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Novo livro sobre a realeza revela ataque a Camila, opinião de Isabel II sobre o Brexit e quando Boris Johnson quase passou covid-19 à rainha

Este artigo tem mais de 1 ano

Em "Power and the Palace", Valentine Low relata um episódio de violência sexual sofrido por Camila, as opiniões de Isabel II sobre o Brexit e o dia em que Boris Johnson quase passou covid-19 à rainha.

Members Of The Royal Family Attend Events To Mark The Centenary Of The RAF
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▲A maioria das passagens do livro aborda as relações entre a realeza com altos cargos do governo britânico

Getty Images

▲A maioria das passagens do livro aborda as relações entre a realeza com altos cargos do governo britânico

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A 11 de setembro chega às livrarias britânicas mais um livro explosivo sobre a realeza britânica. Power and the Palace, escrito pelo antigo jornalista de realeza do The Times, aborda algumas das histórias dos bastidores das relações de membros seniores da família real e figuras da política nacional, incluindo a Rainha Isabel II, o agora Rei Carlos III, o príncipe William, e antigos primeiros-ministros como Boris Johnson e Tony Blair. Entre as revelações, que têm sido publicadas pelo The Times, está um episódio de agressão sexual que a rainha Camila terá sofrido na adolescência, as “novas” opiniões de Isabel II sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e ainda o dia em que Boris Johnson quase passou covid-19 à rainha de 94 anos em plena pandemia.

A história que mais gerou manchetes internacionais é sobre a rainha Camila. De acordo com Low, a mulher de Carlos III contou o caso a Boris Johnson em 2008, quando este ainda era autarca de Londres. As informações foram reveladas por um antigo diretor de comunicação de Johnson, Guto Harri. Camila terá sofrido uma tentativa de agressão sexual quando ainda andava na secundária, aos 16 ou 17 anos. Estava a seguir num comboio rumo à estação de Paddington quando um homem aproximou-se e moveu a sua mão cada vez mais perto dela. “Fiz o que a minha mãe ensinou-me. Tirei o meu sapato e bati-lhe com o salto nos tomates“, terá dito Camila. De acordo com Harri, a rainha desceu do comboio na estação de Paddington e encontrou um polícia para quem denunciou o abusador. O homem terá sido preso.

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▲ Camila terá relatado o episódio de agressão ao então autarca de Londres, Boris Johnson

WireImage

Entretanto, a maioria das passagens do livro aborda as relações entre a realeza com altos cargos do governo britânico. O autor escreve, por exemplo, sobre as ações políticas do príncipe William, apesar de fontes confirmarem que o filho de Carlos faz questão de se manter apolítico nas suas aparições públicas. Num dos temas mais polémicos, Low revela qual terá sido a verdadeira opinião de Isabel II sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Em 2016, durante a campanha para o referendo sobre o Brexit, o The Sun e a imprensa britânica escreveram que a Rainha apoiava a saída, com base numa conversa que a monarca terá tido em 2011 com o então vice-primeiro-ministro Nick Clegg, em que disse que não concordava com os rumos que a União Europeia estava a seguir. Porém, de acordo com o antigo jornalista de realeza do The Times, a rainha terá dito a um ministro sénior na primavera de 2016 que “não devíamos sair da UE. É melhor ficar com o diabo que conhecemos”. Low escreve ainda que outras fontes do palácio confirmam que Isabell II sempre criticou as decisões vindas de Bruxelas, muitas vezes considerando-as excessivamente burocráticas e “ridículas”, porém “via a UE como parte de um acordo pós-guerra que marcou uma era de cooperação depois de duas guerras mundiais”.

Boris Johnson quase infetou a Rainha com covid-19

O Brexit ocupa boa parte do livro, que fala sobre as polémicas da suspensão do parlamento pedida por Boris Johnson, autorizada pela rainha em agosto de 2019 para depois ser considerada ilegal pelo Supremo Tribunal britânico. Cinco dias depois da decisão, o Sunday Times escreveu que o então primeiro-ministro pediu desculpas pessoalmente a Isabel II por ter feito a solicitação da sua aprovação para uma suspensão ilegal. Contudo, uma fonte do gabinete do primeiro-ministro terá dito a Valentine Low que Johnson estava “com muito medo com a possibilidade de ir ver a rainha depois da suspensão para pedir desculpas. Importava-se de verdade com a rainha, mas não gosta de se desculpar nunca. Aquele homem não diz ‘desculpe-me’. Seria muito humilhante para ele ter que se desculpar”.

▲ A Rainha Isabel II a receber o então primeiro-ministro Boris Johnson numa das audiências semanais no Palácio de Buckingham

Getty Images

Low tentou perceber junto a fontes do palácio se o pedido de desculpas aconteceu, contudo as respostas foram de que o que se passou dentro da audiência entre Johnson e Isabel II não saiu cá para fora. Anos depois, o autor questionou o antigo primeiro-ministro sobre o tema, por e-mail, e recebeu a seguinte resposta: “De tudo o que pude saber, no palácio acharam o julgamento do Supremo Tribunal tão peculiar quanto eu”, escreveu Boris Johnson, para depois afirmar: “Não posso comentar sobre as visões da Rainha, mas a ideia de um pedido de desculpas é completamente ficcional”.

Menos de um ano depois da polémica com a suspensão do Parlamento, Boris Johnson voltou a ser protagonista de um momento curioso com a rainha Isabel II. Ou melhor — quase foi. Em março de 2020, dois dias depois do primeiro-ministro falar aos britânicos e pedir que parassem com os contactos físicos não essenciais devido à pandemia de covid-19, Boris Johnson quase infetou a rainha com o vírus. De acordo com o seu secretário privado, Martin Reynolds, o primeiro-ministro estava pronto para encontrar Isabel II na sua audiência semanal, contudo, tinha tosse. “Não tinha sido diagnosticado, mas claramente tinha o vírus”, disse uma fonte a Low. Foi quando Dominic Cummings, antigo conselheiro do primeiro-ministro, foi chamado. “Disse: ‘Se passares o coronavírus para a Rainha e ela morrer, o que vais fazer? Não podes correr este risco, é insano'”, recordou Cummings, numa conversa com a editora de política da BBC, Laura Kuenssberg. Entretanto, outra fonte lembra do conselheiro falar de uma forma menos polida: “Vais matar a Rainha. Estás maluco?”

Low descreve que também a rainha Isabel II precisou de ser convencida a parar com as audiências presenciais. Edward Young, secretário privado da rainha, disse na Casa dos Lordes que a monarca queria manter as reuniões, numa “atitude do tipo ‘bom, terei que morrer um dia'”. Contudo, Reynolds e Young acabaram por resolver a situação: o secretário de Jonhson disse que o palácio queria cancelar a audiência, enquanto o secretário da rainha disse que era o primeiro-ministro a desistir. A conversa decorreu por telefone — uma semana depois Boris Johnson anunciou que havia sido diagnosticado com covid-19.

Já as relações da Rainha com Margaret Thatcher terão sido ainda mais tensas, enquanto Isabel II deu-se bem com Harold Wilson, John Major e Tony Blair, a quem terá ligado para parabenizar quando um acordo na Irlanda do Norte foi assinado, em 1998. “Na altura pensei: ‘Aposto que ela não o faz com frequência”, disse Blair.

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