Vários momentos de ataque do Benfica ao Conselho de Disciplina e à própria Federação, vários jogos de castigo para jogadores do Sporting entre Matheus Reis, Geovany Quenda e Zeno Debast (numa lista que pode aumentar até à Supertaça), mais “farpas” dos encarnados pelo que aconteceu na final da Taça de Portugal, sobretudo o lance em que Matheus Reis pisou a cabeça de Andrea Belotti nos últimos minutos do tempo regulamentar sem qualquer sanção. Ao longo das últimas semanas, o Sporting foi preferindo não responder de forma direta a todas as críticas feitas pelo rival. Agora, chegou o contra-ataque. E entre seis casos que apontam para demora nas decisões ou dualidade de critérios, os leões falam de um processo que por pouco não colocou os contratos de Gyökeres ou Hjulmand, entre outros, nas mãos de Benfica e César Boaventura.

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“O Sporting continua a ser, hoje, exatamente aquilo que sempre foi: um clube que defende a independência das instituições que tutelam o futebol. Essa independência é essencial para que essas entidades atuem de forma objetiva, credível e equitativa, permitindo que, dentro das quatro linhas, os clubes possam competir em igualdade de circunstâncias – sendo a única desigualdade aquela que resulta do mérito desportivo. É neste contexto que o Sporting se pronuncia a respeito das decisões do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol que colocam em causa a integridade das competições e a credibilidade da justiça desportiva”, começa por dizer o comunicado emitido esta terça-feira, antes dos casos práticos.

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“1) Celeridade. O jogador Conrad Harder, do Sporting, foi suspenso por um jogo no dia 17/04/2025. O recurso apresentado foi decidido pelo Conselho de Disciplina após o cumprimento da suspensão, no dia 24/04/2025. Uma decisão inútil no tempo, que retira qualquer efeito útil ao direito de defesa. 2) Igualdade. Conrad Harder gritou ‘Yeah’ a um adversário e foi punido com um jogo de suspensão. Esgaio, Quenda e Debast terão supostamente dirigido a expressão ‘Chupa c**’ a um adversário e também foram suspensos por um jogo. Já António Silva, jogador do Benfica, gritou ‘Chupa’ no corredor de acesso aos balneários, provocando uma reação de elementos do FC Porto. A sanção? Uma multa de 408 euros”, advoga.

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“3) Isenção. O presidente do Sporting foi suspenso por 51 dias por decisão datada de 03/04/2025. A notificação da decisão só foi feita no dia seguinte, no dia 04/04/2025, atrasando o início do cumprimento da suspensão. Consequência desse atraso, o castigo apenas terminou no dia 25/05/2025 (em vez de 24/04/2025), dia da final da Taça de Portugal, impedindo o presidente do Sporting de aceder à zona técnica e acompanhar a equipa no jogo. 4) Imparcialidade. Durante a sua suspensão, o Presidente do Sporting limitou-se a fazer declarações públicas de apoio à equipa e respeito pelo adversário, incluindo na Câmara Municipal de Lisboa no âmbito de uma cerimónia oficial organizada pelo município. Em contraste, o presidente do Benfica confrontou e dirigiu várias acusações contra o presidente da FPF na tribuna do Jamor e o presidente do FC Porto acusou publicamente o presidente do Sporting de ‘coagir árbitros’. Resultado? Dois processos disciplinares instaurados ao presidente do Sporting, zero processos disciplinares contra os presidentes do Benfica e do FC Porto”, aponta depois o mesmo comunicado para falar dos diferentes “pesos”.

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“5) Coerência. No caso Conrad Harder, o Conselho de Disciplina defendeu a teoria da ‘field of play‘ para validar a decisão da equipa de arbitragem. No caso Matheus Reis, essa mesma teoria foi distorcida, afastando-se o entendimento anteriormente assumido pelo órgão relativamente à valoração das decisões do VAR para punir o jogador com uma suspensão de quatro jogos. 6) Rigor. No âmbito do processo disciplinar instaurado contra o jogador Matheus Reis – na sequência de uma participação disciplinar apresentada pelo Benfica e por César Boaventura com base num vídeo em que alegadamente profere determinadas declarações junto ao autocarro da equipa – o Conselho de Disciplina juntou aos autos os contratos referentes à contratação dos jogadores Matheus Reis, Gyökeres, Hjulmand e Quenda, incluindo os respetivos contratos de transferência, contratos de trabalho e contratos de intermediação com agentes de futebol”, acusam os leões.

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“Não fosse a pronta intervenção da Sporting SAD no sentido de os documentos serem imediatamente desentranhados dos autos, o Benfica e César Boaventura teriam tido – presumindo que não tiveram – acesso a documentos confidenciais com segredos comerciais do Sporting e dados pessoais dos jogadores devido à decisão do Conselho de Disciplina da FPF de juntar aos autos elementos totalmente irrelevantes e desconexos com o objeto do processo disciplinar. Pergunta-se: a que propósito se expõem contratos confidenciais num processo disciplinar com base num vídeo? Os factos e a sua disparidade falam por si”, conclui o clube de Alvalade no longo comunicado emitido na manhã desta terça-feira.