Carlos Lisboa chegou a ser um nome ventilado na altura em que nasceram as equipas canadianas na NBA (os Toronto Raptors ainda hoje se mantêm na prova, os Vancouver Grizzlies passaram a franquia para Memphis em 2001), Betinho Gomes também terá sido cogitado para o draft, Neemias Queta conseguiu derrubar essa espécie de muralha que existia em relação a jogadores portugueses na principal liga mundial de basquetebol – com esse fator extra de sagrar-se campeão em 2024, no primeiro ano após a troca entre Sacramento Kings e Boston Celtics. A partir daí, aos poucos, tudo começou a mudar na modalidade também no país, fruto da referência há muito desejada. O impacto chegou também ao setor feminino, na formação e na primeira presença de sempre num Campeonato da Europa de seniores. Agora chegava a hora do masculino.
Derrota da Ucrânia coloca Portugal no Euro de 2025 ainda antes da seleção entrar em campo
Parecia uma participação quase natural, perante aquilo que foi sendo feito nos últimos anos, mas Portugal entrava na fase final de um Europeu apenas pela quarta vez na história, depois do convite recebido em 1951 (derrotas com Bulgária e Grécia, “vitória” com a Roménia que desistiu) e das qualificações alcançadas em 2007 e 2011. Para se perceber as dificuldades, nesse ano de 2007, em Espanha, a Seleção passou à segunda fase com um triunfo diante da Letónia e terminou na nona posição com mais uma vitória frente a Israel, ao passo que em 2011 não evitou as cinco derrotas noutros tantos jogos para uma 21.ª posição no final. Agora, no regresso, a ideia passava por sonhar. Sonhar com o que era possível, que passava por somar um triunfo na primeira fase, sonhar com o que parecia impossível, que era chegar à segunda fase com duas vitórias.
Neemias quer “competir e representar Portugal da melhor forma” no Eurobasket
“Qualificámo-nos depois de 14 anos. Foi uma longa espera para chegar a este Europeu mas temos objetivos. Em fevereiro, quando nos qualificámos, antes de sabermos quem teríamos e quem defrontaríamos, determinámos um objetivo, que é passar a primeira ronda. Vamos ver se conseguimos. Tenho a certeza que estamos prontos para jogar mas as outras equipas também. Vamos ver o que conseguimos fazer porque as outras equipas têm o mesmo objetivo. Fizemos uma boa preparação, com alguns problemas e lesões, mas agora todos estão saudáveis. Os jogos de preparação deram boas sensações mas agora é a sério”, destacava Mário Gomes, antigo técnico adjunto ainda nos tempos de Mário Palma que assumiu depois como principal, falando de um trajeto onde Neemias Queta teve uma pequena lesão e Rúben Prey não foi dispensado pela sua universidade norte-americana, a St. John’s, impedindo que Portugal fizesse diferença com duas “torres”.
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Ainda assim, os resultados nos encontros particulares foram aumentando a confiança, da vitória frente à Espanha ao triunfo no Torneio Internacional de Braga com Islândia e Suécia, passando pelo último teste com o Sporting antes da viagem para Riga, onde serão realizados todos os encontros do grupo A da primeira fase. Primeiro adversário? Rep. Checa, equipa que esteve nas últimas quatro fases finais e que se qualificou de forma surpreendente para os Jogos de Tóquio mas que atravessava agora um período de menor fulgor com algumas lesões de peças importantes à mistura. Entre uma competição que conta com estrelas como Nikola Jokic, Luka Doncic, Kristaps Porzingis ou Giannis Antetokounmpo, este seria o jogo teoricamente mais equilibrado do dia, o que abria ainda mais essa ambição de ser outsider e marcar uma posição a abrir.
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“O facto de estarmos aqui só é possível porque a equipa tem qualidade. Não me considero, nem nunca considerarei, um guru destas coisas. Temos uma equipa com qualidade para estar aqui, com jogadores com qualidade suficiente para chegar aqui. São melhores do que se pensa em Portugal. O que isto significa para o basquetebol português depende mais do que faremos a seguir, do que o que fizemos até agora. Vamos ver como esta oportunidade é aproveitada. Espero que traga como consequência acreditar-se mais no jogador português em Portugal do que atualmente se acredita. Se for só isso, ajudará a melhorar o nosso basquetebol. Até agora, fez-se o importante mas o comboio não pára”, salientara Mário Gomes na antecâmara da estreia.
Portugal vence Espanha no primeiro jogo de preparação para o Eurobasket
Olhando para o resto do grupo, com Sérvia, Turquia e Letónia a surgirem num patamar acima das restantes três equipas, seria entre Rep. Checa, Portugal e Estónia que se iria discutir a quarta vaga de qualificação para a segunda fase. Ou seja, e em termos práticos, ou a Seleção conseguia bater as formações que apresentavam um nível mais próximo do seu ou teria depois de surpreender um dos principais destaques do grupo A (ou então ficar dependente de uma conjugação de resultados onde um triunfo fosse suficiente para passar nos desempates). E o início, com muito para melhorar, foi o mais desejado: a Seleção, com Neemias Queta e Rafael Lisboa em destaque, conseguiu vencer os checos entre uma masterclass em termos defensivos.
???? 23 PTS 18 REB 4 BLK 39 EFF
???????? Neemias Queta is the first player with more than 20 PTS & 15 REB in their #EuroBasket debut since 1995! pic.twitter.com/iZPkkXMX1e
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Com Diogo Ventura, Diogo Brito, Travante Williams, Miguel Queiroz e Neemias Queta de início, Portugal teve um arranque de sonho no jogo e no Europeu, com um (invulgar) triplo de Neemias e um parcial de 7-0 com apenas dois pontos sofridos nos cinco minutos iniciais entre o ataque sem soluções dos checos. Não era propriamente um encontro bem jogado, era um encontro onde a defesa nacional fazia a diferença entre oito turnovers entre as duas equipas. Foi nessa fase que o poste dos Celtics passou pelo banco para ter descanso, com o rendimento de Portugal a sofrer uma quebra a pique no ataque apesar da boa entrada de Rafael Lisboa para uma recuperação da Rep. Checa que fechou o período inicial a perder apenas por três (13-10).
Neemias Queta, welcome to the #EuroBasket! ????
???? https://t.co/O8gpIsQl2R pic.twitter.com/9WfqQ9xSF7
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O segundo período teve outra história, com Portugal a começar mal cedendo a primeira vantagem da partida à Rep. Checa (14-13) até Neemias Queta reentrar em campo, melhorando a partir daí até no seu jogo exterior com Cândido Sá e Travante Williams e respondendo aos triplos que os checos iam conseguindo fazer quase sempre em ataques rápidos. As vantagens iam mudando entre as duas equipas, com Vit Krejci (o jogador da NBA do adversário, neste caso dos Atlanta Hawks) a começar a servir de farol no plano ofensivo para a formação de Diego Ocampo apoiado por Vojtech Hruban, mas era na defesa que a Seleção se mantinha viva no encontro, contando com um Quetão ao mais alto nível a terminar com o último lançamento que fez o 32-29 ao intervalo para atingir os 15 pontos (88% de eficácia de lançamento), seis ressaltos, três desarmes de lançamento e uma assistência… em apenas 14.16 minutos, seguido de Travante Williams (oito pontos).
Made him look the other way! ????#EuroBasket pic.twitter.com/smWugZPpMU
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Neemias Queta's #EuroBasket debut is turning out to be a special one ????#EuroBasket pic.twitter.com/b5Q3JQW3qm
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Os números ao intervalo, tantas vezes utilizados pelos treinadores para montarem estratégias para a segunda parte, mostravam o bom e o mau. No bom, a capacidade defensiva nacional, com seis roubos de bola e quatro desarmes de lançamento, e as ações de Neemias Queta, que esteve quase perfeito a atacar. No mau, as baixas percentagens de lançamento de três e da linha de lance livre, bem como a luta das tabelas quando o poste dos Celtics não estava em campo. Ainda assim, de um e outro lado, as dificuldades ofensivas mantiveram-se, com Rafael Lisboa a fazer os primeiros pontos do terceiro período num triplo com dois minutos e meio jogados, sendo que pouco depois Quetão chegou ao duplo-duplo (15 pontos e dez ressaltos) antes da maior vantagem nacional no encontro (40-30). O descanso do poste motivou nova quebra, mitigada em parte pelos triplos de Lisboa jogando na posição 2, mas o terceiro parcial fechou com um avanço mais curto de 45-40.
Cheira bem, ???????????????????????? ???? ???????????????????????? ????????
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????.° ????????????????????????: ???????? 45-40 ????????
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Continuava tudo em aberto não deixando de ser um jogo perigoso. Com uma boa defesa, Neemias envolvido no coletivo e a mesma entrega, Portugal mostrara que conseguia ser superior a uma Rep. Checa de quem se podia esperar um pouco mais até pelo atual treinador mas alguns momentos mais desligados fizeram com que o adversário nunca saísse de vez da partida. A 5.41 minutos do final, em mais uma paragem técnica, a vantagem nacional estava nos sete pontos (53-46), acabando por ser decisiva num encontro que acabou com o triunfo português por 62-50 entre uma exibição monstruosa de Neemias Queta (23 pontos, 18 ressaltos, quatro desarmes de lançamento e uma assistência) e um grande jogo de Rafael Lisboa (15 pontos).
????: Father, why is my name Rose?
– Because your mom loves roses.????: Father, what about mine?
– That's enough Neemias, go to your room. pic.twitter.com/zREuPOoR3D— FIBA EuroBasket (@EuroBasket) August 27, 2025
Queta dominates as Portugal ???????? secures their first #EuroBasket win since 2007!
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