Reza a lenda urbana que Michael Nichols o rejeitou para o casting de A Primeira Noite, que acabaria entregue a Dustin Hoffman. Segundo o realizador, o público jamais acreditaria que Robert Redford alguma vez tivesse levado uma tampa de uma mulher. A história tem tanto de verosímil como de demasiado boa para ficar na gaveta — tal como os códigos seguidos ao longo de décadas pelo protagonista que aqui nos traz.

Uma T-shirt branca e um sorriso chegam e sobram para conquistar o mundo – bom, claro que ajuda ser Robert Redford, a lenda que nos ensinou que há poucos básicos de vestir mais eficazes que a confiança. Foi-se a estrela de cinema (esta terça-feira, 16 de setembro, aos 89 anos), fica o seu estilo icónico, algures entre o legítimo preppy norte-americano e um certo toque western, o ator que personificou o effortlessness muito antes da expressão acampar nas redes sociais e promover tudo menos autenticidade. O seu gosto casual e elegante devolve-nos aos anos 60 – vale a pena recordar que quase 40 anos antes de DiCaprio, Robert foi Jay Gatsby, num guarda-roupa com assinatura Ralph Lauren – e vive de referências que continuarão a fazer escola dentro e fora dos sets de rodagem. Simples e funcional, aspiracional e ao mesmo tempo reproduzível, e sobretudo nunca banal ou aborrecido.

Ainda há poucos dias, de forma premonitória, o suplemento HTSI do Financial Times embrenhava-se numa justíssima cruzada: encontrar o blazer perfeito. O exemplar de tweed que sobrevive a todos os filmes de todas as vidas, pronto para ocupar o armário eternidade fora. Robert usou a imaculada peça em Os Três Dias do Condor. Cinquenta anos depois, mantém-se uma ave rara, sentenciava a publicação.

A intemporalidade da alfaiataria e as soluções clássicas foram uma das imagens de marca, a par da combinação de texturas, dos tons naturais e de um conforto escolhido de forma genuína Um bom par de jeans, um infalível blusão de cabedal, um bomber com pele de carneiro, ou uma gola alta para passear pela praia, de braço dado com Barbra Streisand. E está tudo certo.

Nos acessórios, o modelo aviador que desde os 70s apela ao efeito vintage. Nos pés, umas botas ao melhor registo Americana, na cabeça uma boina ou outro acessório usado com confiança (quantos se podem gabar de usar um chapéu de cowboy com dignidade suprema?) E é bom que o nó da gravata se revele subtilmente afrouxado, para reforçar os níveis de pinta e cruzar com o desalinho do cabelo. Juntem-lhe a inspiração safari de África Minha, o clássico trench, os detalhes navy ou os essenciais para uma ida à neve.

Na fotogaleria acima, reveja alguns dos looks do ator-norte americano ao longo das últimas décadas.