Segundo classificado na Volta à Comunidade Valenciana com amarela pelo meio e quatro top 10 em etapas, segundo lugar na Volta ao Algarve com uma segunda posição na subida ao Alto da Fóia, sexto posto no Paris-Nice com uma vitória na montanha pelo meio em La Loge des Gardes, triunfos na Volta ao País Basco e no Tour da Romandia. Depois de alguns percalços em momentos chave das temporadas que foram tirando gás à ascensão de João Almeida, o ano de 2025 está a ser o melhor da carreira em termos resultados antes do grande objetivo de repetir ou melhorar o quarto lugar na Volta à França onde voltará a ser o principal apoio do favorito Tadej Pogacar que procura o quarto triunfo no Tour depois de 2020, 2021 e 2024. Até lá, havia outras metas traçadas logo no início da temporada com um em particular para vencer: a Volta à Suíça.
A segunda vitória do ano: João Almeida conquista Volta à Romandia
O corredor da UAE Team Emirates ganhou duas etapas da edição de 2024, terminou outras duas em segundo mas acabou por ver o companheiro de equipa Adam Yates vencer a prova, impedindo que João Almeida fosse o segundo português a conquistar a corrida depois dos três sucessos consecutivos de Rui Costa (que voltava a marcar presença em 2025, tal como Nelson Oliveira). Agora, voltava a solo helvético para mostrar dois dos aspetos onde a crítica mais destaca o crescimento esta época: os contrarrelógios e as mudanças de velocidade na montanha sem deixar de fazer de quando em vez as suas Almeidadas de trás para a frente.
Com o Critério du Dauphiné a levar alguns dos potenciais adversários mais fortes para fora da lista, Almeida tinha agora rivais como Felix Gall (Decathlon AG2R La Mondiale), Ben O’Connor (Jayco AlUla), Aleksandr Vlasov (Red Bull-Bora-hansgrohe), Pello Bilbao (Bahrain-Victorious) e Matthew Riccitello e Michael Woods (Israel-Premier Tech) pela frente e logo com uma etapa inaugural com uma contagem de segunda categoria a 15 quilómetros da meta que poderia fazer uma primeira seleção em relação aos favoritos à vitória.
A ligação tinha um pouco menos de 130 quilómetros em Küssnacht, as mexidas demoraram menos de 30. As duas primeiras subidas no arranque da tirada acabaram por criar um “fosso” inesperado entre alguns dos nomes fortes na prova helvética, com um grupo de 28 corredores a conseguir uma boa vantagem sem que existisse uma reação imediata por parte do pelotão e que permitiu que corredores como Ben O’Connor, Kevin Vauquelin ou Lorenzo Fortunato seguissem para vantagens que iam nos 2.20 minutos a 85 quilómetros do final ou 3.30 minutos a 70 quilómetros da meta. Equipas como a UAE Team Emirates de João Almeida ia demorando até agarrar no pelotão e encurtar distâncias e o risco para alguns favoritos já era evidente, com os derradeiros 50 quilómetros a chegarem sem que existisse um primeiro esboço para reduzir diferenças.
Atmosphere is on???? at Michaelskreuz climb and in Küssnacht????????
.#tourdesuisse #tds2025 pic.twitter.com/RWnllsFr31— Tour de Suisse (@tds) June 15, 2025
O pelotão alongava nos momentos de maior ritmo, a diferença tendia a não ter um grande decréscimo dos 3.30 minutos e o tempo também não ajudava, com a chuva a fazer um aparecimento indesejado para a parte final que causava sempre mais perigo pelas condições da estrada. Numa das subidas mais difíceis da tirada, a 35 quilómetros, a distância andava nos 3.05 minutos, com António Morgado na frente houve depois uma redução gradual que ficou afetada também por uma entrada na subida com muita água que obrigou alguns corredores a desmontar. As referências começavam a escassear pela falta de motas nos grupos, Julian Alaphilippe puxava na frente e no final da principal subida do dia também o grupo da frente estava partido, com Romain Grégoire a vir para a frente na descida com muito risco à mistura para a vitória.
First World Tour win for Romain Gregoire????????????
.@GroupamaFDJ pic.twitter.com/f8GGVHbv4d— Tour de Suisse (@tds) June 15, 2025
Apesar de dizer que não vem para a vitória na geral, o francês ficou com mais de três minutos de avanço sobre todos os potenciais favoritos que andaram atrás, tendo como principais “adversários” Vauquelin e, um pouco mais distante, Ben O’Connor. Já João Almeida, que nem no final quis arriscar algo mais, cortou a meta a 3.12 minutos de distância. Não é o último capítulo do português na Volta à Suíça mas vai ser uma tarefa muito, muito difícil encontrar a etapa que permita recolocar-se perto o suficiente para ganhar, sendo o mesmo aplicável a Woods, Tao Geoghegan Hart, Van Wilder, Pello Bilbao ou Geraint Thomas, entre outros.
Le classement de cette 1re étape du #TourdeSuisse, pour le 2e succès cette saison de Romain Grégoire. Le peloton, où se trouvait Joao Almeida, a franchi la ligne avec 3'22" de retard sur le Français (22 ans). Il y a quand même un coup à jouer pour le général avec Vauquelin. pic.twitter.com/RWpEu12HdZ
— Le Gruppetto (@LeGruppetto) June 15, 2025
Wait did Joao Almeida just lose Tour de Suisse on day one? ???? Ben O'Connor gained two minutes on him today, that's a lot! Didn't UAE sports directors watch last year's Vuelta?#TourdeSuisse pic.twitter.com/jFUuVpueWs
— Mihai Simion (@faustocoppi60) June 15, 2025