O presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, defendeu esta quarta-feira numa conferência no Japão que “não há alternativa ao multilateralismo” e lamentou a “persistente dificuldade” que os países africanos têm no acesso aos mercados financeiros internacionais.
“Vivemos num mundo de absoluta interdependência entre as nações e, por isso mesmo, não há alternativa ao multilateralismo em cujo contexto se devem discutir os grandes problemas globais”, defendeu o Presidente de Angola no discurso feito em nome da União Africana na 9.ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD), que decorre esta semana em Yokohama, no Japão.
No discurso, João Lourenço lamentou o “ressurgimento do protecionismo e das tensões geopolíticas, situação que põe claramente em risco a ordem mundial baseada no direito internacional e nas normas universais que regem as relações entre os Estados” e elogiou a postura do Japão, “parceiro incontornável” dos países africanos.
O Japão, disse, tem uma “atitude diferente na relação financeira com África”, um continente que “continua a deparar-se com barreiras persistentes e um acesso limitado e sinuoso ao financiamento internacional, situação que se agrava com as notações de crédito que nos colocam vários desafios, uma vez que muitos países africanos são considerados mutuários de alto risco, dificilmente elegíveis ao capital de baixo custo, que é absolutamente essencial para o investimento em infraestruturas, a eletrificação, a industrialização e o avanço tecnológico”.
Na intervenção, João Lourenço defendeu ainda que “é fundamental que ao nível das instituições internacionais de crédito, das de apoio ao desenvolvimento, bem como os países credores, se consiga conceber fórmulas que facilitem o financiamento necessário à concretização da agenda de desenvolvimento de África, de que derivará a sua contribuição para o fortalecimento e uma maior resiliência da economia global”.
A TICAD decorre até sexta-feira em Yokohama, no Japão, com o tema ‘Fortalecimento das parcerias para o desenvolvimento sustentável do continente africano’, tendo entre os participantes o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, e o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva.
Japão é um “excelente parceiro” de África, diz primeiro-ministro de Cabo Verde
O primeiro-ministro de Cabo Verde considerou que o Japão é “um excelente parceiro” de África para impulsionar o crescimento das economias e usar os recursos do continente de forma mais rentável.
“O Japão, com a sua experiência em conhecimento, tecnologia e cooperação pragmática, é um excelente parceiro para impulsionarmos conjuntamente o crescimento sustentável das economias africanas e fazermos um uso mais rentável dos imensos recursos naturais de África”, disse Ulisses Correia e Silva.
Falando no evento temático ‘Construir um sistema alimentar resiliente e uma economia local em África ancorada na economia azul e na agricultura’, Correia e Silva vincou que “o desenvolvimento da economia azul e da agricultura é uma prioridade estratégica para África”.
Estes dois setores, explicou, “podem contribuir significativamente para a redução da insegurança alimentar, a diversificação das economias e o aumento do comércio regional e internacional”.
Na intervenção, o primeiro-ministro de Cabo Verde salientou que o arquipélago investiu fortemente em medidas que compensem a forte exposição do país a secas severas, apontando os exemplos da produção de água dessalinizada, e a aposta na agricultura como forma de reduzir a insegurança alimentar e as importações.
“Na agricultura e na economia azul, criam-se oportunidades para o investimento privado com ecossistemas que incentivam a inovação e a produtividade”, concluiu.