“A Grande Ambição”

Um longo, verboso e muito explicado e “didático” filme de Andrea Segre sobre Enrico Berlinguer (interpretado por Elio Germano), Secretário-Geral do então poderoso (era o maior da Europa) Partido Comunista Italiano (PCI) entre 1972 e 1984, e que, através do chamado “Eurocomunismo”, procurou afastar-se da URSS e traçar uma via alternativa e democrática ao comunismo soviético, para chegar ao socialismo. Isso levou-o a procurar um acordo de governo com a ala esquerda da Democracia Cristã, representada por Aldo Moro, gorado pelo rapto e assassinato deste pelas Brigadas Vermelhas, em 1978. Inadvertidamente, A Grande Ambição mostra a ingenuidade ilusória e o completo irrealismo da doutrina do bem-intencionado Berlinguer, e nas legendas finais, Segre omite o facto do outrora próspero PCI se ter dissolvido e desaparecido da paisagem política italiana em 1991, dois anos após a queda do Muro de Berlim.

“Maria Montessori”

O segundo filme biográfico da semana combina factos com intriga ficcional. Realizado por Léa Todorov, Maria Montessori centra-se na figura da médica, pedagoga e educadora italiana que viveu entre 1870 e 1952, e passa-se em 1900. Uma famosa cortesã parisiense, Lili d’Alengy, tem uma filha deficiente, e que esconde das outras pessoas. Para proteger a sua reputação, deixa a capital francesa e vai para Roma, onde conhece Montessori, que está a desenvolver um método pioneiro de aprendizagem revolucionário para crianças então chamadas “deficientes”. Tal como Lili d’Alengy, Montessori tem também um segredo: um filho nascido fora do casamento. E as duas mulheres vão começar a ajudar-se uma à outra. Maria Montessori é uma co-produção franco-italiana, interpretada por Jasmine Trinca, Leila Bekhti, Rafaelle Esposito e Agathe Bonitzer.

“Um Silêncio”

Daniel Auteuil e Emmanuelle Devos são os principais intérpretes desta fita do belga Joachim Lafosse, que decalca em quase todos os aspetos o caso do advogado Victor Hissel, que em 1996 representou em tribunal as famílias de duas das crianças raptadas e assassinadas por Marc Dutroux, e que em 2008 foi preso sob a acusação de posse de pornografia infantil e de ter frequentado milhares de vezes sites pedófilos. Hissel defendeu-se dizendo que havia sido vítima de abusos sexuais por um familiar próximo na infância. Em 2009, quando aguardava julgamento, o seu filho Romain tentou matá-lo à facada. Mas Lafosse está muito menos interessado no caso criminal do que em explorar o efeito das revelações sobre a família do advogado. Um Silêncio foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.