Enea Bastianini nem começou o fim de semana, Maverick Viñales e Franco Morbidelli falharam a corrida principal depois de lesões em saídas de pista, ainda houve mais oito quedas ou problemas nas motos em toda a prova. À exceção do inevitável Marc Márquez, que teve mais um “passeio” para reforçar a liderança no Mundial de MotoGP, e do antigo campeão mundial Fabio Quartararo, que não chegou ao pódio mas chegou ao melhor resultado do ano, o Grande Prémio da Alemanha não deixou propriamente muitas saudades entre os pilotos. Miguel Oliveira, que abandonou na quarta volta, não foi exceção. E, no final, imperou toda a frustração por não ter acabado uma corrida onde poderia de forma tranquila fazer o primeiro top 10 do ano.
“Simplesmente perdi a frente na última curva. O Raul Fernández tinha-me ultrapassado na curva 8 mas voltei [à posição] por dentro [da trajetória] e fui perdendo algum contacto com o [Luca] Marini. No entanto, já estava a recuperá-lo até que, na última curva, para a qual até travei mais cedo do que o costume, inclinei a mota mais três graus e acabei por perder a frente. Foi uma queda muito estranha numa fase muito precoce da corrida, o que torna as coisas ainda mais desapontantes. Estava curioso para saber que ritmo poderia ter. Sinto que perdi pontos valiosos, até tendo em conta o número de pilotos que terminaram a corrida”, lamentou o piloto português depois da segunda desistência seguida, entre Países Baixos e Alemanha.
No meio da falta de resultados, e também pela contratação do prodígio turco Toprak Razgatlioglu, o futuro de Miguel Oliveira foi ainda mais falado durante a semana. Começa a ser ventilado o interesse de várias marcas das Superbikes, que olham de forma atenta para pilotos com as características do português pela experiência em trabalhar motos, surgem informações de que o número 88 pretende continuar no MotoGP mesmo que seja como piloto de desenvolvimento, há também quem admita que a ligação próxima que tem com Fabio Quartararo pode contribuir para que permaneça na Yamaha. Alheio a todas as notícias, o Falcão queria voltar a voar onde se sente mais confortável, tendo esses sinais positivos dos testes feitos em Brno.
“Tivemos dois dias de testes muito produtivos em Brno e terminámos com um bom sentimento no geral. Dito isto, é sempre difícil avaliar tudo sem ser capaz de me comparar com o resto do plantel. Ainda assim, ter tantas voltas acumuladas deverá ajudar. Esperamos começar forte desde sexta-feira, o que irá ajudar-nos no resto do fim de semana. Está exatamente como me lembrava dele, em 2020, quando competimos aqui pela última vez. É uma pista muito larga, na altura do teste viemos de Assen direto para aqui por isso senti que estava a rodar numa autoestrada. O aspeto mais incrível é a aderência. Foi muito boa”, destacava.
“Uma das razões porque não viemos mais aqui foi por causa da baixa aderência e penso que eles fizeram um grande trabalho. Já vamos começar com um bom nível de aderência e isso vai ajudar-nos um pouco, pelo menos é isso que esperamos. Este ano nas pistas com mais aderência e onde conseguimos não sobreaquecer os pneus, geralmente deu bons resultados. Vai ser um começar do zero para todos, não quero ter muitas expectativas para a corrida. Demorei cinco a dez voltas para relembrar a pista, até porque as motos são agora muito diferentes do que eram em 2020. Não penso que vá ter uma grande vantagem mas na afinação e eletrónica, talvez seja uma pequena vantagem que temos”, acrescentou, citado pelo MotoJornal.
Estava tudo lançado para um fim de semana de redenção, que começou com uma 12.ª posição na primeira sessão de treinos livres depois de vários momentos em que rodou no top 10. Não foi o melhor posto tendo em conta tudo o que aconteceu em treinos marcados pela aparatosa queda de Ai Ogura, deixou boas expetativas não só pelo rendimento da moto mas também pelo andamento conseguido pelas Yamaha, com Jack Miller a ficar com o segundo registo apenas atrás de Marc Márquez, Álex Rins em nono e Fabio Quartararo em 11.º num período em que a pista foi secando e as últimas voltas fizeram baixar bastante os registos. À tarde, a chuva voltou a aparecer e em força, com a sessão adiada quase meia hora para que o traçado secasse.
Essa condicionante fez com que a estratégia habitual de “resguardar” os melhores registos para um período de time attack mais na parte final fosse revista, tendo em conta que poderia voltar a chover em qualquer fase e as condições poderiam tornar-se mais complicadas. Nessa fase, Miguel Oliveira ainda esteve nas posições top 10, caindo de oitavo para décimo e de décimo para 12.º a meio da sessão vespertina até ao 16.º posto quando regressou de novo à pista e ao 17.º após ter estado de novo à porta do top 10. Ficava tudo em aberto para a parte final, com a água no terceiro setor a colocar como improváveis grandes mexidas apesar dos trajetos mais secos que se iam começando a formar. O sol ainda voltou, o mal estava feito e o português, que abortou a última volta lançada depois de um mau primeiro setor, ficou-se por um modesto 19.º lugar.
À semelhança do que acontecera de manhã, Marc Márquez ficou com o melhor tempo e passou à Q2 como o mais rápido (2.03,935), seguindo-se Johann Zarco, Fabio Quartararo, Marco Bezzecchi, o regressado Jorge Martín, Jack Miller, Joan Mira, Enea Bastianini, Álex Márquez (que caiu a seis minutos do fim mas foi a tempo de chegar ao top 10) e Pedro Acosta. Entre as Yamaha, além das passagens diretas de Quartararo e de Jack Miller, Álex Rins também não foi além do 14.º posto e terá de passar pela Q1 como Miguel Oliveira.