A casa e o gabinete político do antigo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, assim como a sede do Partido Liberal, em Brasília, foram esta sexta-feira alvo de buscas por parte da Política Federal. Bolsonaro foi ainda alvo de medidas de coação: passa a ter de utilizar pulseira eletrónica e não poderá aceder às suas redes sociais ou contactar com várias pessoas, relatou o portal G1. Em declarações aos jornalistas, Bolsonaro falou numa “suprema humilhação“.

As buscas e as medidas de coação foram ordenadas pelo juiz Alexandre de Moraes — responsável pelo caso em que Bolsonaro é acusado de tentativa de golpe de Estado na invasão à Praça dos Três Poderes, a 8 de janeiro de 2023 — no âmbito de uma investigação do Supremo Tribunal Federal, que averigua os crimes de obstrução à justiça e coação.

A decisão é justificada com uma confissão “consciente e voluntária” do antigo Presidente de uma tentativa de influenciar a justiça brasileira e os processos que enfrenta, coordenada com o seu filho Eduardo Bolsonaro, que está a viver nos Estados Unidos. Além disso, as autoridades identificaram um risco de fuga de Jair Bolsonaro.

No âmbito desta investigação, foram aplicadas várias medidas de coação. Para além da utilização de pulseira eletrónica e do impedimento de utilizar as redes sociais, o antigo chefe de Estado está impedido de sair em casa durante a noite (entre as 19h e as 7h) e de contactar com embaixadores, diplomatas estrangeiros, com os restantes réus ou com o filho, Eduardo Bolsonaro.

Nas suas declarações, para além de declarar que se sentiu “humilhado” — de acordo com aliados próximos, citados pelo Metrópoles, o ex-Presidente estava em casa aquando das buscas –, o ex-Presidente acusou a Polícia Federal de “não ter provas” e de se basear numa “suspeita [que] é um exagero”. “Não tenho a menor dúvida que é perseguição”, afirmou perante os jornalistas.

A pen na casa de banho, os dólares “com recibo” e o alegado plano de fuga

As buscas da Polícia Federal revelaram a existência de uma pen na casa de banho, que foi levada para análise pelas autoridades. Questionado pelos jornalistas sobre o objeto, Jair Bolsonaro desvalorizou a sua importância. A polícia encontrou ainda cerca de 14 mil dólares e oito mil reais — qualquer quantia acima de 10 mil dólares precisa de ser declarada à Receita Federal.

Sobre o dinheiro, o antigo Presidente disse que “sempre teve dólares em casa“. A quantia encontrada em sua casa foi levantada este ano e tem “um recibo do Banco do Brasil”, garantiu aos jornalistas. O valor serviu para fundamentar as suspeitas das autoridades de que Bolsonaro estaria a planear fugir do país. “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para uma embaixada”, declarou sobre os alegados planos de fuga, acrescentando depois que, se o quisesse fazer, “sair do Brasil é a coisa mais fácil“.

Fora do país, encontra-se Eduardo Bolsonaro, terceiro filho do político brasileiro, que o pai diz estar “nos Estados Unidos a lutar pela democracia e pela liberdade” e que reagiu às buscas e às medidas de coação, numa publicação em inglês em que criticou o Juiz Alexandre de Moraes.

Já o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, deixou nas suas redes sociais uma longa publicação em que expressa o seu apoio pelo pai. “Fica firme, pai, não vão nos calar”, pode ler-se no texto, em que o senador repete as ideias de “humilhação” e “luta pela liberdade”. Flávio declara que o facto de as buscas terem sido levadas a cabo no dia 18 de julho, Dia Internacional Nelson Mandela “não é uma coincidência apenas” e que isso prova a “inocência” de Jair Bolsonaro.