Quando Henrique Rocha conseguiu superar a fase de qualificação em Roland Garros, o ténis português fez história ao contar pela primeira vez com três jogadores no quadro principal. A seguir, e apesar da derrota de Jaime Faria com JT Brooksby, os triunfos em cinco sets de Nuno Borges e Henrique Rocha escreveram um novo capítulo histórico na terra batida francesa, com dois jogadores nacionais na segunda ronda. Já esta quarta-feira, o triunfo de Borges diante de Casper Ruud voltou a ser histórico, com o maiato a tornar-se o primeiro português a bater um top 10 num Grand Slam e a chegar à terceira ronda. Afinal, havia mais.

A jogar sem pressão mas com a ambição de dar prolongamento a uma semana onde está a mostrar o melhor ténis, Henrique Rocha recuperou de uma desvantagem de 2-0, encontrou forças físicas e anímicas onde não era expectável perante o que acontecera nos parciais iniciais e alcançou uma reviravolta épica frente a Jakub Mensik, checo que ocupa o top 20 mundial (19.º), seguindo também para a terceira ronda da prova.

A defrontar um jogador que este ano saltou ainda mais para a ribalta por ter batido Novak Djokovic na final do Masters de Miami em piso rápido e que chegou aos quartos do Masters de Madrid, neste caso já em terra batida, Henrique Rocha teve um início de jogo demasiado ansioso que permitiu ao checo disparar para 4-0 logo a abrir antes de fechar o set inicial por 6-2, seguindo-se um parcial ainda mais desequilibrado de 6-1 com dois breaks e apenas três pontos ganhos pelo português no serviço do 19.º melhor do mundo.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]

A história parecia escrita, ainda para mais depois de novo jogo de serviço quebrado por Mensik na quinta partida do terceiro set a fazer o 3-2. No entanto, foi aí que Rocha fez das fraquezas forças para começar uma reviravolta fabulosa, conseguindo logo de seguida o contra break antes de mais uma quebra de serviço ao checo que fechou o 6-4. No plano anímico, o português estava por cima; na parte física, apesar de vir de uma maratona de cinco sets, também não quebrou. Estavam reunidos todos os ingredientes para a viragem, com o português a empolgar as bancadas com muitas bandeiras nacionais para o triunfo no quarto parcial por 6-3 com um break e a vitória no quinto set quebrando em branco o serviço de Mensik para o 6-3.

“Tenho de admitir que por alguns momentos pensei o pior. No terceiro set também estive break abaixo. Quando saí do court [no final do segundo set] pensei que estava a servir e a responder pior do que ele. O que é que podia fazer para mudar isto? A primeira coisa que me veio à cabeça foi meter mais primeiros serviços e ser mais agressivo quer com o segundo serviço quer com a resposta. Um pouco de tudo, foi-se juntando, mas lutei, continuei e era a única maneira. Quando recuperei o primeiro break senti que apesar de estar longe, estava mais próximo. Em termos de fundo acabei a jogar mais do que ele. Joguei muito bem, senti-me muito bem”, comentou Henrique Rocha depois da partida, citado pelo Bola Amarela.

“É importante continuar com esta mentalidade. Tenho trabalhado muito bem e o resultado veio agora. Quero continuar a trabalhar e a melhorar. Houve um pouco falta de experiência hoje no início do encontro, o serviço não apareceu e é importante continuar a melhorar. Ouvi imenso os portugueses, têm-me dado um grande apoio. Sem dúvida que se nota a presença do público e que é uma cidade com muitos portugueses. História? O Nuno [Borges] fez algumas coisas antes de mim. É a recompensa pelo trabalho e dá sempre resultado trabalhar melhor e melhor. É importante continuar este processo, que é longo. Sinto-me muito contente com os passos que tenho dado. Hoje, ao virar de 0-2 em sets, desbloqueei mais um. Sinto-me bem, a recuperar bem e a cuidar do meu corpo o melhor que consigo”, acrescentou o jogador português, que na próxima ronda irá defrontar o cazaque Alexander Bublik, atual 62.º melhor do mundo.