Era um dos dias mais importantes na história da modalidade. Na Spodek Arena de Katowice, na Polónia, Portugal defrontava a Dinamarca no derradeiro jogo do Campeonato do Mundo Sub-21 e procurava chegar a um inédito título depois de já ter chegado a uma inédita final. Para isso, porém, era preciso derrotar uma equipa que contava com três troféus e 11 pódios no escalão.
Algo que não retirava motivação, entusiasmo e confiança a Carlos Martingo, o selecionador nacional. “Tenho muito orgulho do trabalho que fizemos até agora, mas também sabemos que a missão e objetivo que tínhamos traçado internamente ainda não está concretizado. Mas, por enquanto, o sentimento é de satisfação e orgulho. Nós sabíamos da dificuldade que iríamos encontrar, mas também sabemos que este grupo, independentemente dos jogadores que o compõem, é um coletivo com uma capacidade de luta, entrega e superação muito acima da média”, disse o treinador português na antevisão da partida.
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Na verdade, como também lembrou Carlos Martingo na última conferência de imprensa antes da partida, esta era uma geração habituada a finais: chegou a duas do Europeu Sub-20, em 2022 e 2024, ainda que tenha perdido ambas para Espanha. No Campeonato do Mundo que está a decorrer na Polónia, Portugal começou por ficar no primeiro lugar do Grupo II, à frente de Suécia, Croácia e Japão, e eliminou depois Egito e Ilhas Faroé. Já a Dinamarca, que venceu o Grupo III, afastou Noruega e Suécia.
Assim, este domingo e numa primeira parte difícil para os portugueses, a equipa de Carlos Martingo até marcou primeiro por intermédio de Gabriel Cavalcanti mas acabou por ser traída por duas exclusões quase seguidas de Ricardo Brandão que expuseram as fragilidades nacionais. A Dinamarca aproveitou para ir cavando alguma vantagem, chegando a ganhar por seis no pior período português, e Portugal demonstrava nervosismo e falta de eficácia — até nos livres de sete metros, concretizando um em três.
Pelo meio, destacava-se a boa exibição de Diogo Rêma na baliza, que só não tinha mais relevância por ter um paralelo absoluto na prestação do homólogo dinamarquês. Ao intervalo, Portugal estava a perder com a Dinamarca por 10-14 e existia a ideia de que o resultado, sem ser positivo, permitia resguardar alguma esperança — ainda que para isso fosse necessário um discernimento muito maior que evitasse o exagero de falhas técnicas.
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Portugal pareceu entrar melhor na segunda parte, com Diogo Rêma a manter-se o elemento mais importante da equipa e o grande responsável pelo facto de a Dinamarca não conseguir disparar no resultado. As falhas técnicas persistiam, ainda assim, e nem a boa exibição do guarda-redes do FC Porto ajudava a que a seleção portuguesa se aproximasse o suficiente dos dinamarqueses, atuando constantemente a um mínimo de três golos do adversário.
A equipa de Carlos Martingo conseguiu finalmente chegar aos dois golos de desvantagem a menos de 15 minutos do final, motivando um time out pedido pela Dinamarca, mas tudo voltou a complicar-se com a exclusão de Rafael Vasconcelos, uma lesão de Gabriel Cavalcanti num dedo que forçou a ida do lateral do Benfica ao hospital e um cartão vermelho a João Lourenço. Mesmo assim, em inferioridade numérica, Portugal conseguiu reagir e ficar a um golo de diferença pela primeira vez na segunda parte através de um livre de sete metros.
Ainda assim, já não foi suficiente. No fim, a Dinamarca venceu Portugal e conquistou o Campeonato do Mundo Sub-21 pela quarta vez (26-29), com os portugueses a falharem o primeiro título de sempre das seleções de andebol, mas a alcançarem o melhor resultado no escalão na prova depois do terceiro lugar de 1995.
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