próxima temporada, a imprensa italiana estima que as contas dos rossoneri sofram um grande rombo, já que a presença na fase de liga da Liga dos Campeões iria garantir, no mínimo, 40 milhões de euros oriundos da UEFA, mais 15 milhões de outras receitas. Na Liga Europa, a estimativa aponta para um encaixe de 35 milhões, ao passo que, na Liga Conferência, a ida à final aponta para um prémio de 20 milhões. Na presente temporada, a eliminação no playoff de acesso aos oitavos da Champions rendeu ao Milan cerca de 80 milhões. Por outro lado, os adeptos continuam a apresentar-se muito críticos da direção e, este sábado, a claque Milan Curva Sud marcou um protesto junto à sede do clube, que teve seguimento no interior de San Siro. “Estaremos durante os primeiros 15 minutos. Depois vamos abandoná-los, deixando-os sozinhos com a sua vergonha”, partilhou a claque.

Quanto a Sérgio Conceição, este hipotético fim de linha do português acabou por ser pautado pelos piores motivos, já que o treinador não realizou a habitual conferência de imprensa de antevisão à partida, nem deverá falar aos jornalistas depois do jogo. A Gazzetta dello Sport apelidou este final de uma “triste despedida”, “em silêncio e sem banco”, já que foi o adjunto João Costa a assumir as atividades de imprensa do clube. Com contrato até junho de 2026, a mesma fonte acrescenta que o Milan tem a opção de rescindir o acordo no final da presente temporada, algo que deverá mesmo acontecer. Praticamente certa é, também, a saída de João Félix, não se sabendo se o futuro do internacional português passa pela Europa ou até mesmo pelo Brasil.

Para esta partida que pouco contava, Conceição promoveu várias alterações no onze inicial e apostou em Ruben Loftus-Cheek no meio-campo, com o “menino” Davide Bartesaghi a fazer a ala esquerda. No ataque, João Félix foi a grande novidade, juntando-se a Christian Pulisic e Luka Jovic. Desta forma, Rafael Leão começou no banco de suplentes. No Monza, Pedro Pereira foi titular na defesa, ao contrário de Dany Mota, que está lesionado e falhou a última partida da temporada. Os rossoneri entraram determinados em deixar uma boa imagem e, logo nos primeiros minutos, Strahinja Pavlovic ficou perto de marcar, obrigando Semuel Pizzignacco a uma defesa fantástica com a palma da mão (6′). A partir daí, o jogo acalmou e o Milan apresentou uma prestação pobre, que culminou com o nulo ao intervalo (0-0).

Para a segunda parte, Francesco Camarda, de apenas 17 anos, e Samuel Chukwueze saltaram do banco e o Milan até se mostrou com outro fulgor, com Pulisic e Chukwueze a criarem muito perigo nos primeiros minutos (47′). Já com Álex Jiménez, Félix protagonizou o melhor momento da partida até então, ao cabecear à trave depois de um cruzamento de Fikayo Tomori (62′). No lance seguinte, Chukwueze cobrou um canto da direita para o primeiro poste e, com um movimento da frente para trás, Matteo Gabbia atirou de cabeça, à meia volta, para o golo inaugural (64′). Pouco depois, Félix assumiu a cobrança de um livre à entrada da área, descaído para a esquerda, e anotou um golaço (74′). Essa foi a última amostra do português com a camisola milanesa, tendo sido substituído, logo a seguir, por Youssouf Fofana. Desta forma, o Milan regressou às vitórias depois de dois jogos sem vencer, no fim de uma temporada que não perdurará na memória dos adeptos (2-0).