Não é uma regra cega, também não foge muito disso. À exceção de um triunfo do FC Porto no Pavilhão João Rocha frente ao Sporting e de uma vitória do Óquei de Barcelos no Pavilhão da Luz diante do Benfica, ambas após desempate por grandes penalidades, o playoff do Campeonato de hóquei em patins tem sido mais uma vez um constante desafio à condição do “fator casa”. Desafio sem sucesso, entenda-se, algo que se alargou à final com os visitados a levarem sempre a melhor no tempo regulamentar ou no prolongamento. Agora, de novo na Catedral, era isso que os dragões iriam tentar inverter com os minhotos, sabendo que um triunfo daria o bicampeonato numa temporada onde até tinho sido mais o conjunto de Barcelos a sair por cima.

“O FC Porto foi melhor do que nós no cômputo geral deste jogo 3 e por isso mereceu a vitória. Entraram bem e superiorizaram-se na primeira parte mas após o intervalo melhorámos e mostrámos o nosso verdadeiro caráter, a nossa verdadeira face, discutindo o jogo. Agora queremos vencer o próximo confronto em nossa casa para trazer para o Dragão, para a quinta partida, a decisão do título. Vamos fazer tudo por isso”, destacara Rui Neto, técnico dos minhotos, após a derrota de domingo no Dragão Arena, mostrando confiança que o registo caseiro no Campeonato com apenas um desaire em 18 encontros poderia de novo prevalecer.

“Entramos em todos os jogos para vencer e este não foge à regra. Temos a oportunidade de conseguir o Campeonato e queremos fechar a final. Esta final e todo o playoff têm sido muito equilibrados. Temos de entrar muito bem para darmos a entender que queremos muito vencer. Queremos dar continuidade a esta boa dinâmica defensiva e ofensiva para vencermos um adversário que tem feito uma excelente época. Não há muito que se possa mudar em tão pouco tempo. Acho que o conhecimento de ambas as equipas já é muito grande e o jogo vai decidir-se nos pormenores, nas faltas, nas bolas paradas e nos contra-ataques. Temos de estar focados no nosso trabalho e preocupar-nos em vencer”, salientara Gonçalo Alves, internacional que foi preponderante sobretudo na eliminatória das meias-finais frente ao Sporting para “resgatar” os dragões.

Conhecimento entre as duas equipas não faltava, tendo em conta os dez (!) jogos realizados entre ambos na presente temporada entre Elite Cup, Supertaça, Campeonato, Taça de Portugal e Liga dos Campeões, sem vitórias de visitantes e com o Óquei de Barcelos a vencer as duas decisões, neste caso na Supertaça e na Liga dos Campeões. Agora, o FC Porto contrariou a lógica e sagrou-se mesmo bicampeão, reforçando o estatuto de clube com mais títulos (26, mais dois do que o Benfica) em plena Catedral e “defendendo” a honra dos dragões nas modalidades de pavilhão com o único título conquistado nesta época de 2024/25.

A entrada no jogo acabou por fazer a diferença, com o FC Porto a passar para a frente numa transição com Rafa a assistir Gonçalo Alves (5′) e a aumentar a vantagem depois de uma recuperação de bola de Ezequiel Mena para o 2-0 de Carlo Di Benedetto (13′). Apesar da pressão, os minhotos conseguiram reduzir apenas em cima do intervalo, com Miguel Rocha a ganhar uma bola a Rafa entre muitos protestos de falta dos azuis e brancos para fazer o 2-1 (25′). No segundo tempo, Gonçalo Alves bisou num remate cruzado após saída rápida para o ataque (31′), Pedro Silva voltou a reduzir após ataque organizado com assistência de Pol Manrubia (35′) mas não se viram mais golos na Catedral, apesar dos livres diretos falhados por Gonçalo Alves e Luís Querido e do risco assumido na parte final pelos visitados a arriscarem o 5×4 sem guarda-redes.