O Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou esta segunda-feira que o Brasil quer sentar-se à mesa com os Estados Unidos para resolver o impasse das tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump e que entram em vigor na sexta-feira. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, encontra-se nos EUA, tendo já sinalizado a disposição de conversar com as autoridades norte-americanas sobre as taxas alfandegárias.
“Eu espero que o Presidente dos Estados Unidos reflita a importância do Brasil e resolva fazer aquilo que no mundo civilizado a gente faz”, começou por dizer o chefe de Estado brasileiro, num evento no estado do Rio de Janeiro.
“Tem divergência? Sente numa mesa, coloque a divergência do lado e vamos tentar resolver e não de uma forma abrupta, individual, de tomar a decisão que vai taxar o Brasil em 50%”, declarou.
No mesmo discurso, Lula da Silva voltou a culpar a família do ex-Presidente Jair Bolsonaro pela imposição das tarifas.
“Isso é o filho do coisa e o coisa que está pedindo para fazer”, disse, referindo-se ao filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro, que se encontra nos EUA a fazer lobby a favor do pai, que está a acusado de tentativa de golpe de Estado e que agora está sob várias medidas de coação como o uso obrigatório de pulseira eletrónica.
“É uma falta de vergonha, falta de caráter, de patriotismo”, frisou Lula da Silva.
A diplomacia brasileira já disse à contraparte norte-americana que o ministro das Relações Exteriores, que chegou no domingo a Nova Iorque para participar na Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e para a Implementação da Solução de Dois Estados, vai estar no país até quarta-feira. “Nós sinalizámos ao governo que o ministro estaria disposto a conversar com autoridades sobre o tema das tarifas”, disse à Lusa fonte do Itamaraty.
Frisaram também a “disposição em dialogar e abrir espaço para negociação”, explicou a mesma fonte, avisando, contudo, que o ministro brasileiro só conversará com autoridades de “nível hierárquico adequado”.
Segundo a imprensa brasileira, os canais diplomáticos entre os dois países estão praticamente desligados, sendo que a única ligação com a Casa Branca é Eduardo Bolsonaro.
No dia 9 de julho, Trump publicou uma carta endereçada ao Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nas suas redes sociais, anunciando a aplicação de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos a partir de 1 de agosto.
Segundo Trump, a medida representa uma consequência da “caça às bruxas” sofrida pelo ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado.
Na mesma ocasião, Lula da Silva referiu-se ainda a uma alegada intenção dos EUA, segundo a imprensa local, de reduzir as tarifas caso o Brasil aceite ceder parte das suas terras raras.
Lula disse que soube disso pela imprensa, mas que não pode aceitar entregar uma riqueza que pertence ao povo brasileiro.
“Eu fico sabendo que os EUA vão ajudar a Ucrânia, mas está querendo ter privilégio nos minerais críticos da Ucrânia. Que os EUA têm interesse nos minerais críticos do Brasil”, afirmou, questionando: “Por que eu vou deixar para outro pegar?”,
Lula disse ainda ter criado uma comissão para fazer um inventário das riquezas minerais do país, das quais apenas 30% são conhecidas.