A ANA — Aeroportos de Portugal distribuiu dividendos de 728,4 milhões de euros brutos em apenas dois anos — 2023 e 2024 — à acionista, o grupo francês Vinci.

O maior dividendo anual pago até agora pela concessionária dos aeroportos nacionais foi de 404 milhões de euros, tendo sido aprovado em assembleia geral e pago em setembro do ano passado, segundo a informação que consta do relatório e contas anual. Este dividendo corresponde à distribuição dos lucros apurados em 2023 que foram de 416,7 milhões de euros. No ano anterior — em 2023 — a ANA pagou à acionista um dividendo de 324,4 milhões de euros, respeitante aos lucros apurados em 2022 no montante de 334 milhões de euros.

A percentagem dos lucros (considerando apenas os resultados da ANA SA e não consolidados) entregue à Vinci, através da Vinci Airports, foi de 97% nos últimos dois anos.

Lucro da ANA sobe 22,5% para recorde de 511 milhões de euros em 2024

Tal como foi anunciado na sexta-feira passada, a ANA registou um lucro recorde de 511 milhões de euros em 2024, valor que sobe para 516,7 milhões de euros em termos consolidados, considerando o grupo que inclui a empresa de handling Portway. De acordo com a informação divulgada pela empresa na última sexta-feira, a estes lucros correspondem 245 milhões de euros em impostos entregues ao Estado, a título de IRC (imposto sobre lucros), bem como 15 milhões de euros que resultam do mecanismo de partilha de receitas contratualizado.

Este ano, e tendo em consideração a prática dos últimos anos, o valor do dividendo ao acionista só deverá ser fixado em assembleia geral que tem decorrido em agosto e setembro.

A concessionária dos aeroportos interrompeu a remuneração ao acionista nos anos de 2020 e 2021, na sequência dos efeitos da pandemia na sua atividade. O ano de 2020 foi o único em que a concessionária registou prejuízos, de 72,1 milhões de euros. Em 2021, já teve lucros 27,5 milhões de euros, mas ainda abaixo do limiar de três dígitos de milhão que tem sido alcançado nos últimos dez anos.  Por causa dos efeitos da pandemia , a ANA pede ao Estado uma compensação de 200 milhões de euros, valor preliminar, cujo fundamento será avaliado por um tribunal arbitral.

Antes da pandemia, a ANA entregou ao grupo francês 600 milhões de euros em dividendos, dos quais 200 milhões relativos aos lucros de 2019 e 400 milhões de euros em 2018, que foram determinados com base nos lucros apurados nos três anos anteriores. Até essa data, e desde a privatização realizada no final de 2012, a ANA não tinha remunerado o acionista, com exceção dos dividendos desse ano que foram refletidos no preço pago pela Vinci.

Até agora, e ainda sem contar com a provável distribuição de dividendos sobre os lucros recorde de 2024, a ANA gerou dividendos brutos de 1.328 milhões de euros.

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Há mais de dez anos, em 2012, a Vinci pagou 1,2 mil milhões de euros ao Estado, mas a sua proposta valorizou a empresa em cerca de três mil milhões de euros porque o acionista privado assumiu a dívida da empresa concessionária, nomeadamente o empréstimo que a ANA teve de contrair para entregar ao Estado em troca do contrato de concessão por 50 anos da exploração dos aeroportos. Os termos financeiros desta privatização foram questionados numa auditoria do Tribunal de Contas, conhecida mais de dez anos depois da operação, e que levaram vários ex-responsáveis políticos  ao Parlamento no ano passado.

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O ano de 2024 foi marcado por vários recordes. A começar pelo tráfego aéreo que cresceu 4% para 69,2 milhões de passageiros, com Lisboa a representar mais de 50%. O volume de negócios cresceu 17,9% para 1.213 milhões de euros, impulsionado por um salto de 21% na receita da aviação e um acréscimo mais moderado, de 9%, na receita extra-aviação.

A ANA investiu 105 milhões de euros no ano passado, tendo assinado no final de 2024 um contrato para aquele que será o maior programa de investimento desde o início da concessão para modernizar o aeroporto Humberto Delgado no valor de 233 milhões de euros. A obra está a ser alvo de impugnação por parte do Ministério Público, mas para já não se prevê que fique suspensa.

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Em paralelo, a concessionária está em processo inicial de negociação com o Estado sobre as condições para a construção e exploração do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, um investimento que propôs financiar, na proposta inicial sujeita a negociações, e sem recurso a fundos públicos, com o aumento adicional das taxas aeroportuárias em Lisboa e o prolongamento do prazo de concessão.