Era um remake da final do ano passado, tinha capítulos diferentes de épocas anteriores com essa redobrada esperança de poder quebrar aquele que é sempre o epílogo da Final Four. Desde que foi criada em 2022, a Supertaça Ibérica tem meias-finais que são ganhas de forma invariável pela melhor formação portuguesa e espanhola, e termina com o Barcelona em festa, vencendo todas as competições desde a sua criação. Ainda assim, havia algo diferente esta época. Por um lado, o triunfo dos catalães diante do FC Porto foi bem mais apertado. Por outro, a vitória do Sporting nas meias-finais não passou pelo desempate por sete metros como em 2024 e transformou-se numa goleada ao Ademar León por 42-27. Agora, chegava a decisão.

O choque com um mundo à parte “acabou” em 30 minutos: Barcelona vence Sporting e reconquista Supertaça Ibérica

“Entrámos como favoritos e havia o risco de pensarmos mais na final de amanhã [domingo] do que no jogo de hoje [sábado] mas fomos sérios do princípio ao fim. Mesmo os jogadores que entraram em rotação contribuíram sempre e acabámos por construir uma vantagem considerável. Segue-se o Barcelona, que é sempre o Barcelona. Pode não estar na máxima força mas nós também ainda não estamos. Para vencer, temos de ser a nossa melhor versão. É difícil mas acreditamos que um dia o podemos conseguir. Se será agora ou não, não sei, mas vamos fazer por isso, com humildade e ambição”, apontara Ricardo Costa, treinador do Sporting, em declarações à Bola TV depois da goleada aos espanhóis do Ademar León por 42-27.

O remake do filme habitual: Sporting goleia Ademar León e vai discutir Supertaça Ibérica com Barcelona

“É para estarmos em finais que trabalhamos. Sabíamos que o jogo ia ser difícil mas entrámos sérios, conscientes do que tínhamos de fazer e o [Mohamed] Aly esteve muito bem na baliza. Agora vamos defrontar o Barcelona, tricampeão da prova, mas o jogo começa 0-0. Queremos aproveitar a nossa oportunidade e trazer este título para o Museu do Sporting, que ainda não conquistámos. Vai ser um jogo típico de Liga dos Campeões, de alto nível, entre duas grandes equipas com estilos semelhantes: gostamos de correr, do 1×1, do remate exterior. Vai ser um grande espectáculo e esperamos ficar com mais um troféu”, acrescentara Francisco Costa, jovem lateral direito do Sporting que ganhou o prémio de MVP do jogo das meias-finais.

A diferença entre Barcelona e Sporting foi sendo encurtada nas últimas épocas, com os leões a renovarem a equipa e a criarem uma base que acabou por ser uma das grandes revelações da Champions de 2024/25 (ficando a três golos da presença na Final Four na eliminatória contra o Nantes). Agora esse núcleo surgia reforçado com as chegadas dos espanhóis Carlos Álvarez e Víctor Romero, do sueco Emil Berlin e do jovem internacional Sub-21 português Filipe Monteiro. No entanto, os catalães somavam por triunfos todos os jogos oficiais realizados contra os leões, sendo que este acabaria por ser o mais disputado de todos.

Ao contrário do que aconteceu em 2024, o Sporting conseguiu evitar no arranque da partida que o Barça disparasse no marcador, mantendo sempre o encontro por um a ganhar ou a perder e tentando jogar sempre nas saídas rápidas que dessem situação de 1×0 no golo apesar das várias intervenções de Emil Nielsen na baliza dos catalães. Ainda assim, os minutos foram passando com o encontro equilibrado, de tal forma que a primeira metade da parte inicial chegou com um empate a 8. Essa “resistência” não ficaria por aí: com a defesa em crescendo no jogo e Kristensen a brilhar na baliza, o Sporting chegou a três golos de vantagem (13-10), obrigando Carlos Ortega a pedir de imediato um desconto de tempo, e foi para o intervalo na frente do marcador com dois golos de avanço (15-13) tendo Orri Thorkelsson como melhor marcador (seis golos).

O segundo tempo começou com uma formação catalã a mostrar outros argumentos no plano ofensivo, que foi o grande problema nos minutos finais da primeira parte, mas também a ser surpreendida pelos movimentos ofensivos do Sporting, que ia conseguindo manter o avanço na partida. No entanto, bastou uma ligeira quebra dos leões, na estrutura defensiva e sobretudo no ataque organizado, para o Barcelona aproveitar, empatando a partida a 19 e passando depois para a frente por 22-20 antes de nova paragem técnica pedida por Ricardo Costa. O jogo parecia estar a fugir, a resposta foi forte já com Mohamed Aly na baliza e os leões conseguiram entrar nos dez minutos finais empatados frente aos blaugrana (25-25), conseguindo nos momentos decisivos manter a frieza mas falhando o golpe final que evitasse o desempate nos livres de sete metros (31-31), com os guarda-redes dos catalães a fazerem depois a diferença para o 35-34.