A Caetano Bus, uma empresa localizada em Gaia e que tem como sócios a portuguesa Salvador Caetano e o gigante japonês Toyota, é especializada em veículos pesados para o transporte de passageiros, os tradicionais autocarros. Além dos Cobus, baixos e largos, concebidos especificamente para operar nos aeroportos, a empresa produz autocarros 100% eléctricos alimentados por bateria e modelos similares em que a energia, em vez de armazenada a partir da rede eléctrica, é gerada a bordo a partir do hidrogénio. Estes últimos. os mais recentes, lideram a oferta europeia com esta tecnologia e iniciaram agora a exportação das primeiras unidades para a Finlândia.

Apesar de os autocarros da Caetano Bus se destinarem ao transporte público de várias dezenas de pessoas em ambiente urbano e semi-urbano, a opção para marcar esta entrada no mercado finlandês levou o fabricante de Gaia a escolher a prova local do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC). A explicação para esta coincidência esteve certamente relacionada com a presença dominadora da Toyota no WRC, em que conquistou os últimos quatro campeonatos mundiais consecutivos, além de cinco títulos de campeão para pilotos, nas últimas seis épocas.

Depois de ter comercializado mais de duas centenas de modelos H2.City.Gold, os autocarros a hidrogénio da casa, a Caetano Bus exportou as primeiras cinco unidades para a Finlândia que vão integrar um projecto-piloto da Central Finland Mobility Foundation. Centrando a operação na cidade finlandesa de Jyväskylä, estes autocarros estão integrados no sistema de transporte público local, com a finalidade de descarbonizar as frotas deste tipo de veículos e cumprir as metas impostas pela União Europeia.

Em vez de armazenarem a energia de que necessitam na bateria, como acontece nos autocarros e.City.Gold da Caetano Bus, os H2.City.Gold estão equipados com uma bateria muito pequena (para assegurar a fase de arranque e fornecer um boost de energia), com a geração de electricidade a ocorrer a bordo através de células de combustível (fuel cells) a hidrogénio. Esta tecnologia, que é controlada pela Toyota e utilizada por esta em automóveis como o Mirai, permite que as operações de carregamento (abastecimento de hidrogénio) tardem minutos, em vez das horas necessárias para recarregar a bateria dos modelos e.City.Gold, que montam acumuladores com uma capacidade próxima de 350 kWh, para atingir uma autonomia de 200 km.

Os modelos H2.City.Gold são consideravelmente mais leves, apesar de necessitarem de postos de abastecimento muito dispendiosos, que produzem hidrogénio no local — em estado praticamente puro (98%) e verde, por ser gerado a partir da electrólise da água — para abastecerem os veículos a uma pressão de 350 bar. Têm a vantagem de recorrer a uma bateria com apenas 44 kWh e uma fuel cell de 60 kW (cerca de 82 cv), alimentada pelo hidrogénio contido nos depósitos com uma capacidade de 38 kg, que tardam somente 9 minutos a reabastecer. A potência do motor, similar aos e.City.Gold, é de 180 kW, com picos de 350 kW.