É sempre apresentado como o toque de Midas português no sucesso do PSG. Luís Campos é diretor desportivo dos franceses desde 2022, dando sequência a passagens positivas no Mónaco e no Lille, e não tem sido esquecido na hora de detalhar a forma como o clube chegou finalmente ao topo do futebol europeu. Ainda assim, o dirigente prefere as sombras — e raramente decide colocar-se como protagonista.

Por isso mesmo, uma entrevista alargada de Luís Campos é sempre motivo de interesse. Desta feita e mesmo antes de o PSG começar a defender a Liga dos Campeões contra a Atalanta, esta quarta-feira e no Parque dos Príncipes, o diretor desportivo conversou durante cerca de uma hora num programa da RMC Sport sem fugir aos temas mais sensíveis e oferecendo algumas novidades sobre o próprio futuro.

Naturalmente, uma das primeiras perguntas feitas ao português estava relacionada com a polémica saída de Gigi Donnarumma, guarda-redes italiano que saiu para o Manchester City e que foi dos elementos mais importantes da temporada passada. “Pediu um salário do PSG antigo e não do PSG atual. Foi dos primeiros jogadores que contactámos para renovar, mas as coisas mudaram. A estrela agora é o clube”, atirou, vincando uma mudança de filosofia que tem sido clara desde as saídas de Neymar, Lionel Messi e Mbappé.

Mais um português no PSG (agora de forma oficial): Luís Campos nomeado conselheiro do presidente para o futebol

Recordando que se limitou a dizer “frontalmente” a Neymar que tinha de deixar o clube, Luís Campos também comentou o último mercado de verão e mostrou-se satisfeito com as movimentações do PSG. “Trabalhámos todos juntos. Não temos nenhum arrependimento, fizemos o que pensávamos fazer. O treinador não queria um plantel alargado e eu ouvi. Esse é um dos segredos do meu sucesso. Quero ajudar os meus treinadores para que possamos ver em campo como eles pensam o futebol. Luis Enrique disse como queria que a equipa fosse estruturada, queria um defesa-central com estas características, um novo guarda-redes. O jogo do PSG é difícil de compreender para o adversário e isso faz com que seja mais fácil ganhar os jogos”, sublinhou.

Sobre Luis Enrique, precisamente, o dirigente português reconhece que estava inspirado no momento em que escolheu o treinador espanhol para substituir Christophe Galtier, em 2023. “A minha melhor decisão foi escolher o Luis Enrique para o PSG. Lembro-me da entrevista que tive com ele em Barcelona e percebi em poucos minutos que seria ele. Ele também percebeu rapidamente que iríamos ter essa química. Falei com o presidente depois da reunião e um ou dois dias depois estava feito. O trabalho em equipa é muito importante. As regras do clube, dar prioridade ao coletivo… É a primeira coisa”, garantiu, antes de abrir a porta aos bastidores das próprias funções em Paris.

“O meu trabalho não se resume ao PSG, é também ajudar o Qatar Sports Investments [grupo que é dono do clube] a crescer no plano que tem no futebol. Algumas pessoas pensam que o trabalho de diretor desportivo se resume apenas ao mercado de transferências. Aproveitei a minha experiência anterior como treinador para ajudar os treinadores, para compreender bem a relação que devemos ter com os jogadores, mas também os valores da disciplina, do rigor e da exigência diária para dar o máximo quando se joga duas ou três vezes por semana. Essa foi a grande diferença no PSG”, explicou.

“É um projeto que está ao alcance de poucos.” Luis Enrique é o novo treinador do PSG

Sobre a Bola de Ouro, o diretor desportivo não tem grandes dúvidas sobre quem merece ser escolhido como o melhor jogador da temporada passada. “O Dembélé ganhou tudo. Foi eleito o melhor jogador da Ligue 1, foi o melhor jogador da Liga dos Campeões. Se não ganha a Bola de Ouro é porque as pessoas que votam não têm competência para votar. Se se chamasse Messi ou Cristiano Ronaldo não havia discussão. O PSG tem nove nomeados e estamos muito contentes”, defendeu, recordando um lote que inclui Nuno Mendes, João Neves e Vitinha.

Por fim, Luís Campos deixou uma certeza: vai reformar-se assim que sair dos franceses, sendo que ainda tem contrato até 2030. Aos 65 anos gostaria de ter energia para acordar várias vezes às 4h da manhã para apanhar o voo das 6h. Talvez venha ajudar-vos aqui [na rádio], se me ligarem. Mas sim, o PSG será o meu último projeto. Foi o que prometi à família”, terminou.