Era um jogo que não devia ter história, tornou-se um jogo com muito mais história do que se pensava. No final, e de uma forma natural, a Sérvia, uma das melhores equipas do Mundo e candidata número 1 à vitória no Europeu, venceu Portugal e somou o segundo triunfo na primeira fase da competição. Ainda assim, toda a resistência que a Seleção Nacional foi conseguindo dar, chegando a 1.40 minutos do fim com apenas sete pontos de diferença (74-67), acabou por ser um “prémio” quase em forma de vitória para o que se segue neste grupo A do Campeonato da Europa, com mais três jogos por realizar até à próxima quarta-feira.

A coragem de Diogo ainda tentou desafiar o impossível: Portugal cai de pé contra a Sérvia de Jokic e companhia no Europeu

“O nosso pensamento é sempre o mesmo: primeiro temos de tomar conta do que depende de nós, o que passa por nos prepararmos bem, para podermos competir ao nível mais elevado que conseguirmos e, a partir daí, podemos ganhar jogos. Hoje conseguimos competir. Não estivemos tão bem como poderíamos ter estado na percentagem de lançamentos de dois pontos (39%) e em oportunidades de contra-ataque, algumas delas que foram jogadas de quatro pontos. Por isso, não conseguimos ir mais além e, na parte final, os últimos dois triplos são duas borlas, na ânsia de roubar bolas, numa altura em que já não havia hipóteses de ganhar o jogo. Se não temos cometido esses erros o jogo até tinha ficado mais apertado, mais equilibrado, embora valesse o mesmo. Estou muito satisfeito com a forma como a equipa competiu. Sei que isto é o que a equipa tem de fazer sempre e juntar a isso a melhoria em alguns aspetos”,  comentou o técnico Mário Gomes.

“O que mudou no meu jogo? Foi as bolas terem entrado e não terem entrado no outro dia com a Rep. Checa mas a atitude é a mesma, a confiança é a mesma, a tranquilidade é a mesma. Treino todos os dias e sei que consigo marcá-las. Se estiver sozinho, vou continuar a lançar, independentemente de entrarem ou não”, frisou também Diogo Brito, que depois de um encontro sem lançamentos convertidos a abrir foi o melhor marcador de Portugal diante da Sérvia. “Este jogo com a Turquia terá pouco tempo de descanso para as duas equipas mas o torneio é assim, são cinco jogos em sete dias. Estamos bem preparados fisicamente, fizemos uma preparação dura para chegar aqui e podermos fazer os jogos todos na melhor condição possível. Vai ser a mesma atitude, com o mesmo o 100% do nosso esforço”, acrescentou o jogador do Obradoiro.

Esse era um dos pontos a ter em conta. Ao contrário do que aconteceu entre Rep. Checa e Sérvia, o jogo com a Turquia, outra das formações candidatas a seguir para a fase seguinte e que chegava com dois triunfos com Letónia (93-73) e Rep. Checa (92-78), tinha apenas 24 horas de descanso, com maiores dificuldades para a Seleção nesse sentido. Em paralelo, restava também outra dúvida: não sendo um jogo decisivo para Portugal tendo em vista a segunda fase (esses ficarão para Letónia e sobretudo Estónia), a Turquia, onde estavam em destaque os jogadores NBA Alperen Sengün (Houston Rockets) e Adem Bona (Philadelphia 76ers), tinha mostrado duas faces distintas no Europeu, com uma exibição em grande a abrir com a Letónia e uma partida menos conseguida apesar do triunfo com a Rep. Checa depois de um primeiro período desastroso.

As mãos de Lisboa a colorir uma parede chamada Neemias: Portugal vence Rep. Checa no regresso a um Europeu de basquetebol 14 anos depois

Num dia que começou com o triunfo da Estónia diante da Rep. Checa e que teve mais uma vitória da Sérvia mais “apertada” do que era esperado com a anfitriã Letónia, o encontro começou com um ritmo alto, muitos pontos e a Turquia a levar Mário Gomes a pedir um desconto de tempo cedo, visivelmente agastado com a passividade revelada pela defesa nacional. Portugal ainda conseguiu reduzir a desvantagem com Neemias Queta a levar a equipa às costas (8-7) mas a forma como os turcos defendiam os bloqueios diretos e o jogo ofensivo conseguia colocar em ação Alperen Sengün voltou a fazer disparar a vantagem para um 22-13 após um parcial de 4-0 no último minuto num encontro onde eram os postes da NBA que ditavam as leis, com Sengün a levar já 14 pontos e três ressaltos contra oito pontos e três ressaltos de Neemias Queta.

Com Shane Larkin a ser fundamental no comando dos ataques da Turquia (não é por acaso que tem o nome ligado a quase todas as equipas da Euroliga quando está prestes a terminar contrato…), Portugal continuava a ter falta de argumentos defensivos para travar o conjunto de Ergin Ataman, valendo os triplos de Francisco Amarante e Rafael Lisboa para manterem o encontro com uma desvantagem a rondar os dez pontos (32-21) mas com Travante Williams a chegar demasiado cedo à terceira falta e a Turquia a fazer pontos na transição para disparar no marcador para 37-21. Mário Gomes voltava a pedir um desconto de tempo, mais para olhar para situações ofensivas do que para a defesa, mas o desequilíbrio era notório ao intervalo (51-27). Alperen Sengün levava já 20 pontos com cinco ressaltos e três assistências, Neemias “parara” nos oito.

Ganhar o jogo era uma miragem mas o recolher aos balneários poderia ser fundamental para aquilo que se seguia. Em termos práticos, a qualificação de Portugal para a segunda fase passava pelo jogo com a Estónia, não sendo impossível pelo menos disputar a partida que antecedia essa “final” com a Letónia. Por isso, e com apenas 24 horas de descanso depois do encontro intenso com a Sérvia, o grande objetivo da Seleção passava por não deixar que o resultado fosse para números ainda mais pesados, podendo fazer uma maior rotação e trabalhar para os próximos duelos. Outra diferença: até com 25 pontos de avanço, a Turquia continuava a defender com intensidade, jogando bem poste-poste e mantendo uma percentagem de lançamento muito acima de Portugal. Foi isso que contribuiu para uma partida com pouca história nos 20 minutos finais, com os turcos a somarem o terceiro triunfo consecutivo no grupo A do Europeu por 95-54 e o técnico Mário Gomes a ser desqualificado a quatro minutos do final por protestar uma clara falta ofensiva.