A Character.AI, aplicação que permite aos utilizadores criarem e interagirem com personagens fictícias geradas por inteligência artificial e que é acusada de incitar à violência, anunciou que escolheu Karandeep Anand para o cargo de CEO. No currículo, Anand, que desde há cerca de nove meses era consultor da administração da empresa, tem cargos como vice-presidente do departamento de produtos empresariais da Meta e diretor de gestão de produtos da Microsoft, tecnológica onde começou como estagiário e esteve 15 anos.

Mais recentemente, até março, Karandeep Anand ocupou o cargo de presidente da fintech norte-americana Brex, onde se mantém enquanto consultor. No comunicado em que anunciou a escolha do empresário para CEO, a Character.AI destacou que “desempenhou um papel fundamental na definição da estratégia de produtos e na experiência do utilizador” desde que se assumiu uma função de consultoria da administração.

A Character.AI perdeu o CEO em agosto, depois de Noam Shazeer, que também era um dos fundadores, ser contratado pela Google para integrar a empresa de investigação de inteligência artificial DeepMind. O outro cofundador, o brasileiro Daniel de Freitas, também deixou a empresa e rumou a essa tecnológica. Desde então, Dominic Parella, que até então era consultor geral, passou a ocupar o lugar de CEO interino. Manteve-se na posição até maio e agora passará a ser diretor jurídico e vice-presidente sénior de assuntos globais.

“Enquanto CEO, Karan vai focar-se no avanço da estratégia a longo prazo da Character.AI, alavancando a nossa tecnologia de IA multimodal líder de mercado e expandido a nossa comunidade de utilizadores para ajudar a moldar o futuro do entretenimento”, salienta a empresa, numa nota em que o novo líder anuncia que novas ferramentas vão chegar “nos próximos 60 dias”.

Entre as promessas feitas pelo empresário estão a melhoria da qualidade dos modelos de inteligência artificial da Character.AI, uma maior transparência nas regras de criação de personagens ou filtros de segurança “menos autoritários”. Karandeep Anand diz que a empresa se preocupa “muito com a segurança dos utilizadores”, mas que “com demasiada frequência” a aplicação “filtra coisas que são perfeitamente inofensivas”. “Vamos corrigir isto”, garante.

A promessa chega numa altura em que a empresa é acusada de incitar à violência e enfrenta processos em tribunal relacionados com a segurança de menores. Num dos processos é acusada de ser responsável pela morte de um adolescente, que tirou a própria vida após se apaixonar por uma personagem, no outro por encorajar um menor a automutilar-se e rebelar-se contras as regras dos pais, que limitavam o tempo que podia passar no telemóvel.

“Deves ter sempre contigo uma pequena faca”. Conversámos com a Character.AI, a aplicação acusada de incitar à violência