O jogo decisivo. Foi desta forma que o PSG apresentou a partida deste sábado, frente ao Reims, a contar para a final da Taça de França. Esta mensagem podia passar como uma frase “politicamente correta”, dado que estamos a falar de um clube que alcançou uma hegemonia interna na última década e que, dentro de uma semana, tem pela frente a final da Liga dos Campeões, diante do Inter Milão. Contudo, num clube treinado por Luis Enrique e que agora vale mais pelo seu coletivo do que pela componente individual, vencer todos os troféus é o principal objetivo. Para isso, os rouge et bleu tinham que derrotar o Reims que, apesar de ter terminado a Ligue 1 na antepenúltima posição e ter ainda de enfrentar o playoff de despromoção, deixou pelo caminho equipas como o Monaco (1-1, 3-1 g.p.) ou o Angers (1-1, 3-5 g.p.).

O tetra já está, faltam os recordes: PSG derrota Angers com golo de Doué e sagra-se campeão francês a seis jornadas do fim

“Jogar uma final da Taça de França é muito especial. Há um grande estádio, dois grupos de adeptos, certamente será uma partida especial. Não é difícil haver motivação. Não haverá nenhum jogador a pensar na próxima final. Desde o primeiro dia que o nosso principal objetivo é fazer história. Ter a oportunidade de vencer estas duas finais era o nosso objetivo. Só falta colocar a cereja no topo bolo. Somos cautelosos, calmos e devemos permanecer focados no que nos trouxe até aqui. Não mudamos a mentalidade ou a metodologia. Neste momento, a final mais importante é a que vamos disputar contra o Reims. Ainda não ganhámos nenhum jogo contra eles esta época. Empatámos dois jogos e, se olharmos para os últimos seis jogos, só ganhámos um e empatámos cinco”, assumiu Enrique.

“É claro que não somos favoritos. Falamos da Taça das surpresas, mas isso geralmente acontece nas primeiras eliminatória. É muito raro que haja esse tipo de surpresa na final. Mas tudo é possível, porque é uma partida de futebol, contra os melhores da Europa. Cabe-nos estar no mesmo nível do adversário e da competição que devemos respeitar e, acima de tudo, aproveitar o momento. Estamos a ter uma temporada difícil e é uma lufada de ar fresco jogar este tipo de partidas. A única coisa que pedimos aos jogadores é que se divirtam, que se esforcem e, acima de tudo, que não se arrependam. Esperamos fazer uma partida o mais séria possível, mostrar uma boa imagem do Reims e, principalmente, a melhor versão da nossa equipa”, perspetivou Samba Diawara, técnico dos rouge et blanc, que contam com Aurélio Buta nas suas fileiras.

Nas equipas iniciais, Matvei Safonov foi a grande novidade de Luis Enrique, com o catalão a optar por manter o guarda-redes que tem atuado nas partidas da Taça. Apesar de se perspetivar a titularidade de Kvicha Kvaratskhelia, Désiré Doué e Bradley Barcola foram os escolhidos para acompanhar Ousmane Dembélé no ataque. Quanto aos portugueses, Nuno Mendes, Vitinha e João Neves mantiveram-se na equipa, ao passo que Gonçalo Ramos foi suplente, assim como Buta. Como seria de esperar, o campeão francês entrou muito pressionante, mas demorou a encontrar o espaço para criar perigo, perante a postura defensiva do Reims. A primeira ocasião pertenceu a Doué que, à entrada da área, atirou forte por cima (13′).

Pouco depois, Doué isolou Barcola com um passe fantástico para as costas da defesa, o internacional francês conduziu e, perante a saída de Yehvann Diouf, atirou a contar para o golo inaugural (16′). Os protagonistas repetiram-se três minutos depois, com Marquinhos a encontrar Doué desmarcado na direita e a colocar-lhe a bola, o jovem francês cruzou rasteiro para o segundo poste e, completamente sozinho, Barcola fez o 2-0 (19′). Pouco depois, Dembélé apareceu sozinho dentro da área, mas Diouf defendeu e, na sequência do lance, Barcola atirou por cima (32′). O sentido do jogo continuou anárquico e, na reta final da primeira parte, Dembélé encontrou espaço dentro da área, desferiu um remate rasteiro, mas a bola saiu ligeiramente ao lado (41′). No lance seguinte, Barcola mudou de papel e assistiu Achraf Hakimi para o terceiro golo com um cruzamento para o segundo poste (43′).

Para a etapa complementar, o Reims entrou em ritmo de gestão face à proximidade com a partida decisiva do playoff, fazendo desde logo três alterações, com as entradas de Gabriel Moscardo, Oumar Diakité e Ange Tia. Com o resultado altamente favorável, os parisienses baixaram o ritmo da partida na primeira fase. Na primeira ocasião, Barcola apareceu com espaço dentro da área, pela esquerda, e desferiu um remate forte para defesa de Diouf (59′). Pouco depois foi a vez de Dembélé voltar a ficar perto de marcar, acertando no poste (64′). Para a parte final, Ramos, Warren Zaïre-Emery e Senny Mayulu foram apostas de Luis Enrique, mas o desafio continuou bastante calmo, com as duas equipas a aceitarem o resultado e o Reims a terminar sem qualquer ocasião de golo (3-0).

Assim, o PSG conquistou a Taça de França pela 16.ª vez e voltou a distanciar-se no topo do palmarés da competição, tendo agora mais seis troféus que o Marselha (dez). Está e a segunda temporada consecutiva em que a equipa de Paris consegue o triplete interno, juntando agora a Taça ao Campeonato e à Supertaça. Nos últimos nove títulos internos, os parisienses venceram oito e continuam a dominar o futebol francês. Segue-se o grande objetivo da temporada: a Liga dos Campeões.