Um mês e meio depois da histórica vitória na Volta à Romandia, o regresso de João Almeida acabou por ficar bastante aquém do esperado. Passaram-se 42 dias desde a vitória do Bota Lume na primeira incursão pelo território suíço e, à exceção do que acontecera no início de maio, o português chegava à Volta à Suíça como o principal candidato a vencer a geral. Já o tinha acontecido no ano passado, em que só perdeu para o colega Adam Yates (UAE Team Emirates-XRG) por escassos 22 segundos e depois de lhe ter “oferecido” duas vitórias em etapas. Em 2025, a preparação de Almeida para a Volta a França voltava a passar pela corrida helvética, mas o curto período de férias parece ter atirado o ciclista de 26 anos para outro patamar… para já.

A segunda vitória do ano: João Almeida conquista Volta à Romandia

João Almeida chegou à corrida suíça — que conta com o tri (2012, 2013 e 2014) de Rui Costa no seu palmarés — a viver a melhor temporada da sua carreira no World Tour, somando cinco vitórias — todas em provas do escalão máxima e duas delas na geral — nos primeiros meses do ano. Contudo, a estreia na edição deste ano da Volta à Suíça esteve longe do esperado e, ao mesmo tempo que Tadej Pogacar conquistava o Dauphiné com uma dose de superioridade sobre a concorrência, a Emirates voltava a mostrar que, sem o campeão do mundo, a sua estratégia deixa muito desejar. Num dia marcado pelo triunfo da fuga, Almeida cortou a meta no pelotão, a 3.12 minutos de Romain Grégoire (Groupama-FDJ) e tem agora uma árdua tarefa pela frente. A correr em casa, Felix Grossschartner é o melhor colocado da turma dos Emirados Árabes Unidos, a 1.17.

A chuva abençoou uns e foi um balde de água fria para outros: João Almeida com início para esquecer na Volta à Suíça

“Grande favorito? Sim, aceito… O desempenho tem sido bom, mas as estatísticas não vencem corridas. Temos uma longa corrida pela frente e será difícil. Precisamos de continuar a acelerar e vamos ver como será”, assumiu o português, ainda antes da primeira etapa, numa curta declaração ao Cycling Pro Net. Ultrapassado o primeiro dia, a segunda etapa prometia ser bem mais ao jeito de Almeida. Como habitual, o terreno helvético não dá tréguas ao pelotão e, esta segunda-feira, dia em que se cumpriu o segundo aniversário da morte de Gino Mäder, os corredores tiveram pela frente uma tirada de 177 quilómetros, entre Aarau e Schwarzee, com mais de 2.700 metros de altitude acumulada. O final prometia ser explosivo, com diversas subidas no alinhamento.

E assim foi. Já com os raios de sol a surgirem por entre as nuvens, Silvan Dillier (Alpecin-Deceuninck), Jonas Rutsch (Intermarché-Wanty) e Mauro Schmid (Jayco AlUla) marcaram a fuga do dia, que perdurou até à entrada para os últimos 15 quilómetros, depois de o camisola amarela Grégoire ter aproveitado uma nova desatenção das equipas da geral para bonificar um segundo no primeiro sprint bonificado. Fabio van den Bossche (Alpecin) tratou de desbloquear a corrida antes da subida final, mas acabou anulado pelo bloco da EF Education-EasyPost, de Rui Costa. A 2,5 quilómetros do fim, Jan Christen (Emirates) atacou e não precisou de muito para se isolar, chegando aos últimos mil metros na frente

Na aproximação a Schwarzsee, Quinn Simmons (Lidl-Trek) anulou a diferença e lançou novo ataque, com Vincenzo Albanese (EF Education) a levar a melhor ao sprint, à frente de Fabio Christen (Q36.5) e Lewis Askey (Groupama). Desta forma, o italiano de 28 anos somou a sua primeira vitória da carreira no World Tour, naquela que é a sua primeira temporada na equipa norte-americana e numa altura em que se encontra a “lutar” para estar no alinhamento da Volta a França. António Morgado (Emirates) terminou no 19.º lugar, embora longe da discussão. Na geral, Roman Grégoire tem agora 25 segundos de vantagem para Kévin Vauquelin (Arkéa-B&B Hotels) e 1.18 para Ben O’Connor (Jayco), que entrou no pódio. João Almeida perdeu quatro posições, estando agora no lugar 29, a 3.23.